CineDebate nos Bancários aborda o cinema brasileiro de resistência

O debate “Cinema e Culturas de Resistência”, promovido pelo Fórum Social de Resistências que acontece até o sábado, 21/01 em Porto Alegre, lotou a sala do CineBancários na noite da quinta-feira, 19. O evento homenageou o cineasta paulista Andrea Tonacci, considerado um dos principais nomes do chamado “Cinema Marginal”, que faleceu em dezembro de 2016. Os cineastas Sílvio Tendler, Tatá Amaral, Joel Zito Araújo e Eliana Caffe compuseram a mesa, após a exibição dos trailers que integrarão a mostra de filmes desta sexta-feira, 20/01.

Rita Freire, organizadora do evento, aponta a importância do debate e de um cinema que busca resistir a opressão. “Precisamos construir narrativas que não se apoiem em um discurso orientador, mas que auxiliem na construção de um pensamento crítico do público”, defendeu. Durante a conversa, assuntos como a desigualdade racial, o machismo, e a conjuntura política atual do Brasil e do Mundo foram pautados pelo público.

O poder do cinema

Foto: Caco Argemi/SindBancários
Foto: Caco Argemi/SindBancários

O Cinema tem um poder enorme de perpetuar as narrativas e perpetuar os valores” comenta Tatá, ressaltando que essa função não é exclusiva do Cinema de Resistência, já que diariamente somos massacrados ideologicamente sem nem perceber. Um dos exemplos mais claros, conforme ela, é “a sexualização da mulher como entretenimento”.

Desigualdade racial

A desigualdade racial se mostra ainda mais profunda no setor cultural e audiovisual, afirmou o diretor mineiro Joel Zito. Durante o Brasil Colônia, lembrou ele, o desejo nacional das elites de branquear o país espelhou-se em uma ideia estética e isto terminou por se refletir nas artes. “No cinema, os negros representam a subalternidade e a inferioridade”, aponta Joel. Alguns dados apresentados confirmam a profundidade da desigualdade racial existente no setor: “Dentre os 218 filmes de melhor bilheteria, não há nenhuma mulher negra na direção ou no roteiro”, assinalou Zito.

Reconstruir o Brasil

O carioca Sílvio Tendler relembrou sua infância e seu primeiro contato com movimentos de resistências, ainda no Golpe de 64. Para ele, fazer da arte um movimento de paixão é fundamental para mudar a vida: “É contando histórias de resistências que a gente reconstrói o Brasil”, disse. Já Eliane Caffé, cineasta pauli9ta, abordou as facilidades proporcionadas pela tecnologia atual, tanto na questão de busca de informação como na produção de cultura: ”Existe hoje uma produção de conhecimento muito maior gerada por esses avanços tecnológicos, e isto precisar ser aproveitado”, concluiu.

A programação segue durante a sexta-feira com uma Mostra de Cinema de Resistências na sala do CineBancários.

Confira os horários:

11h – Serra da Desordem, de Andrea Tonacci ,

13h – Raça, de Joel Zito Araújo

15h – Privatizações – Distopias do Capital, de Silvio Tendler

16h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Café

18h – Trago Comigo, de Tata Amaral

Texto de Karoline Leandro Santos e fotos de Caco Argemi

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