CineDebates provoca reflexão sobre a vida do trabalhador a partir do clássico “Muito Além do Jardim”

Homens de negócios. Megamilionários que têm acesso direto a presidentes. Eles precisam de simplicidade, de ingenuidade para serem o que são? Talvez, não tenhamos respostas à essa pergunta, porque somos trabalhadores e não milionários. Mas tem uma forma de a gente tentar compreender o que se passa num mundo complexo como o nosso, em ambientes de trabalho adoecidos. Na noite da segunda-feira, 14/9, o SindBancários propôs uma reflexão sobre essas e outras questões no Projeto CineDebates, no CineBancários. E quer melhor forma de tentar compreender este mundo em que vivemos do que assistindo o clássico “Muito Além do Jardim”?

Antes de entrar no conteúdo dos debates em que o mediador, o estagiário de psicologia do Sindicato, Matheus Iglesias, propôs aos debatedores, o historiador e conselheiro do SindBanbcários Péricles Lopes Gomide Filho e o economista e bancário Odil Pereira, falemos sobre o filme de 1979. O personagem do ator Peter Sellers, pode ser tomado apenas com um ingênuo, um homem que dedicou sua vida a cuidar do jardim de um milionário que acaba de morrer.

Sem saber aonde ir ou o que fazer, além de cuidar de um único jardim, Chance Gardner, perambula peãs ruas de Washington sem rumo. Chance tem a profissão gravada no sobrenome, não tem família, não tem história. A vida que conhece lhe vem pela TV. À noite, depois de perambular pelos subúrbios da capital estadunidense, Chance para em frente a um hotel. Ao recuar e pisar na rua, é atropelado.

Por certo, não podemos dizer que Chance tem sorte por ser atropelado. No entanto, o acidente redefine o seu destino. O carro que o atropelou era dirigido pelo chofer de Benjamim Rand, um mega empresário que está às portas da morte. Do bancop de trás para ajudar Chance salta a mulher de Rand, Eve.

A humanidade milionária estadunidense colhe nosso herói. Chance é levado para o hospital e, de lá, para a mansão do milionário. Reparem bem, ele volta ao começo. Desde menino, cuidou de um jardim. Desta vez, no entanto, ele se torna o homem que poderá mudar os destinos de uma nação. Ao lado do leito de morte de Benjamin Rand, Chance injeta ânimo à pouca vida que resta ao milionário.

O historiador Péricles Gomide Filho, traçou um perfil histórico para mapear a relação de Chance com o contexto de produção do filme. O ano é 1979. Tempos em que direitos de trabalhadores são retirados e que a capital norte-americana começa a fazer a transição do governo democrata de Jimmy Carter para o neoliberalismo de Ronald Reagan.  E Chance?

“É uma pessoa deslocada do seu tempo. Neste período, nos Estados Unidos, há toda uma repercussão de uma visão complexa de sociedade. Chance tem uma percepção maior de solidariedade. Podemos pensar que um homem simples tem muito a contribuir com sugestões para resolução de problemas que são muito complexos que envolvem política, economia e o mundo do trabalho”, exemplificou Péricles.

Péricles também chamou a atenção para as relações travadas entre o homem simples, um resgate medieval. “O filme mostra as relações de apadrinhamento e nos dá u ma ideia de que isto está morrendo. Chance vive numa casa vitoriana numa cidade muito antiga que é Washington, fundada no século 18. Estava muito vivo, no final da década de 1970, o processo de insurreição racial nos Estados Unidos, e de violência”, ilustrou Péricles.

O bancário Odil Pereira trouxe para a realidade dos trabalhadores bancários a leitura que fez do filme. Odil chamou a atenção para o fato de que Chance tinha a vida alienada. “O objetivo dele era cuidar do jardim. Ele ficava a mercê do velho rico e dono da casa. Ele virou uma máquina e sua vida era a TV. Entrei no banco há 27 anos. Desde jovem, o banco faz a gente fazer cursos, viaja de avião para São Paulo e acha que tudo isso é o que há de melhor no mundo. É comoo Chance na frente da TV. A vida dele era a TV”, explicou.

O debate foi mediado pelo estagiário em psicologia do SindBancários Matheus Iglesias. Para ele, o filme é uma ilustração adequada para se debater formação de identidade dos trabalhadores. Matheus lembrou do Grupo de Ação Solidária (GAS), criado há 13 anos, para tratar da saúde de bancários que estão afastados por adoecimento. “É possível usar toda essa discussão para o contexto do GAS e para a formação da identidade. O Chance traz no sobrenome a sua função (Gardner em inglês é jardineiro). O trabalho acaba tomando a nossa subjetividade. O bancários acaba sendo o banco. A pessoa é o Joaõ do Bradesco, o Pedro do Santander”, exemplificou.

Assista ao filme completo abaixo.

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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