Começa a votação dos projetos do Orçamento Participativo!

Saiba como votar e escolher um projeto de cada categoria que será financiado pelo Sindicato

Os bancários sindicalizados poderão escolher, até as 23h59 deste domingo, 4/7, os projetos do Orçamento Participativo que serão financiados pelo Sindicato! Para votar, basta acessar o link https://eleicaoorcamento.sindbancarios.org.br. É possível votar em um projeto por categoria.

Os bancários que estão na ativa devem se identificar usando banco, nº da agência e matrícula (no caso da DG do Banrisul, a agência é 10). Os aposentados, além da matrícula, devem informar o banco e a agência pela qual se aposentaram.

Qualquer dificuldade ou dúvida pode ser sanada  pelo telefone (51) 3433 1200, de segunda a sexta, das 10h às16h. O SindBancários também presta suporte fora do horário comercial pelo e-mail [email protected]

Na terça-feira, 29/6, os colegas que apresentaram propostas de projetos participaram de mais uma reunião do Orçamento Participativo. Durante o encontro, diretores do SindBancários agradeceram a participação dos proponentes e esclareceram os próximos passos da primeira edição do OP do Sindicato, a fase de votação.

O secretário Executivo do SindBancários, Luiz Cassemiro, lembra que o OP é uma experiência inovadora. “O Sindicato vai destinar um percentual de sua receita para projetos apresentados pelos bancários, fazendo com que a categoria participe mais ativamente na construção e destinação dos recursos. Esta primeira edição mostra a necessidade de ampliarmos e continuarmos com ações cada vez mais democráticas”, complementa Cassemiro.

“Apesar de não serem muitos projetos em número, todos são interessantes e acredito que, a partir desta experiência, os bancários irão conhecer melhor como funciona o OP e teremos mais iniciativas já no próximo ano”, explica a diretora de Cultura e Sustentabilidade do SindBancários, Ana Guimaraens.

Conheça os projetos

Categoria B (acesse o PDF)

Título: Cestas básicas para Instituto São Marcos e Pequena Casa da Criança
Proponente: Luiz Fernando de Oliveira Carbone
Descrição: Entregas de cestas básicas nas entidades.
Justificativa: Presença do Sindbancários no combate a fome provocada pela pandemia e apoio a projetos sociais que ajudam comunidades carentes.

 

Livro Infantil “Os Cuidados Para o Coronavírus Ir Embora”
Proponente: Leandro Grehs Leite
Descrição: O projeto consiste na publicação de livro infantil sobre a pandemia do Coronavírus para ser distribuído gratuitamente. O direito de uso de imagem de todo o conteúdo será cedido sem custo extra para a produção de outros materiais, caso solicitado.

O ebook “Somos Heróis – Os Cuidados Para o Coronavírus Ir Embora” é um livro digital criado em 2020 pelo autor Pedro Leite e foi distribuído gratuitamente na internet para milhares de pessoas durante o início da pandemia. A história conta os detalhes da crise do Coronavírus de forma leve e lúdica para as crianças entenderem a situação sem ficar assustadas e foi revisada por uma médica.

A sua futura publicação em forma de livro físico tem o objetivo de ser distribuída gratuitamente para integrantes do Sindicato e para o público em geral. O livro terá 36 páginas coloridas no formato de 10x15cm e serão produzidas 5.000 cópias. O Sindicato dos Bancários ficará com 70% da tiragem para a distribuição entre os seus associados, e 30% da tiragem ficará com o autor para a distribuição entre os seus leitores. O material não poderá ser vendido.

O direto de uso de imagem do conteúdo do livro (ilustrações e texto) será cedido ao Sindicato e poderá ser usado para a produção de outros materiais (como cartazes, cartilhas, etc.), desde que não tenham fins lucrativos. Pedro Leite é autor de literatura infantil com mais de 75 mil seguidores nas redes sociais. Seus livros infantis com os personagens “Sofia e Otto” (www.sofiaeotto.com.br) são adotados em diversas escolas particulares da capital gaúcha.
O conteúdo integral do livro deste projeto pode ser conferido em: www.sofiaeotto.com.br/herois

Justificativa: As crianças são muito atingidas pela pandemia do Coronavírus por estarem em fase de desenvolvimento e, assim, se prejudicam muito por não poder frequentar as escolas por causa do isolamento social. Um livro que explique essa situação delicada, de forma leve e lúdica, é importante para as crianças entenderem o problema sem se assustar e, principalmente, para não perderem a esperança por um futuro melhor. O número de pessoas atingidas será proporcional a quantidade de dinheiro investido. Neste caso, o orçamento prevê uma tiragem de 5.000 cópias, ou seja, o projeto poderá atingir 5.000 famílias ou mais.

