COE cobra orientação do Santander ao grupo de risco

Banco impõe férias individuais ou coletivas aos colegas já afastados por doença ou morbidade e precisa melhorar a eficiência na comunicação com colegas afastados

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander realizou uma videoconferência com representantes de trabalhadores do banco espanhol para organizar estratégias de defesa dos bancários na crise do novo coronavírus e de orientação geral. A reunião virtual ocorreu na tarde da segunda-feira, 6/4. Os representantes dos trabalhadores atendem a reclamações dos bancários nas agências e constataram que o banco precisa ser mais claro nas informações que presta a seus empregados.

A principal dúvida e preocupação dos bancários do Santander gira em torno do home-office e de como os trabalhadores do grupo de risco devem proceder. O Santander orienta bancários(as) com mais de 60 anos e as gestantes, os hipertensos, cardiopatas, diabéticos como funcionários que agora precisam de atestado para ficarem em casa. Mesmo eles sendo do grupo de risco.

Os atestados devem ter duração de 14 dias e devem conter o tipo de morbidade ou condição física (mais de 60 anos, gravidez) que coloca o bancário no grupo de risco à COVID-19. A dificuldade tem sido justamente esta: os colegas agora precisam enviar pelo sistema um atestado médico de afastamento de 14 dias.

O diretor do SindBancários e funcionário do Santander, Luiz Cassemiro, participou da videconferência como representante do COE – Comissão de Organização dos Empregados do Santander do Rio Grande do Sul na última segunda-feira (07/04).

“Lembramos que especialistas da área da saúde continuam recomendando o isolamento social, porque o Brasil ainda não chegou no seu pico do vírus. A luta de todos neste momento é pela preservação da vida. Estamos fazendo de tudo para manter os colegas protegidos se não em casa com a máxima proteção nos seus locais de trabalho.” conclui Cassemiro.

PCDs (Pessoa com Deficiência)

O Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência) em nota, orienta o afastamento imediato de pessoas com deficiência do seu ambiente de trabalho, sem prejuízos em suas remunerações e demais benefícios por fazerem parte do grupo de risco. Cobramos com que o banco cumpra a orientação da nota pública do Conade. O banco até o momento não se posicionou quanto aos colegas PCDs (Pessoas com Deficiências).

O assunto está sendo discutido no comitê de crise. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também enviou recomendação à Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) orientando que os bancos encaminhem bancários PCDs para home office ou, na impossibilidade de execução da função neste sistema, que afastem os trabalhadores dos locais de trabalho, sem prejuízo na remuneração.

Orientação sobre o grupo de risco

Pertencem   ao grupo de risco os hipertensos, cardiopatas, diabéticos e portadores de doenças crônicas. Pessoas maiores de 60 anos e gestantes. Na primeira fase da quarentena a orientação era  de somente informar o banco que fazia parte do grupo de risco e preencher documento de próprio punho. Na segunda etapa, todos deverão enviar atestado médico com solicitação de licença médica pelo período de 14 dias, informando a doença. Há relatos de colegas dando conta da dificuldade de enviar o atestado pelo sistema.

Férias coletivas e individuais

Após  os 14  dias de atestado,  o colega deverá entrar em férias individuais ou coletivas por 15 dias.  Se algum gestor insistir    no retorno ao trabalho de quem está no grupo de risco, denuncie ao sindicato. Passados esses 29 dias, se ainda for orientação de isolamento, o comitê de crise do banco analisará o próximo passo se o funcionário apresenta mais 14 dias de atestado ou tira mais 15 dias de férias ou mesmo férias compulsórias. Orientamos que, caso algum gestor insistir que o trabalhador volte a trabalhar nestas condições, ele deverá denunciar ao Sindicato.

Rodízio de agências durante  a quarentena

O banco fechou algumas agências de São Paulo e Rio de Janeiro por 15 dias e deu férias coletivas para todos os trabalhadores com a alegação de redução de risco de contágio. A partir desta semana que começa na segunda-feira, 13/4, algumas dessas agências fechadas há 15 dias serão reabertas. Outras  continuarão fechadas. O banco está estendendo o fechamento para outras agências do Interior de São Paulo e outros estados.

O banco tem dado férias coletivas para alguns trabalhadores e remanejado outros, especialmente GGs e GAs. O entendimento da COE/Santander é que todos os trabalhadores entrem no sistema de rodízios para reduzir a exposição ao coronavírus, preservando a vida e a saúde de todos.

Banco de horas

Os colegas da COE/Santander irão cobrar a alteração do prazo de compensação das horas extras. O banco, surpreendentemente e sem avisar, passou de 6 para 18 meses o prazo de compensação. A alegação é que não haja descontos das horas negativas. Foi cobrado na sexta,  dia 03/04, através do comitê de crise que o banco negocie este e outros  assunto que surgirem, juntamente com os demais bancos na mesa da Fenaban que ocorre toda semana.

EPIs e organização das agências

Os relatos de falta de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), como máscaras e viseiras de plástico, são generalizados no Brasil. Há falta de máscaras, álcool em gel, luvas. Os bancários também enfrentam dificuldades como falta de sinalização e exposição excessiva e desnecessária nos setores de autoatendimento. Os colegas têm organizado filas até nas calçadas, fora das agências bancárias para preservar a própria saúde e a saúde dos clientes. Se o banco estiver com dificuldades para fornecer os equipamentos, deve liberar a compra individual e agilizar o reembolso.

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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