“Chegada de chuvas e frio pode agravar pandemia no RS”, alerta infectologista

Alexandre Vargas Schwarzbold, presidente da SRGI e professor na disciplina de Doenças Infecciosas na UFSM, alerta para dois fatores de risco no estado

Além da preocupação geral com os efeitos devastadores do coronavírus no Brasil e no mundo inteiro, o médico Alexandre Vargas Schwarzbold, presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI) e professor na disciplina de Doenças Infecciosas na UFSM, alerta para dois fatores de risco mais recentes. Um, geral, é a tentativa de empresários, banqueiros e governos (municipais, estaduais e federal) relaxarem as medidas de isolamento. Outro motivo de atenção é a chegada ao RS de frentes frias, chuvas fortes e umidade, ainda neste outono e no inverno que começa no mês de junho.

A pandemia no RS

Até o final da semana (02/05), a Secretaria Estadual da Saúde registrava, em todo o RS, 1.619 pacientes com a doença, havendo 62 mortes confirmadas; 921 doentes recuperados e 636 em recuperação. Apenas em Porto Alegre, maior cidade do estado, foram assinalados 455 casos de Covid-19, incluindo 15 óbitos.

A chegada do inverno, com frio e maior umidade no Sul do Brasil, pode agravar a pandemia aqui no RS?

Dr. Alexandre – Sem dúvidas. A chegada do inverno traz, todos os anos, outros vírus e patógenos respiratórios. Isso faria com que houvesse uma sobrecarga de assistência em saúde e prejudicaria ainda mais o diagnóstico clínico e laboratorial que procura distinguir os agentes e escolher a melhor conduta terapêutica. Por isso que “flexibilizar” o isolamento social antes do inverno pode empurrar a curva para o inverno, e assim agravar o controle atual da epidemia.

Como o nosso estado vem realizando o enfrentamento da Covid-19? Que estados estão reagindo de modo mais efetivo?

Dr. Alexandre – Alguns indicadores de saúde – como o número de casos, ocupação de leitos, taxa de letalidade e mortalidade – podem sugerir que o RS até agora está entre os estados com controle adequado, graças a adesão ao isolamento social. Algo que pode ser perdido nas próximas duas ou três semanas, se houver relaxamento do isolamento. O estado de São Paulo, não obstante ter sido o epicentro do país e o mais populoso, até então parece ter conseguido dar conta do achatamento da curva. De todo modo, há uma heterogeneidade nas orientações estaduais e uma confusão com viés político em muitas situações.

É possível projetar até quando o isolamento social e outras medidas precisam ser mantidas? Por dias, meses, até o final do ano?

Dr. Alexandre – Provavelmente até o fim do inverno. Mas essa definição deve ser baseada em parâmetros objetivos e baseado na curva epidêmica. Por exemplo, se percebermos que em uma região onde houve muita transmissão comunitária de casos, normalmente acima de 100 casos, e avaliarmos que o número de novos casos/dia é abaixo de 10-20% do numero de novos casos/dia do pico da epidemia, aí sim poderemos ter um relaxamento.

E naquelas regiões ou locais com poucos ou nenhum caso de coronavírus registrados?

Dr. Alexandre – Não basta a falsa impressão de que em uma região ainda não temos ou que tenhamos muito poucos casos. Como não há fechamento de fronteiras – e com o movimento humano e comercial inevitável – há uma tendência de disseminação de casos para áreas ainda não acometidas. O fenômeno foi bem descrito na China. A literatura sugere inclusive que teremos que ter isolamentos intermitentes até 2022 – exceto se até lá tivermos uma vacina eficaz. Ou se mais de 70% das pessoas estiveram seguramente imunes por contato.

 

Fonte: Imprensa SindBancários. Foto: Assessoria Divulgação/Paula Sá

 

 

 

 

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