 

RockOnLine 2021 Sindbancários
Proponente: Tobias Monteiro
Descrição: Produzir, organizar e veicular em redes sociais apresentação em formato visual de artists/projestos musicais oriundos de diferentes estilos dentro do rico cenário musical do Rio Grande do Sul, e que possuam na sua
formação pelo menos um(a) integrante profissional bancário.

Justificativa: Em tempos de pandemia, todo tipo de projeto que tenha por escopo atender à demanda por cultura, seja através da linguagem da música como é o presente projeto, seja por uma das demais linguagens como são o teatro, a dança, a fotografia e tantas outras, precisará levar em conta o forte impacto que o setor da sociedade denominado de “economia criativa” sofreu e vem sofrendo desde o começo de 2020, e o quanto a falta de uma previsão clara sobre o retorno às atividades presenciais é preocupante para os profissionais da área.

Somos bancários(as) e sabemos muito bem que através do nosso empenho profissional preservamos a dignidade de nossas casas e de nossas famílias, mas cada um(a) de nós tem colegas, filhos, filhas, mantemos amizade, grau de parentesco ou apenas boa afinidade com artistas e/ou trabalhadores ligados à economia criativa, e sabemos o quão relevante que é a cultura para continuarmos sendo um povo soberano com identidade. Cada artista calado, pela razão que for seu silêncio, representa derrota para uma sociedade livre e justa. Pois estamos diante de um momento grave, onde a grande maioria dos artistas está em silêncio e sem possibilidade alguma de trabalhar.

Através da iniciativa deste projeto, pretendemos dar um pouco de oportunidade ao setor da economia criativa de Porto Alegre e do RS, através do estímulo à produção musical dos colegas bancários e de suas trajetórias artísticas em parceria com outros artistas da cidade e do estado, da sua relação com profissionais da área cultural, com estúdios de ensaio e gravação, e todo um rol de profissionais que estão passando dificuldades em função da pandemia.

Além da valiosa tentativa de oportunizar trabalho para o setor criativo como referido acima, embasamos nossa ideia de projeto também, e muito, no aspecto motivacional que diversas vezes representa o fazer da música para o(a) colega que está respeitando rigorosamente a difícil manutenção do distanciamento social. Sabemos da dificuldade que é para nós a rotina de trabalho sem direito a fazermos tudo aquilo que apreciamos , seja na forma de lazer como é uma viagem à praia ou para visitarmos parentes, seja encontrando amigos para um happy hour ou churrasco. O trabalho sempre nos permitiu realizarmos nossos sonhos, mas com o agravamento da pandemia o que vemos são inúmeros colegas com crises de depressão e outros problemas graves de saúde relacionados ao momento que enfrentamos, e infelizmente não somente ligados ao novo coronavírus. A música, por sua vez, traz alegria à vida, produz bons momentos, e neste caso poderá ser também um ato de solidariedade entre nós bancários(as), além de proporcionar lazer ao público que prestigiará virtualmente o projeto, e que poderá apreciar cada uma das apresentações no conforto e na segurança dos seus lares, sem risco algum de contaminação.

Através das motivações que citamos acima, que são a geração de renda para a economia criativa local e, principalmente, de oportunizarmos motivação para o enfrentamento da pandemia em cada um(a) de nós  bancários(as), desejamos colaborar para que o mundo vença o momento obscuro que enfrenta, porque se cada um(a) fizer sua parte sairemos fortalecidos para enfrentar este futuro ainda repleto de incertezas. Nosso papel como bancários é o de buscar uma sociedade melhor através de trabalho, de união, diálogo, e de boas iniciativas que permitam o desenvolvimento da sociedade através dos valores que norteiam a vida profissional que escolhemos seguir.

