Com abertura de capital do Banrisul Cartões, Leite disfarça privatização do banco

Estratégia já foi utilizada pelo governo Sartori em 2018, quando pressão e mobilização dos banrisulenses e dos gaúchos impediu fatiamento e enfraquecimento do banco

O Banrisul publicou nesta quarta, 14/7, um Fato Relevante, informando o início de operação para captar investidores para abrir o capital da Banrisul Cartões. O processo é uma tentativa do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em iniciar a privatização do Banrisul “às escondidas” e por partes, entregando áreas do banco que são mais lucrativas e cujo mercado financeiro demonstra interesse.

Leite repete movimento semelhante do seu antecessor. Em 23 de março de 2018, quando o governador do Estado era José Ivo Sartori, o Banrisul também anunciou a abertura de capital da subsidiária. À época, o Banrisul Cartões era chamado de “a joia da coroa”.

“Em 2018, conseguimos barrar o processo através de muita mobilização dos empregados”, observa o presidente do SindBancários e funcionário do Banrisul, Luciano Fetzner. Para ele, a tentativa de abrir o capital do Banrisul Cartões não pode ser vista como um fato isolado. “Este é um processo que vem se desenrolando ao longo do governo Leite, com fechamento de agências, não realização de concursos, enxugamento do quadro de funcionários e ausência da diretoria em definições estratégicas”, lamenta.

Vale lembrar que o governador Eduardo Leite, em campanha, prometeu que não privatizaria empresas públicas como o Banrisul e a Corsan. Há alguns meses, deputados de sua base aliada acabaram com a necessidade de realizar um plebiscito para vender as empresas públicas, o que era até então garantido pela Constituição do Rio Grande do Sul. Na segunda, 12/7, Leite protocolou na Assembleia Legislativa projeto para privatizar a Corsan.

O que diz o Fato Relevante

A comunicação traz recomendações do J.P. Morgan, banco contratado para assessorar o processo. Diferente de 2018, a nota é um tanto vaga e ampla ao definir a operação. 

Afirma que “poderá envolver a alienação de ações de emissão da Banrisul Cartões, inclusive representativas do seu controle acionário, e poderá ser realizada por meio de aumento de capital a ser subscrito por terceiros, alienação primária de ações de emissão do Banrisul Cartões,  operações de fusão, cisão, incorporação, incorporação de ações, combinação de negócios, joint ventures, alienação de ativos, acordos comerciais, em uma única operação ou em uma série de operações e outras estruturas jurídicas e financeiras a serem estabelecidas pelo Conselho de Administração oportunamente (“Operação”)”.

Tentativa frustrada em 2018

Em março de 2018, quando o governador do Estado era José Ivo Sartori, o Banrisul tentou iniciar a abertura de capital do Banrisul Cartões. O mesmo J.P. Morgan cuidou do processo na época. 

Entretanto, a pressão dos banrisulenses e da sociedade gaúcha acabaram por fazer o governo desistir do IPO. À época, houve mobilização e várias entidades, entre elas o SindBancários, ajuizaram ações judiciais questionando o processo.

A desistência do IPO foi oficializada em 20 de novembro de 2018. Segundo o governo, ocorreu por “razão das condições adversas do mercado de capitais e do prazo legal para interrupção da análise do pedido de registro da oferta”.

“Como sempre, a solução para as crises encontrada pelas direções de governos neoliberais como a atual do Banrisul, do Governo Leite, já justificam esquartejar a BanriCard, anunciando a venda de boa parte da empresa com a emissão de ações na bolsa de valores. Nada surpreende, partindo do Governador Eduardo Leite, que junto com apoiadores na Assembleia Legislativa, derrubou da Constituição Estadual a possibilidade do Plebiscito, para saber se os gaúchos são favoráveis ou não a venda das empresas públicas do Estado”, analisa o diretor de Comunicação do SindBancários e funcionário do Banrisul, Gilnei Nunes.

A força do Banrisul Cartões

O Banrisul Cartões é uma das sete subsidiárias do grupo Banrisul e atua em dois segmentos de negócios: rede Vero e cartões BanriCard.

Somente a Vero encerrou o ano de 2020 com 143,5 mil estabelecimentos credenciados ativos com transações nos últimos 12 meses. Nos 12 meses deste ano, foram capturadas 312,7 milhões de transações, 218,9 milhões com cartões de débito; e 93,8 milhões com cartões de crédito, retração de 10,4%; em relação ao auferido em 2019. Em volume financeiro, o valor transacionado totalizou R$ 30,3 bilhões, refletindo crescimento de 2,8% frente ao ano de 2019. Desse montante, R$ 17,2 bilhões com cartões de débito e R$ 13,2 bilhões são oriundos das transações com cartões de crédito.

Vale observar que na parte de cartões de crédito, o Banrisul encerrou dezembro de 2020 com uma base de 1,2 milhão de cartões emitidos. Durante o ano, foram realizadas 74,9 milhões de transações, o que possibilitou a movimentação financeira de R$ 6,5 bilhões.

Fonte: Imprensa/SindBancários

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