Contraf discute com Pimenta investigações das contas secretas do HSBC

A Contraf-CUT e a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) se reuniram nesta terça-feira (24), com o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) no gabinete do parlamentar, em Brasília, e discutiram o andamento das investigações das contas secretas do HSBC na Suíça.

A audiência foi solicitada pelo secretário de Imprensa e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr. Também participou o presidente da CNTV, José Boaventura, e o assessor da CNTV, Nelson Santos.

Pimenta relatou que já apresentou junto à Procuradoria-Geral da República um pedido de instauração de procedimento investigatório para apurar o envolvimento de clientes brasileiros e do HSBC, no escândalo de sonegação fiscal, conhecido como SwissLeaks. Ele disse que o esquema foi operado principalmente entre 1997 e 2001, época das grandes privatizações do governo FHC. “Foi naquele tempo que o HSBC assumiu o Bamerindus e ocorreu a venda do Banestado no Paraná”, observou.

O parlamentar disse que pediu apuração sobre possíveis crimes contra a ordem tributária, contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro. “As informações publicadas indicam que o HSBC teria um papel ativo na facilitação de abertura de contas, sem questionar a origem do dinheiro, permitindo aos clientes a retirada de grandes quantias em moeda estrangeira, contribuindo, assim, para evasão fiscal e, também, para acobertar ações de criminosos internacionais, empresários e agentes públicos suspeitos de corrupção”, conforme trecho da representação feita ao Ministério Público Federal.

Ele contou que também formalizou pedido de providências e esclarecimentos ao Ministério da Justiça e que já se reuniu com o Banco Central. Com essas medidas junto às autoridades do país, o parlamentar espera, em uma primeira etapa, a identificação dos brasileiros envolvidos, e que os documentos apurados sejam trazidos ao conhecimento da sociedade, uma vez que há, segundo Pimenta, uma blindagem da grande mídia nacional em relação ao escândalo do HSBC.

O deputado afirmou que tem mantido contatos frequentes com a senadora norte-americana Elisabeth Warren, uma das primeiras a denunciar o esquema do HSBC nos EUA. A troca de informações tem sido constante para buscar entender as artimanhas dos crimes praticados.

Com tantos elementos, Pimenta defende que o Brasil conduza sua própria investigação, a exemplo da abertura de investigação por parte da Justiça suíça e de países como França, Bélgica, Estados Unidos e Argentina.

Encaminhamentos

Para Ademir, “o encontro com Pimenta foi muito importante, na medida em que o parlamentar abriu um processo oportuno de investigação diante das notícias que deixaram assustados os bancários e estão tirando o sono de muita gente poderosa e endinheirada”. Novos contatos serão agendados nos próximos dias.

O deputado se colocou à disposição para receber informações de bancários do HSBC que possam ajudar nas investigações, contribuir para elucidar o esquema criminoso e apurar a verdade dos fatos. “Podemos estar diante do maior escândalo do sistema financeiro no mundo”, projetou.

O escândalo será discutido na reunião da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do HSBC, que será realizada no próximo dia 5 de março, às 10h, em Curitiba.

A Contraf-CUT também enviou nesta terça-feira um ofício à diretoria do HSBC, solicitando uma manifestação oficial do banco sobre as notícias veiculadas sobre a possibilidade de saída do Brasil.

“Estamos vivendo um momento, onde precisamos reforçar a mobilização da categoria e da sociedade por outro sistema financeiro nacional e internacional, que pare de fazer qualquer negócio para aumentar os seus lucros. O mundo precisa de bancos com ética e transparência que venham a atender os interesses da sociedade, fomentando o crescimento com desenvolvimento econômico e social, geração de empregos e distribuição de renda”, conclui Ademir.

Pesquisa

Ao final da audiência, Ademir e Boaventura entregaram ao deputado uma cópia da pesquisa nacional de mortes em assaltos envolvendo bancos em 2014, elaborada pela Contraf-CUT e CNTV com apoio do Dieese, divulgada no início da tarde durante entrevista coletiva à imprensa em Brasília.

O levantamento aponta que 66 pessoas foram assassinadas no ano passado, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês, o que representa aumento de 1,5% em relação a 2013, quando foram registradas 65 mortes. Desde 2011, quando a pesquisa foi iniciada, foram verificadas 237 mortes, quase o número de jovens mortos na tragédia da Boate Kiss em Santa Maria (RS).

Pimenta ficou impressionado com o número de vítimas e disse que os dados da pesquisa serão muito úteis na sua atividade parlamentar.

Fonte: Contraf-CUT

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