Categoria C (acesse o PDF)

23ª Feira de Economia Popular Solidária
Proponente: Maiara Kauffmann
Descrição: Objetivo Geral: Manter a Feira Estadual de Economia Popular Solidária do Rio Grande do Sul como um evento organizado e promovido pelo conjunto da economia popular solidária gaúcha, caracterizando-se como um espaço para comercialização e divulgação dos produtos e serviços da Economia Popular Solidaria do Rio Grande do Sul.Objetivos Específicos:
1. Disseminar para a população os princípios e práticas da economia solidária, com ênfase para o empreendedorismo social, o empoderamento feminino e a geração de trabalho e renda com inclusão social, como estimuladores de desenvolvimento local.
2. Divulgar o comércio e consumo solidários e a integração desta outra economia com o conjunto da sociedade porto-alegrense e gaúcha, fomentando a formação de redes de cooperação.
3. Oferecer para toda a sociedade gaúcha, produtos da Economia Popular Solidaria que deverão ser produzidos pelos empreendimentos econômicos solidários, com a finalidade de incentivar a sustentabilidade dos mesmos.
4. Realizar atividades de formação e promover a troca de experiências entre os empreendimentos desta economia, fortalecendo a sua solidariedade, estimulando a constituição de redes de consumo consciente, de intercâmbio e trocas de tecnologias e de boas práticas de gestão solidária.
Justificativa: A Economia Solidária em sua essência, promove o desenvolvimento integral das pessoas, enquanto cidadãos, através do viés da geração de trabalho e renda, a partir do trabalho associado e cooperativado, praticando a democracia e autogestão nos empreendimentos, o respeito ao meio ambiente, a todas as etnias, povos originários, credos e religiões, como também a equidade de gênero.A pandemia impactou de forma contundente a Economia Solidária, por restringir a realização das feiras e eventos de comercialização, onde normalmente os empreendimentos fazem a comercialização de seus produtos, buscando este contato direto entre produtores e consumidores. Outro fator importante é que em 70% das pessoas que participam dos Empreendimentos, estão enquadrados no grupo de risco, pela idade ou por diversas comorbidades.
Os protocolos sanitários necessários para a realização da feira com segurança para consumidores e produtores, encarece o custo de realização da feira.As medidas de apoio emergencial realizadas pelos governos, em todas as suas instâncias não tem chegado efetivamente na ponta, no cotidiano dos empreendimentos, tendo estes suportado, em forma de rateio, o custeio para realização da feira estadual. Existe um movimento internacional que aponta para que a saída para esta crise humanitária em que nos encontramos, passa pela promoção de um desenvolvimento econômico e social, onde a cooperação, o associativismo, a solidariedade, uma nova forma de relação entre os seres humanos, seja potencializada, pois será capaz de reconstruir o tecido social tão fragilizado.A Economia Solidária, que promove o desenvolvimento local, que coloca o ser humano a frente do capital, desponta como uma solução para a saída da crise. Os bancos comunitários, suas moedas sociais, redes de troca, de apoio mútuo, corroboram esta teoria.
https://brasil.un.org/pt-br/98243-paises-aprovam-proposta-da-cepal-para-transformar-desenvolvimento-da-america-latina-e-do
https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2020/05/economia-solidaria-pos-pandemia-eleicoes-municipais/
http://www.redemacuco.com.br/2020/06/08/a-saida-da-crise-com-inclusao-passa-pelos-bancos-comunitarios/
Dessa forma, o apoio financeiro para a realização da 23ª Feira Estadual de Economia Popular Solidária torna-se muito importante para a sustentabilidade dos empreendimentos e suas famílias. O SindBancários já atuou como parceiro da Economia Solidária há muitos anos, tanto no apoio da Feira, como com impressão de material de divulgação, e até com subsídio de espaço físico para a loja na sede do Sindicato. É relevante, enquanto movimento organizado de trabalhadores, apoiarmos outras ações de desenvolvimento social, principalmente para as classes trabalhadoras mais vulneráveis. Esta ação pode contribuir positivamente na responsabilidade social de nosso Sindicato, na imagem de nossa categoria perante a sociedade, além de concreta e efetivamente apoiar ações sociais.Tendo como pressuposto o público envolvido na edição anterior (ano 2020), pretendemos contar com aproximadamente 200 empreendimentos, de todos os segmentos envolvidos: artesanato, confecção, agricultura familiar, agroindústrias e alimentação urbana, representantes de todas as regiões de nosso estado. Isto representa aproximadamente 1.000 pessoas envolvidas diretamente e 5.000 pessoas envolvidas indiretamente.
Torneio de Futebol Infantil
Proponente: Luis Carlos Figueredo Bahiana
Descrição: Torneio de Futebol Infantil (idade limite 10 anos, espaço para prática de esporte).Família: O impacto no eixo familiar vai além de provocar uma melhora nocomportamento da criança, e também se dá no envolvimento dos pais nas atividades de seus filhos e/ou dependentes, construindo uma relação deproximidade com o projeto e fazendo com que os valores trabalhados dentro dequadra possam, de alguma forma, chegar às residências de todos os envolvidos.

