Colegas do Badesul e BRDE se mobilizam para resistir à entrega dos bancos de fomento durante assembleia na Casa dos Bancários

A assembleia da noite da segunda-feira, 23/10, reuniu os colegas do Badesul e BRDE no auditório da Casa dos Bancários e mostrou a disposição para resistir à entrega pelo governo Sartori para que o Estado ingresse no lesivo Regime de Recuperação Fiscal. Além de programarem ações de comunicação para enfrentar as mentiras do governo e os ataques à imagem do dois bancos de desenvolvimento, os colegas alertaram para uma necessária mobilização para combater e para enfrentar um discurso de confusão das diretorias.

Uma dessas ações de ocorreu há cerca de duas semanas no Badesul. Os colegas se juntaram em reunião e bateram na sala da diretoria. Encontraram a diretora-presidenta, Susana Kakuta, e o diretor Paulo Odone Ribeiro. Solicitaram audiência conjunta e entraram na sala dos diretores. O passo seguinte foi abrir um debate e cobrar uma posição muito clara da diretoria sobre opinião e atitude de pressão sobre o governo Sartori contrária à entrega do Badesul.

Fomos entre 10 colegas em reunião com a diretoria. Perguntamos diretamente sobre o que estavam fazendo para evitar que o Badesul seja vendido ou entregue. Eles deram uma opinião de que não é cabível essa preocupação. Um dos motivos era o passivo do banco juto ao BNDES. Segundo eles, a inclusão do Badesul como contrapartida para o Estado entrar no Regime de Recuperação Fiscal seria um jogo político do governo Sartori. Não valeria a pena vender o Badesul por causa desse passivo. A diretoria teria conversado com a base do Governo Sartori”, detalhou a bancária do Badesul e ex-presidenta do SindBancários, Ana Mirage.

No dia 17 de outubro, os colegas do Badesul entregaram uma carta conjunta à direção. Nesse documento, solicitam uma ação mais efetiva da direção no que se refere à defesa pública da instituição e que seja retirada da lista de privatizações ou entrega pelo governo Sartori. A sugestão dos colegas do Badesul é que a diretoria invista mais em publicidade em várias ações de mídia que exaltem a importância do Badesul para a economia e o desenvolvimento do Rio Grande do Sul em todo o Estado.

O diretor do SindBancários, Paulo Stekel, solicitou aos colegas dos dois bancos que mantenham a mobilização, alertou para os próximos passos na estratégia do governo Sartori e reforçou a importância de não cair no conto das diretorias. Os dois bancos estão na mira de um pré-acordo para o ingresso no Regime de Recuperação Fiscal. “As diretorias dizem que não vai ter nada. Mas os discursos deles é ensaiado. No BRDE, vão dizer que está tudo bem e que o perigo está no Badesul. No Badesul é o contrário: é o BRDE que está na mira. Não podemos deixar de pensar no contexto político. Eles querem vender o que puderem para conseguir uns R$ 3 bilhões, fazerem algumas obras e reeleger o Sartori. Eles vão vender o que puderem para conseguir recursos em ano eleitoral”, alertou Stekel.

FIERGS pressiona por manutenção do BRDE público

Se tem uma entidade que representa empresários e que gostaria de ver patrimônio público privatizado, temos acordo total de que essa entidade atende pelo nome de FIERGS, não? Pois até mesmo a FIERGS se colocou contrária à entrega do BRDE. A manifestação ocorreu por meio de uma carta ao presidente do BRDE, Odacir Klein, datada de 16 de outubro. O documento é assinado pelo presidente em exercício Gilberto Ribeiro e informa ao executivo do BRDE de que os diretores da FIERGS estão atentos a alterações na composição do banco “por iniciativa do Governo gaúcho”. O assunto teria sido tratado em reunião de diretoria. “Ficamos atentos e à disposição para que o BRDE seja preservado na sua função de participante direto do desenvolvimento rio-grandense”, diz o documento (leia ao fim desta reportagem).

A FIERGS sabe da importância do financiamento vantajoso para projetos públicos e privados que o BRDE realiza, dos empregos que cria. O SindBancários tem reiterado que o ingresso no Regime de Recuperação Fiscal é um mau negócio para o Rio Grande do Sul. Trata-se de um investimento de curto prazo que compromete o futuro do povo gaúcho. Pelo Regime, o Estado fica três anos sem pagar a dívida com a União, de cerca de R$ 50 bilhões, e continua pagando juros do estoque da dívida pública. Isso vai elevar a dívida para R$ 80 bilhões, em 2020, quando o Estado voltar a pagar a dívida com a União.

O encontro de contas seria a saída para a crise financeira. Por meio da recuperação de créditos da Lei Kandir, o Rio Grande do Sul teria aproximadamente R$ 45 bilhões para receber de renúncia de ICMS ao deixar de cobrar este imposto sobre produtos semifaturados para a exportação. Um encontro de contas poderia abater da dívida que o Estado tem com a União daquilo que a União deve ao Estado. A dívida cairia até 10 vezes.

Este sim um bom negócio para o Rio Grande sem precisar vender qualquer patrimônio público, muito menos os bancos de fomento que geram empregos e desenvolvimento econômico e social. Em outras palavras, o BRDE e o Badesul combatem exatamente as crises financeiras que o governo Sartori não para de usar como justificativa para vender tudo que puder. Por isso ele não quer saber dos bancos de fomento. O Badesul e o BRDE, pelos investimentos que fazem, desmentem o governador.

Leia a íntegra da carta da direção da FIERGS à direção do BRDE

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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