Caixa: cresce o abaixo-assinado por novas contratações no banco

Documento reivindica recomposição do quadro de empregados do banco público, que tem caído anualmente e levado sobrecarga aos servidores

Em poucas horas, o abaixo-assinado lançado conjuntamente pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) para pedir mais contratações para a Caixa já possui cerca de 700 assinaturas.

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O documento foi lançado durante a live que debateu, nesta quarta-feira, 25, o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) do banco público e as cobranças abusivas feitas aos servidores. Foi elaborado diante da constatação de que a Caixa perdeu mais de 17 mil empregados nos últimos cinco anos e a avaliação de que o peso de trabalho tende a ficar maior com o PDV, que pode retirar mais de dois mil trabalhadores da estatal.

Empregados: queda de mais de 20%

A preocupação com o déficit funcional da Caixa Econômica não é de hoje e tem sobrecarregado há anos os servidores, além de prejudicar o atendimento. Conforme balanços divulgados pela Fenae e pela Contraf-CUT, a Caixa passou de 101.484 trabalhadores em janeiro de 2015 para 84.320 em junho de 2020. Uma queda de mais de 20%.

Na avaliação do presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, a Caixa não contrata mais trabalhadores, o que faz com que o peso fique ainda maior. “A meta da direção do banco deveria ser preservar a vida dos empregados e da população”, ressaltou ele, ao lembrar que o objetivo deste documento, é reivindicar a recomposição desse quadro de empregados, que tem caído anualmente.

Dias estressantes

É público entre os servidores – e já foi denunciado em várias lives realizadas pela Fenae nos últimos meses –  a situação dos empregados, hoje, que têm passado por condições estressantes de trabalho, precariedade nas unidades em que atuam e sido submetidos à pressão constante para obtenção de resultados através de metas abusivas. “Recentemente, o banco aumentou as metas mais uma vez, chegando a triplicar para alguns empregados”, contou Takemoto.

Pandemia

Como a Caixa ficou responsável pelo pagamento do auxílio-emergencial e liberação de recursos para pessoas que perderam o emprego neste período de pandemia, os servidores passaram a ter mais atividades, pois mais de 100 milhões de pessoas passaram a procurar o banco mensalmente. Dentre estas pessoas, estão beneficiários do Auxílio Emergencial, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Precarização

A empregada da Caixa e diretora do SindBancários, Virgínia Faria, destaca um paradoxo que clientes, beneficiários e empregados do banco estão vivendo hoje, em plena pandemia do coronavírus. “No mesmo período em  que a Caixa passa a ser ainda mais necessária, segue o desemprego e o desmonte do banco, como se uma coisa não afetasse a outra”, diz a sindicalista.

O resultado, aponta Virgínia, é a tendência de precarização do atendimento.  “Hoje com a pandemia e a implementação do home office, esse problema se tornou mais grave ainda, pois com muitos colegas trabalhando em casa, sobram menos bancários atendendo nas agências, que são a linha de frente do atendimento. O público da Caixa é diferenciado e muito maior do que o dos bancos privados, pois o foco do nosso banco são as políticas sociais. Fizemos uma campanha para que a Caixa chamasse os empregados que passaram no concurso de 2014, porém o concurso venceu e somente os PCDs foram nomeados”, critica a diretora do SindBancários.

Já a também diretora do SindBancários e membro da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE), Rachel de Araújo Weber,  lembra que “já passou da hora de estancar esta onda de dispensa de funcionários, sem respeitar as necessidades da população, que depende do banco”, diz ela. “Enquanto o avanço da pandemia aumenta a demanda pelo auxílio emergencial,  há cada vez menos bancários na Caixa para atender”, exemplificou.

Metas abusivas

“Os colegas estão adoecendo com as jornadas estafantes de atendimento e reforçada por metas abusivas. Contratar mais significa dar melhores condições a todos os trabalhadores e claro melhor atendimento para a população”, complementa a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt. De acordo com ela, a contratação de mais servidores precisa ser imediata, uma vez que a falta de trabalhadores tem afetado não apenas os empregados, como a população.

Também o diretor presidente da Apcef/SP e membro da CEE/Caixa, Leonardo Quadros, reclamou da situação. “A sobrecarga de trabalho à qual os empregados estão submetidos expõe de maneira clara a necessidade de mais contratações. A direção da Caixa não pode se omitir, e deve agir imediatamente para sanar o problema, agravado pela decisão da direção do banco de anunciar mais um PDV. É necessário contratar, já”, alertou ele.

Conforme dados da Caixa, enquanto o déficit de empregados cresce, as contas e atendimento do banco público também aumentam. Para se ter ideia, entre 2014 e 2020, as contas de clientes Pessoa Física e Pessoa Jurídica saltaram de 70,3 milhões para 128 milhões, um aumento de 82,11%. Além disso, o indicador de quantidade de contas por empregado mais que dobrou, aumentando de 693 para 1.519.

 

Confira abaixo o número de empregados da Caixa ao longo dos anos:

2010 – 83,2 mil
2011 – 85,6 mil
2012 – 92,9 mil
2013 – 98,2 mil
2014 – 101,5 mil
2015 – 97,5 mil
2016 – 95 mil
2017 – 87.654
2018 – 84.952
2019 – 84.066
2020* (dados do 2 tri 2020) – 84.320

Fontes: Fenae, com Edição e reportagem de Imprensa SindBancários.

 

 

 

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