Justificativa: Através da prática esportiva é possível promover a socialização, rotina, cumprimento de regras, disciplina, trabalho em equipe, liderança,respeito, persistência, solidariedade e cooperação, além de proporcionar situações que motivem aprender com os erros e conquistar realizações. Estesvalores, concretizados no jogo, são baseados em princípios que devem reger a educação de crianças e adolescentes. Os valores do jogo não são apenas ensinados para serem validados no esporte, mas sim para traçarem rumos, alargarem os horizontes e acrescentarem metas e meios de alcança-los. Com o projeto queremos dar oportunidade para as crianças jogarem e brincarem acompanhado de seus pais, pois geralmente os campeonatos são para adolescentes e adultos. Nossa estimativa é que tenhamos mais de 100 pessoas circulando durante todo o evento.

Campanha de Combate ao Racismo, Capacitismo e LGBTfobia para a Categoria Bancária

Proponente: Sandro Rodrigues
OBJETO: O projeto foi planejado em formato de uma campanha educativa de combate ao racismo, capacitismo e LGBTfobia para categoria bancária, com ações de educação e formação, criação e divulgação de cards informativos, que segue o calendário de lutas dos movimentos sociais e direitos humanos. Com previsão de lives sobre as temáticas abordadas e produção de uma edição especial do Jornal do Nuances.
OBJETIVO GERAL: Promover a sensibilização da categoria bancária e da população em geral para o combate à discriminação por orientação/expressão sexual, identidade de gênero, preconceito racial e diversidades corporais. Todos os temas apontados serão trabalhados de maneira integrada.
Justificativa: Tendo como alvo as populações que sofrem com discriminações e preconceitos com base em identidade de gênero, orientação sexual, raça e diversidades corporais (pessoas com deficiência), a ideia é dialogar não apenas com bancários/as que integram tal população mas também com quem atende a tal população, ou seja, toda a sociedade será beneficiada pelas ações deste projeto.Os efeitos das desigualdades sociais são palpáveis e podem ser compreendidos quando nos voltamos para algumas estatísticas como:“A quantidade de negros [na categoria bancária] ainda é pequena: em 2014, eles eram apenas 24,9% da categoria.
Houve um avanço de 5,6 pontos percentuais em relação ao censo de 2008, quando negros e negras eram 19,3%. No Censo [da Diversidade] de 2014 foram incluídas, por reivindicação do movimento sindical bancário, perguntas voltadas para a população LGBT: 1,9% dos entrevistados se declararam homossexuais, 0,6%, bissexuais e 85%, heterossexuais; 12,4% não responderam. O Censo de 2014 também revelou que as contratações de PCDs (pessoas com deficiência) chegou a 3,6%; era 1,8% no Censo de 2008.
Apesar de ter aumentado, o último levantamento mostrou que o número de PCDs nas instituições financeiras ainda é menor do que determina a lei: 5%.”Ao analisar a comparação dos dados apresentados nos Censos da Diversidade, realizados nos anos de 2008 e 2014, podemos perceber que quando se trata da região sul do país as desigualdades são ainda maiores em relação às outras regiões do país. Essas desigualdades são produzidas pelos marcadores sociais da diferença, como orientação sexual e raça. Por exemplo, podemos identificar nos gráficos abaixo que a região sul apresenta uma menor proporção de população negra na categoria.
 Fonte: https://spbancarios.com.br/07/2019/seja-parte-da-transformacao-que-voce-quer-ver-no-mundo-seja-agente-da-diversidade Acesso em: 15 de maio de 2021 9h50min.
1. No Censo da diversidade, realizado ano de 2008, o gráfico acima aponta uma proporção de 19% da categoria bancária (que participou do censo) que se autodeclara como pertencente à população negra no país. No referido ano, a região sul aponta apenas 6,2% de negras e negros pertencentes à categoria.Apesar do Censo de 2014 ter mostrado um aumento no índice, a região sul continua apresentando a menor quantidade de negras e negros na categoria em relação às outras regiões, com apenas 8% de trabalhadores autodeclarados pretos e pardos. Sabemos que houve a realização de um terceiro Censo da Diversidade, no ano de 2019, porém não localizamos os dados no site da FEBRABAN durante a construção desse projeto.  Entretanto, em uma notícia do site do Sindicato dos Bancários de São Paulo, temos as seguintes informações que demonstram como o racismo estrutural da sociedade brasileira atinge a categoria bancária:“Os estudos desenvolvidos pela Febraban, solicitados pelos sindicatos dos bancários de todo o Brasil, respectivamente em 2008, 2014 e 2019, denominado Censo da Diversidade na Categoria bancária, identificou a discriminação  experimentada pelos negros, apenas 24,7% dos bancários são afrodescendentes (sendo 3,4% pretos e 21,3% pardos), e a renda da população negra no segmento bancário corresponde a 87,3%, e as mulheres negras 68,2% em relação aos trabalhadores brancos, realizando a mesma atividade.”
O gráfico abaixo aponta uma participação de apenas 3,6% de PCDs na categoria bancária, uma baixa proporção que denota pouco incentivo à inserção dessa população nas instituições bancárias. A Lei 8213/91 de Cotas para PCD exige que empresas com mais de 1001 funcionários, tenham 5% de PCDs em seu quadro funcional. Nesse sentido, necessitamos de visibilidade para essa população, no sentido de criação de políticas institucionais que promovam a inclusão dessas pessoas na categoria bancária. Também existe toda uma discussão que poderá ser abordada que se refere à acessibilidade para PCDs nos ambientes de trabalho das instituições bancárias.

