Caminhada pelo centro de Porto Alegre mobiliza categoria para campanha salarial dos bancários

Ato promovido pelo SindBancários e Fetrafi-RS contou com ampla adesão de trabalhadores de Porto Alegre e do interior

Bancários e bancárias caminharam pelas principais ruas do Centro Histórico nesta sexta-feira(5), durante ato da categoria, que está em campanha salarial e reivindica aumento real de 5%, reposição da inflação (IPCA) e maior valorização nos vales-alimentação e refeição, devido ao alto custo dos alimentos nos supermercados e restaurantes.

Centenas de trabalhadores (as) participaram da atividade, que marcou o começo, nesta semana, das negociações das cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Logo no início da manhã, trabalhadores da base, dirigentes sindicais e até parlamentares participaram da concentração na Praça da Alfândega, em frente ao prédio da Direção Geral do Banrisul. As ameças de privatização do banco, feitas logo no início do ano pelo ex-governador e candidato à reeleição Eduardo Leite (PSDB) não escaparam das críticas da categoria.

“O Cláudio Coutinho Mendes pode até tentar, mas não vai levar essa. Ele vai voltar para a cidade dele sem conseguir cumprir sua missão, que é vender o Banrisul. Este banco é dos gaúchos e das gaúchas”, enfatizou o diretor do SindBanários, Jailson Prodes, em alto e bom som, para que todos os funcionários da direção gera pudessem ouvir.

Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto

O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, do Banrisul, saudou os participantes e destacou que um dos objetivos da caminhada é ‘unir a categoria para ganhar força na negociação’ da pauta econômica com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), cuja largada se deu nesta semana. “Queremos alertar a população sobre os lucros exorbitantes dos banqueiros, que é o resultado do trabalho dos bancários, sim, mas também das taxas abusivas cobradas dos clientes e da população”, sustentou.

Ex-presidente da entidade e atual vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, destacou os efeitos nefastos da crise econômica aguda pela qual passa o Brasil e que tem sua origem na política de Bolsonaro e seu “Chicago Boy”, ministro da Economia, Paulo Guedes.

Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto

“O sistema financeiro continua lucrando altos índices, enquanto a população amarga parcelar o rancho do mês em até três vezes nos supermercados. Isto é o retrato do caos que tomou conta do Brasil depois de 2016”, pontuou.

Enquanto a categoria se alimentava, com o tradicional salchipão, o diretor de comunicação da Fetrafi-RS e um dos representantes gaúchos no Comando Nacional dos Bancários, Juberlei Bacelo, aproveitou o momento para enfatizar a importância da mobilização em um período marcado não apenas pelo lucro recorde das instituições bancárias, mais de R$ 107 bilhões no último ano, e também pelo desemprego massivo e pelo arrocho salarial da grande maioria dos trabalhadores brasileiros.

“Neste período de pandemia e reclusão de mais de dois anos tivemos de aprender a utilizar novas ferramentas para continuar a nossa luta. Foi assim na nossa campanha salarial de 2020, quando aprendermos a fazer militância pelas redes sociais”, lembrou Bacelo, “Agora que voltamos às ruas, não podemos deixar de lado tudo o que aprendemos ao longo dos últimos dois anos. Vamos fazer nosso combate por todos os meios que estiverem ao nosso alcance”, destacou,

Juberlei destacou que o mês de agosto é decisivo, pois “as negociações com a Fenaban e com os banqueiros vêm acontecendo desde o mês de julho e nenhuma proposta concreta foi feita pela Federação de Bancos”. “É muito papo e nenhuma proposta para o conjunto dos bancários. Nós estamos na luta porque queremos recompor nossos salários, queremos aumento real e o fim das metas abusivas que vem adoecendo parcela importante da nossa categoria”, enfatizou.

Bancos não se responsabilizam por adoecimento bancário.

 Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto

Impressionado com a hipocrisia das instituições bancárias, Juberlei revelou que os bancos não querem se responsabilizar pela saúde mental da categoria, uma vez que consideram o adoecimento mental dos trabalhadores um problema mundial e que não diz respeito ao modus operandi das instituições financeiras.

“Queremos discutir o fim das metas abusivas e do assédio moral em cima da categoria, pois é isto que vem provocando o adoecimento mental dos nossos colegas”, concluiu.

Concursos para reposição de efetivo nos bancos públicos

 Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto

Em seguida, os participantes saíram em caminhada pela rua Caldas Junior, chamando a atenção de motoristas e pedestres que passavam pela esquina com a 7 de setembro. A passeata se deslocou até a rua Uruguai, em frente ao Banco do Brasil, para terminar na Praça Montevideo, em frente ao paço municipal. Foi quando dirigente sindical do BB e também diretora da Fetrafi_RS, Cris Garbinatto tomou a palavra e de cima do carro de som, salientou:

“É emblemático que a nossa caminhada termine em frente a uma agência do Banco do Brasil, uma instituição de todos os brasileiros e que nós pressionamos para que tenha sua função pública respeitada. É um banco que precisa desenvolver este país, é inadmissível que tenhamos três importantes bancos públicos e eles não sejam utilizados para o fomento do povo do RS, no caso do Banrisul, e do restante do Brasil, no caso da Caixa e do BB”, avaliou Garbinatto. A dirigente pontuou que “é impossível termos bancos públicos operando com profissionais adoecidos sem a reposição do contingente e sem a realização de concurso”.

Além dos bancários de Porto Alegre, participaram trabalhadores de Santa Rosa, Rosário do Sul, Santo Ângelo, Alegrete, Santa Maria, Ijuí, São Luiz Gonzaga, Passo Fundo, Bagé, São Leopoldo, Vacaria, Camaquã, Rio Grande, Vale do Paranhana, Rio Pardo, Camaquã, e Litoral Norte também participaram do ato e da caminhada. As próximas tratativas com os bancos devem acontecer na segunda-feira 08/08.

 Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto
 Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto

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