“Com racismo, não há democracia”, destaca Marcha Zumbi Dandara em Porto Alegre

Centenas de pessoas tomaram as ruas do centro de Porto Alegre na tarde ensolarada deste domingo, 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, durante a Marcha Independente Zumbi Dandara, denunciando o quadro de racismo estrutural e desigualdades que desafiam o cotidiano da população negra no Brasil.

A caminhada foi organizada pelo movimento negro e apoiada pela CUT-RS, centrais, sindicatos, movimentos sociais e populares, e partidos de esquerda, destacando o lema “Enquanto houver racismo, não haverá democracia. Ditadura nunca mais!”.

Os manifestantes se concentraram desde as 16h, no Largo Zumbi dos Palmares, na Cidade Baixa. Após a realização de um ato com apresentações de rappers porto-alegrenses, falas de sindicatos e movimentos sociais, a marcha partiu por volta das 18h rumo à Praça do Tambor.

Com faixas, cartazes, tambores, capoeira, esquetes culturais e carro de som, o ato trouxe a diversidade da história do povo preto para a reflexão da cidade.

Houve uma parada na Rótula das Cuias para pronunciamentos das centrais sindicais. Nas imediações da Usina do Gasômetro, integrantes do Conselho do Povo de Terreiro realizaram uma homenagem à Oxum. Flores foram jogadas nas águas do Guaíba.

A marcha terminou na Praça do Tambor e passou por locais históricos para o povo negro na capital gaúcha.

Zumbi-1

Porto Alegre é um território negro

A secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, Isis Garcia, salientou a presença da comunidade negra na história da capital gaúcha. “Nós estamos aqui porque a cidade nos pertence. A cidade é um território preto e nós queremos compartilhar, queremos valorizar cada lugar. Queremos que o mundo do trabalho seja um espelho de uma sociedade inclusiva e democrática. Viva o 20 de novembro! Viva Dandara, viva Zumbi”, afirmou.

Ela também destacou a força da unidade na organização do movimento. “Muito linda a nossa marcha construída de uma forma unificada para consolidar o Novembro Antirracista. É muito importante nós estarmos aqui fazendo esse diálogo com a população de Porto Alegre. Nós sabemos a importância, que é esse momento histórico, de nós termos recuperado a nossa democracia no país, termos derrubado esse indivíduo que só trouxe danos ao povo brasileiro”, disse Isis.

Zumbi2

“As nossas pautas estão totalmente interligadas. As pautas sociais com as pautas sindicais são únicas porque o que a gente quer é que as relações de trabalho sejam realmente um espelho das relações com as pessoas, com a sociedade. A marcha reverencia e evidencia a luta de Zumbi dos Palmares que junto com Dandara foram importantíssimos na construção e resistência do povo negro”, afirmou.

A dirigente da CUT-RS ainda explicou sobre o racismo ambiental. “Dizer para Porto Alegre que nós temos direito à cidade é temos que enfrentar o racismo ambiental. Os nossos territórios estão à mercê de uma falta de saneamento básico, de uma segurança que é violenta. Esse racismo ambiental permeia a mobilidade da cidade. Lugares com mais privilégios, com mais tranquilidade ainda são territórios brancos”, criticou.

Zumbi4

Combater o racismo é tarefa de toda a classe trabalhadora

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, enfatizou que a responsabilidade de combater o racismo deve ser de toda a sociedade. “O desafio do combate ao racismo é um desafio de ser antirracista. Pregamos uma sociedade que acabe com o racismo. Por isso, esse desafio é um desafio da classe trabalhadora, de todos e todas. Dos negros, negras, dos homens, das mulheres, dos brancos e todos que acreditam na libertação da classe trabalhadora e numa sociedade mais justa”, disse.

O secretário de Movimentos Sociais, Gênero e Etnias do Sindiserf-RS, Joelsio Luiz Barbosa dos Santos, ressaltou a importância da eleição da bancada negra, tanto no legislativo estadual como no federal, e classificou como “uma grande conquista”. Porém, para ele, “é muito importante que continuemos nas ruas, realizando os nossos atos e fortalecendo a luta, pois são as nossas ações que vão garantir a legitimidade destes mandatos tão importantes para o povo”.

A coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Africanos da UFRGS, Tamyres Filgueira, explicou que “Porto Alegre é um território muito negro, mas poucas pessoas sabem. O Largo Zumbi dos Palmares faz referência a toda a história e luta do povo negro e a Praça do Tambor também lembra a história triste do RS, como um Estado que também se beneficiou das pessoas escravizadas”.

 

Na caminhada, manifestantes lembraram também os dois anos do assassinato por espancamento e asfixia do homem negro João Alberto Freitas, o Beto, no estacionamento de uma loja do Carrefour, na zona norte de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra, em 2020.

Fonte: CUT-RS, com informações do Correio do Povo 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER

Luciano Fetzner Barcellos
(Banrisul)
PRESIDENTE

Tags

Filiado à Fetrafi/RS, Contraf/CUT e CUT
Rua General Câmara, 424-Centro / CEP:90010-230 /
Fone: 51-34331200

Porto Alegre / Rio Grande do Sul / Brasil

Categorias

Categorias

Categorias