COE cobra mudanças na reestruturação da rede de agências Santander

Banco sinalizou que irá atender as reivindicações; reunião para tratar o assunto será no dia 22 de fevereiro

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com a direção do banco, na tarde dessa terça-feira (6), para cobrar explicações quanto ao processo de reestruturação na rede nacional de agências, batizado de Multicanalidade. O Santander publicou um comunicado no dia 22 de janeiro para informar que os gerentes Van Gogh e os gerentes de empresa não frequentarão mais as agências. Os gerentes Empresas passarão a maior parte do tempo visitando seus clientes e os Van Gogh farão visitas e atendimentos pela plataforma digital. Houve também uma mudança na carteira de clientes. A divisão foi feita baseada num diâmetro de cinco quilômetros da residência de cada um.

A justificativa do banco é que o cenário do sistema financeiro está sendo reconfigurado, devido à mudança do perfil dos clientes e dos meios de pagamento. O objetivo do Santander é ser, nos próximos dez anos, o banco de preferência dos seus clientes, considerando que hoje no mercado grande parte dos brasileiros usam mais de um banco. O cliente que optar pelo atendimento presencial será recebido nas agências pelo Gerente de Negócios e Serviços (GNS) ou pelo Líder da agência.

O secretário executivo do SindBancários e representante dos trabalhadores na COE pela Fetrafi-RS, Luiz Cassemiro, comentou que, na longa reunião com o Santander, o movimento sindical levou as preocupações levantadas pelos funcionários depois do banco anunciar de forma unilateral uma reestruturação na rede de agências, onde os gerentes VG e Empresas I saem da estrutura das agências, migrando para uma plataforma digital.

O Santander defende que esta mudança está baseada na estratégia de foco nos clientes, buscando fidelização e aumento de base de clientes. “Afirmamos que as alterações estão sendo radicais e infelizmente sem a organização e atenção que este tipo de alteração deveria ter. O banco disse que disponibilizou um chip de dados para os colegas usarem no seu celular particular, ponderamos que isto é um grande erro, pois o celular particular é privado e não para trabalho, além de não termos a garantia do direito à desconexão, o que é muito importante para a saúde mental dos colegas. O banco acolheu a preocupação e se comprometeu a analisar internamente qual a melhor forma desta garantia”, relatou Cassemiro.

Em relação ao raio de atuação dos gerentes empresas, o Santander diz que antes era de até 48km e com a reestruturação este raio reduz para até 5km. Conforme o secretário executivo, há regiões que não têm uma plataforma pronta para receber os gerentes VG e Empresas I, o que mostra despreparo e uma estratégia equivocada do banco. “Estas alterações têm gerado grande preocupação nos colegas que acompanham os movimentos de forma agressiva na terceirização do Santander, onde o banco cria empresas dentro do seu conglomerado, terceirizando trabalhadores bancários, retirando direitos historicamente conquistados. O banco afirma que neste momento não tem nenhum debate interno de terceirização destes gerentes, mas o movimento sindical segue acompanhando os movimentos”, explicou.

Para Cassemiro, as alterações irão gerar ainda mais demanda para os Gerentes Gerais e Gerentes de Negócios e Serviços, que já estão sobrecarregados nas agências, com poucos funcionários, e agora com a saída dos gerentes VG e Empresas I irá aumentar ainda mais a demanda por atendimento. Sobre isso, o banco afirmou que tem previsão de promover ou contratar mais de 600 GNGs, que já foram promovidos 201 Gerentes Gerais e que irá oferecer cursos e treinamentos para os novos e os que já estão no atendimento aos segmentos Van Gogh e Empresas.

Outro ponto debatido na reunião foi sobre horas negativas no período da pandemia, que o banco insiste na compensação das horas até a vigência do acordo, em 31 de março deste ano. O movimento sindical reivindica anistia de todas as horas e está pressionando para encerrar este assunto o quanto antes, sem prejuízo financeiro para os trabalhadores.

“Queremos dizer aos colegas que eles não estão sós neste momento onde o banco impõe estas alterações unilaterais, que no nosso entendimento são equivocadas. O Sindicato segue acompanhando as mudanças que o Santander está implantando e, caso algum trabalhador queira fazer alguma denúncia das suas condições de trabalho, procure os canais do SindBancários que estaremos cobrando o banco, mantendo em sigilo a identificação do colega”, finalizou o secretário executivo.

COE cobra cumprimento de acordo coletivo

Na reunião, a COE cobrou respeito às cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). “É um desrespeito do Santander com os trabalhadores e o movimento sindical, por não priorizar as negociações e a comunicação também com os clientes, haja vista que a reestruturação já está acontecendo. São muitas mudanças e de alto impacto para as condições de trabalho e para a saúde dos trabalhadores”, afirmou a coordenadora Wanessa Queiroz.

A Comissão apresentou diversos pontos de preocupação com as mudanças de alto impacto para os trabalhadores. A primeira é a falta de treinamento para os GNS. “É o primeiro cargo ingressante do banco, não teve nenhum treinamento para atender pessoas física e jurídica e, sem dúvidas eles ficarão sobrecarregados”.

Quanto aos gerentes Van Gogh e Empresas, o movimento sindical questionou as condições de segurança dos trabalhadores. “Eles andarão a todo momento perto das suas casas. Todo mundo saberá quem eles são e qual o cargo que ocupam. Além disso, eles precisam de condições para fazer o trabalho, como um chip ou celular exclusivo do banco, uma mochila para carregar todo o equipamento necessário e convênio no Uber Corporativo para a realização das visitas aos clientes”, alertou Wanessa. “O objetivo é fazer adequação da rede, melhorar a plataforma digital, mas não houve nenhum investimento para melhorar o espaço de trabalho dos funcionários”, completou.

Outro ponto de incômodo com a mudança é que a agência vai passar a ser classificada pelo faturamento total. “O medidor de qualidade de monitoramento do atendimento e do pós-venda não será mais individualizado, será coletivo”, disse a coordenadora.

Uma nova reunião foi agendada para o dia 22 de fevereiro, quando o banco se comprometeu a responder a todas as reivindicações. No entanto, já sinalizou a disposição de fornecer um chip ou um aparelho celular, uma mochila de transporte adequada, um plano de Uber Corporativo e criar alguns pontos de encontro em diversas localidades, nomeados de hub, para que os gerentes possam trabalhar de lá.

Fonte: Imprensa SindBancários e Contraf-CUT

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