2 Fonte: https://spbancarios.com.br/12/2020/itau-adota-postura-positiva-e-contrata-negros-em-programa-de-treinee Acesso em: 14 de maio de 2021 10h02min.

Por último, apresentaremos dois gráficos para exemplificar questões relativas à população LGBTQIA+. O gráfico abaixo se refere à proporção de bancários(as) que, em relacionamento com pessoa do mesmo sexo, utilizam os direitos e benefícios para seus companheiros(as). Constatando que menos da metade dessa população (apenas 38,4%) utiliza tais direitos e benefícios, fica nítida a diferença em relação à população heterossexual. O funcionamento de uma lógica heterossexista faz com que as instituições operem e naturalizem o entendimento de uma complementaridade na qual os gêneros tornam-se inquestionavelmente relacionados às capacidades inerentes de cada corpo.

Trata-se de uma construção identitária que liga, obrigatoriamente, o homem a seu sexo e à masculinidade, e do mesmo modo a mulher a seu sexo e sua feminilidade. O gráfico também deixa evidente que a região sul aponta uma proporção menor em relação à média do país. É a menor proporção, entre todas as regiões brasileiras, de população bancária LGBTQIA+ que usa a extensão de direitos e benefícios para suas parceiras (os). Uma hipótese de análise seria que a região sul, em especial o Rio Grande do Sul, possuiria uma sociedade mais conservadora, mais LGBTfóbica e racista (conforme o primeiro gráfico analisado).

Nosso último gráfico apresenta informações sobre a identidade de gênero. Apesar do Censo da Diversidade, realizado em 2014 – primeiro que considerou a população LGBTQIA+ em sua realização, não ter apresentado respostas de pessoas autodeclaradas como cisgêneras ou trans*, existe uma parcela da categoria bancária que se autoidentifica um gênero diferente daquele que é reconhecido socialmente. A leitura dos corpos conforme o heterossexismo abre possibilidade de discussão, pois o que aparenta ser uma contradição se baseia na naturalização de certas normas que excluem quem não se apresenta em tal conformidade. A própria invisibilidade que a falta de dados traz dentro das instituições financeiras é transfóbica. Desse modo, apesar de sabermos que essa população possui grande dificuldade de inserção no mercado de trabalho, não é possível mensurar isso com exatidão para oferecer uma análise que permita combater os processos violentos de segregação dessas pessoas.

Além disso, entendendo que o atendimento respeitoso compreende informação correta sobre o tema, é necessário formação adequada para o atendimento de tal público. Apesar de alguns bancos, como o Banrisul, terem implementado o nome social em seu sistema, ainda são inexistentes políticas de capacitação do quadro de empregados para atender essa população. Nesse sentido, justifica-se a necessidade de uma campanha para visibilidade dessa população, no que diz respeito à inserção na categoria profissional e também na formação dos trabalhadores para o respeito à identidade de gênero.

