Caixa comemora 159 anos em clima de resistência

Empregados, sindicalistas e população festaram aniversário do banco público e defenderam sua atuação pública

O que seria apenas outra data festiva, para comemorar os 159 anos de existência da Caixa Econômica Federal, em 13 de janeiro de 2020, transformou-se, em função das medidas privatizantes do governo Bolsonaro, em um dia de luta e debate nas capitais e principais cidades de todo o país.

Conscientes da importância da data como um marco de defesa do banco público, dezenas de sindicalistas, empregados do banco e populares estiveram reunidos em frente ao Edifício-Sede da Caixa, no Centro Histórico de Porto Alegre, ao meio-dia desta segunda-feira, 13/01. A Caixa foi fundada em 12 de janeiro de 1861.

Habitação popular

“A Caixa é responsável pelas principais linhas de financiamento da habitação popular, saneamento e outras políticas públicas”, lembrou o diretor do SindBancários e empregado da CEF, Jaílson Prodes. “Hoje, a maioria dos municípios brasileiros dependem, para existir e tocar seus projetos, dos recursos sociais geridos pela Caixa, pelo Banco do Brasil e – no caso do RS – pelo Banrisul e outros bancos públicos”, frisou Jaílson.

Também diretora do Sindicato e funcionária da Caixa, Caroline Heidner foi didática, para ampliar a compreensão dos passantes que se acomodaram próximos da entrada da agência bancária, para ver a manifestação, escutar a dupla musical Lili Fernandes-Dudu Castilho e, ao final, degustar um bolo de aniversário acompanhado de refrigerante. Caroline destacou pontos importantes do processo de desmonte dos bancos e empresas públicas do Brasil atual.

Juros de agiotagem

“Hoje, os bancos cobram juros de agiotagem, mas a Caixa consegue puxar para baixo esta política de exploração da população – e somente os bancos públicos podem investir em ações sociais, pois não têm o lucro como seu objetivo maior”, explicou a bancária. “Os bancos públicos oferecem todos os serviços que os privados têm, só que ainda mantém políticas públicas, em que os outros não querem investir”, desenhou ela.

Segundo a bancária, os bancos privados mostram duas características principais de atuação – cobram juros altos e atuam em projetos com prazo curto. Já os investimentos de infraestrutura, pesquisa e demais que necessitam de períodos maiores não interessa aos bancos privados.

Nas manifestações na praça, foi lembrado que a Caixa voltou a investir em política habitacional. “Isso é uma meia verdade”, disse Caroline. “Agora este investimento visa apenas à classe méia, o que é bom, mas as faixas de menor renda ficaram de fora”, concluiu.

Comida na mesa

Bia Garbelini, também do Sindicato, trouxe à manifestação a solidariedade dos colegas do Banco do Brasil. “A gente está junto nesta luta e também não aceitamos a privatização dos bancos estatais. São estes bancos e as empresas públicas que conseguem colocar comida na mesa dos brasileiros e brasileiras”, finalizou.

O diretor de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, indagou: “Quem, em sã consciência, jogaria no lixo um patrimônio como a Caixa, que dá lucro e beneficia a toda a população?”. O próprio sindicalista respondeu: “Este governo e seus interesses iludiram a população da necessidade das reformas da Previdência e Trabalhista, que não geraram nem podem gerar qualquer benefício para o povo. Eles querem que a gente rasgue dinheiro e ache bom”, disse.

Defesa da democracia

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Correa, recordou que a Caixa Federal, pelas características de banco público, ao longo dos anos financia a casa própria, saúde, saneamento, cultura e esporte dos brasileiros. “Entregar este patrimônio de todos à iniciativa privada faz mal ao Brasil. Faço um chamamento para que a Caixa tenha uma vida ainda mais longa, mas precisamos defender também a democracia, que hoje corre risco no Brasil”, pontuou.

Guaracy Padilla Gonçalves, empregado da Caixa, reforçou que o ato em todo o Brasil pelos 159 anos da CEF é mais do que os festejos de aniversário: “Mais do que isso, precisamos deixar claro a resistência dos empregados e da sociedade ao desmanche do banco. Vejo este ato como um momento de reflexão para alimentar a nossa ação”, afirmou.

Bancarização do povo

Funcionária de carreira do Banrisul, a diretora sindical Ana Guimaraens pediu a palavra para focar num ponto importante: “Os bancos privados dependem dos acionistas e de seus interesses. São os bancos públicos que bancarizam o pequeno vendedor, a doméstica, a população de baixa renda. Se os bancos como a Caixa, o BB, o Banrisul e outros forem privatizados, assim como as empresas públicas, a vida vai ficar mais cara para todo mundo, pois não haverá mais subsídio à casa própria, ao saneamento e ao resto”, assinalou.

Consequências do voto

Ao encerrar o ato na Praça da Alfândega, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, reforçou a necessidade da categoria ficar atenta e forte contra o desmonte da Caixa Federal, e a tentativa de dilapidação deste patrimônio do povo brasileiro. “Mas também é fundamental lembrar que o voto tem consequências, e o voto em Bolsonaro na última eleição mostra isso – tudo o que vemos no Brasil hoje foi resultado desta escolha. Mas a Caixa é pública e assim tem que continuar. Fora Bolsonaro!”, clamou.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER