Cadê a prova?

Todo dia fazia tudo sempre igual. Entre outras tarefas, a rotina de abastecer as máquinas de autoatendimento. Mandavam, obedecia. Uma vida honesta, reconhecida pelos colegas e amigos.

No dia 14 de junho de 2011, o bancário, supervisor do Banrisul, sofreu um assalto ao abastecer equipamentos de autoatendimento. No dia do roubo, os assaltantes colocaram uma arma em sua cabeça, mostraram uma foto da família e ameaçaram sua mulher e filhos no caso de qualquer manifestação.

Os culpados fugiram. Ele ficou abalado como qualquer pessoa que sofre um assalto. Mas, mesmo temendo pela segurança e de sua família, reconheceu os bandidos em seu depoimento através das câmeras de vídeo.

Mas o abalo maior, desesperador, aconteceu pela atitude irresponsável de um delegado de polícia com a cumplicidade de um juiz de Primeira Instância. O delegado implicou o colega bancário, e intuiu que estaria envolvido no assalto.

O delegado Juliano Ferreira promoveu um show pirotécnico. Em uma franca demonstração de abuso de poder, mais de 20 policiais foram mobilizados para prender um pai de família, ficha limpa e irretocável. A família o viu ser arrancado por uma tropa de policias, saindo algemado da própria casa.

E para aumentar a tragédia e o abuso das autoridades, o inocente foi para o Presídio Central. Sem nenhuma prova; sem elementos consistentes. É uma arbitrariedade prender um trabalhador sem haver provas contra ele.

Para a polícia é a busca de um culpado a qualquer custo, sem embasamento; o autoritarismo e a midiatização da polícia. Setores policias e do judiciário acham que basta passar em um concurso público, receber uma toga ou um distintivo, para tornarem-se “donos do poder”, podendo desprezar as leis e a sociedade.

Para o ser humano trabalhador o que conta é a sua dignidade, sua vida, sua família, seu trabalho.

O nosso colega – depois de seis anos e meio – foi absolvido. Mas o que ele passou, afetando sua saúde e sua carreira profissional, não tem reparação plena. O delegado, insensível e autoritário, deve continuar bem, talvez promovido, construindo mal-estar.

Chega! Ninguém está livre. Primeiro roubam a flor do colega ao lado. Um dia chegam ao nosso jardim!

Parece que virou moda. Hoje, procuradores, juizecos e delegados se arvoram a paladinos da moralidade, atropelam as leis e a Constituição, somente baseados em meras suspeitas. Perseguem quem não gostam e protegem os seus amigos. Atuam politicamente e subjetivamente.

Pois bem, o delegado em questão tinha convicção e colocou no Presídio Central uma pessoa honesta, inocente. O nosso colega já sentiu na carne o que significa essa postura, o que, aliás, tornou-se corriqueiro nos dias de hoje com perseguição aos pobres e aos trabalhadores.

Ninguém está protegido contra arbitrariedades E se a sociedade não reagir, o próximo pode ser qualquer trabalhador honesto, desde que incomode aos paladinos da defesa dos interesses das elites. A forma como está sendo conduzida a Operação Lava-Jato não é uma coincidência.

Não precisam de provas, bastam convicções.

Texto: Mauro Salles – Diretor de Comunicação do SindBancários

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