O preconceito, discriminação e violências por motivações LGBTfóbicas são estruturais na sociedade brasileira, da mesma forma que o racismo, ressaltando que cada um deles possui suas especificidades. Por isso, recentemente os crimes com motivação LGBTfóbica foram equiparados aos crimes de racismo, através de decisão do STF.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acrescenta em seu relatório publicado no ano de 2002 a categoria de violência chamada de estrutural que "[…] se refere aos processos sociais, políticos e econômicos que produzem e 'cronificam' a fome, a miséria e as desigualdades sociais, de gênero, de etnia […]" caracterizada pela dificuldade em ser "[…] quantificada, pois aparentemente ocorre sem a consciência explícita dos sujeitos, […] se perpetua nos micro e macroprocessos sócio-históricos, se repete e se naturaliza na cultura e é responsável por privilégios e formas de dominação" (MINAYO,
2006, p. 81, grifo nosso)

3. O assédio moral é uma prática de violência difundida no mundo do trabalho, inclusive como estratégia de gestão das instituições. Muitos estudos apontam que na categoria bancária é uma das que mais adoece por questões de saúde mental, que estão relacionadas a essas práticas. Em relação ao assédio moral, esse projeto também pretende incentivar denúncias de preconceito e discriminação motivadas por racismo,  LGBTfobia e diferenças corporais e/ou necessidades de PCD, visto que tais práticas podem se manifestar e/ou serem entendidas como assédio individual e organizacional.

[…] o assédio moral é "um processo grave e extremo de violência psicológica, que acontece de maneira continuada e 3 MINAYO, Maria Cecília de Souza. Violência e Saúde. Coleção Temas em Saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006. 132 p. repetitiva no contexto do trabalho e que produz efeitos de humilhação, ofensa e constrangimento" (SOBOLL, 2011). Coloca-se aí tanto o aspecto objetivo das práticas continuadas de hostilização, assim como a vivência de humilhação, aspecto subjetivo do assédio moral (ZAPF; EINARSEN,2001)

4. Compreendendo o racismo e a LGBTfobia como estruturais na sociedade brasileira, pode-se esperar que o preconceito e a discriminação motivadas pela raça, etnia, orientação sexual e identidades de gênero, serão reproduzidas no mundo do trabalho, ou seja, podem ser entendidas como parte da prática do assédio organizacional, em especial no que se refere ao controle e disciplina dos copos negros, LGBTQIA+ e de pessoas PCDs.

[…] o assédio organizacional é um processo contínuo de hostilidades, mascarado e viabilizado pelas políticas organizacionais, com o objetivo de aumento da produtividade, diminuição de custos ou reforço dos espaços de controle e de disciplina (SOBOLL, 2008; ARAÚJO, 2009; SCHATZMAM etal., 2009). No assédio organizacional, os dirigentes, individual ou coletivamente, reforçam estruturas e procedimentos organizacionais, os quais são percebidos como opressivos, degradantes e humilhantes (EINARSEN et al., 2003). Pode ser direcionado para todo o grupo de trabalhadores ou para alvos determinados […], podendo atingir muitos trabalhadores simultâneamente (EINARSEN et al., 2003; SCHARTZMAM etal., 2009)

5. Como resultados das ações executadas no projeto pretende-se sensibilizar a categoria bancária e sociedade em geral, promovendo o debate e a reflexão acerca dos direitos humanos e cidadania LGBTQIA+, da população negra e das pessoas com deficiência, assim como empoderar essas populações no ambiente de trabalho, em especial no setor financeiro acerca da legislação protetiva e da busca por direitos, fortalecendo os direitos humanos no sentido da construção da democracia e de ambientes democráticos, com a finalidade de promover justiça social. Para isso, é importante exigir compromisso das instituições financeiras para desenvolver políticas referentes aos direitos e ao combate às práticas discriminatórias sofridas pelas populações alvo desse projeto.

Fonte: SOBOLL & JOST. Assédio Moral no trabalho: uma patologia da solidão usada como estratégia de gestão organizacional. In.: Saúde dos Bancários. Organização Laerte Idal Sznelwar. – 1 ed. – São Paulo: Publisher Brasil : Editora Gráfica Atitude Ltda, 2011.
5 Fonte: SOBOLL & JOST. Assédio Moral no trabalho: uma patologia da solidão usada como estratégia de gestão organizacional. In.: Saúde dos Bancários. Organização Laerte Idal Sznelwar. – 1 ed. – São Paulo: Publisher Brasil : Editora Gráfica Atitude Ltda, 2011.

População atingida com as ações educativas e de formação:
 Atividade de formação para diretores e funcionários do sindicato: aproximadamente 70 pessoas;
 Atividade de formação para os delegados sindicais da base: aproximadamente 70 pessoas;
População atingida com a campanha educativa: campanha educativa virtual nas redes sociais (Instagram e Facebook).

Fonte: Imprensa/SindBancários

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