Lucro do Santander aumenta 82,7% no trimestre e mostra que demissões são pura ganância

Centenas de bancários, em todo o Brasil, estão sendo demitidos pelo banco, que justifica dispensas com problemas financeiros que não existem

Não é preciso muito para o discurso utilizado pelo Santander para justificar as centenas de demissões que estão ocorrendo cair por terra. No Brasil, o banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no terceiro trimestre de 2020, uma alta de 82,7% em relação ao trimestre anterior, informa balanço do banco publicado nesta terça-feira, 27/10.

No próprio balanço, o banco ressalta a importância dos funcionários neste lucro, quando diz que “nesse trimestre, destacamos a retomada da atividade comercial, resultado do engajamento dos colaboradores e de nossa rápida adaptação ao cenário atual”. Mas a recompensa por todo este esforço está, lamentavelmente, vindo na forma de demissões. Bancários e bancárias, pais e mães de família, que trabalham há décadas no banco, inclusive que estão no grupo de risco, estão sendo demitidos sem a menor cerimônia.

“Mais uma vez, se comprova que essas demissões não se justificam, são uma atrocidade para com os funcionários brasileiros. Colegas que se dedicaram de forma exemplar agora estão sendo dispensados por telefone, e-mail e até telegrama. Achamos que já tínhamos visto de tudo, mas a forma como o Santander está conduzindo essas dispensas, em plena pandemia, no momento em que os seus funcionários mais precisam, está superando todos os níveis de desrespeito”, lamenta o diretor do SindBancários e funcionário do Santander, Luiz Cassemiro.

Cassemiro ainda chama atenção para dois outros pontos: o Santander havia se comprometido, junto aos sindicatos de bancários, a não demitir durante a pandemia. Outro fator importante é que o Brasil responde por mais de 30% do lucro global do Santander. “Ao mesmo tempo que a maior fatia do lucro da instituição vem do Brasil, é só aqui no Brasil que estão demitindo”, observa.

Desde o começo de outubro, os bancários estão lançando uma ofensiva para denunciar as recorrentes demissões nos bancos privados. Não só o Santander, mas o Itaú e o Bradesco também estão dispensando centenas de bancários em plena pandemia.

A justificativa é sempre problemas financeiros, mas os lucros dos bancos, que continuam bilionários, mostram que tal justificativa não se sustenta.

Balanço do Santander

A carteira de crédito teve expansão de 3,8% na mesma base de comparação, para R$ 397,38 bilhões, enquanto o retorno (ROE) subiu para 21,2% no terceiro trimestre, de 12% nos três meses anteriores.

“Nesse trimestre destacamos a retomada da atividade comercial, resultado do engajamento dos colaboradores e de nossa rápida adaptação ao cenário atual. Dessa forma, no âmbito de riscos, registramos um crescimento da carteira de crédito, em ambas as comparações, com destaque para o avanço no varejo. Esse desempenho é acompanhado por indicadores de qualidade, em patamares controlados”, afirma o banco, no relatório.

Os ativos totais atingiram R$ 982,222 bilhões ao final de setembro de 2020, expansão de 17,1% em relação a igual trimestre do ano passado e queda de 0,6% sobre o número do trimestre anterior.

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Fonte: Exame com edição de Imprensa/SindBancários

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