Canal de acolhimento a mulheres bancárias vítimas de violência passa a funcionar a partir de hoje (1)

SindBancários implementa Projeto Basta!; iniciativa em parceria com Contraf/CUT foi lançada em live na noite de quinta (31)

A partir desta sexta-feira, 1 de abril, o SindBancários passa a oferecer o serviço de atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar através do Projeto Basta! Não Irão Nos Calar!, iniciativa da Contraf/CUT em parceria com sindicatos e federações. Para marcar o início, coordenadoras e diretoras do SindBancários falaram em live na noite de quinta-feira (31) sobre o processo de desenvolvimento do projeto, que vai atender bancárias da base de Porto Alegre e região.

Para a diretora de Gênero e Juventude do SindBancários, Bia Garbelini, “a sensação de colocar esse projeto na rua é de dever cumprido, mas é só o começo, o trabalho de ser mais um pilar no combate à violência começa agora”. Bia esclareceu que o projeto não vem para substituir o papel do Estado: “o projeto Basta! passa a ser mais um viés de cobrança para que essa rede de apoio à mulher, tão sucateada nos últimos governos de direita no Rio Grande do Sul, volte a atuar; vem como uma forma de viabilizar justiça para essas mulheres e tirá-las dessas situações de violência”.

De acordo com Cristiana Garbinatto, também diretora do SindBancários, o serviço parte de uma demanda real observada entre as mulheres da categoria bancária. “Iniciamos o projeto a partir de uma percepção de que tínhamos, infelizmente, muitas colegas em situação de violência doméstica, em situação de risco, que precisavam de um olhar mais apurado, de acolhimento, um olhar feminino e feminista”, contou.

O Projeto Basta! começou a ser criado e implantado em São Paulo, pela Contraf, sendo posteriormente ampliado a nível nacional, chegando em vários sindicatos e federações. “O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no contexto da violência doméstica. E temos a terceira melhor lei, que é a Lei Maria da Penha, de 2006. Tem algo que não cabe aí, não é? E é por isso que estamos aqui: a conta não fecha, as mulheres não conseguem acessar a Justiça. Por dois motivos importantes: porque temos uma cultura machista e patriarcal e pela falta de políticas públicas – o governo atual reduziu em um terço o orçamento de políticas para as mulheres, que já era baixo”, afirmou a coordenadora nacional do Projeto Basta!, Phamela Godoy.

Segundo Phamela, com a procura de bancárias por auxílio em outros atendimentos jurídicos, por exemplo, em divórcios, dirigentes percebiam que em muitos casos havia situações de violência doméstica motivando o divórcio. “É preciso entender a situação de violência que a mulher está e como isso vai impactar na vida dela; é preciso ter um olhar não só para a perspectiva de gênero, mas também entender esse fenômeno da violência doméstica e familiar. Com estes movimentos da base, começamos a dialogar sobre qual o papel dos sindicatos no combate a esse tipo de violência”, contou a coordenadora.

Juvandia Moreira, da Contraf/CUT, endossou a fala de Phamela sobre o cenário nacional. Conforme ela, são muitos os retrocessos dos últimos anos, “em especial com a ascensão do Bolsonaro, que diz que as mulheres podem ganhar menos mesmo porque engravidam, que fala que ter uma filha mulher é uma fraquejada”. Juvandia observou que o preconceito contra as mulheres passa a ser algo naturalizado quando a maior autoridade do país se refere a elas desta maneira. “É frente a essa naturalização da misoginia que nós temos que lutar. O sindicato é um instrumento de luta das trabalhadoras e esse instrumento está sendo usado hoje por um grande motivo, que é preservar, acolher e orientar as mulheres vítimas de violência”, concluiu a dirigente.

Participaram também da live as advogadas Scheila Nery e Julise Lemonje, que atenderão as mulheres no Sindicato. O canal de atendimento já está disponível. Trabalhadoras bancárias que estejam precisando de apoio, orientação ou acolhimento podem entrar em contato pelo telefone (51) 974010902.

Confira a live na íntegra:

 

Texto: Amanda Zulke

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