BRDE tenta encerrar negociação com acordo ruim

Diretoria apresentou minuta de proposta de ACT do Teletrabalho na noite de sexta-feira, 17/9, evidenciando desinteresse em fechar negociação e colocando pegadinha

Após deixar vencer o prazo previsto no ACT para o início da negociação do teletrabalho e após enrolar sem formalizar proposta por várias reuniões, na noite de sexta-feira, o BRDE tentou uma manobra para encerrar o processo negocial. Somente às 20h22 do dia 17/9, os diretores do Sindicato receberam, por e-mail, a minuta com a proposta do banco, mas com duas pegadinhas.

O BRDE colocou por escrito a proposta rebaixada que o Sindicato já havia recusado na mesa de negociação – e que, portanto, nem será levada para apreciação em assembleia – e ainda informou que a tal minuta seria submetida nesta terça-feira, 21/9, à aprovação da Diretoria.

Em resposta, os sindicatos de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba enviaram, na terça-feira, 21/9, uma carta conjunta ao BRDE solicitando a continuidade das negociações sobre o ACT de teletrabalho.

Além de trazer em retrospectiva o que vem ocorrendo nas sucessivas rodadas de negociação, os sindicatos evidenciaram os graves problemas de método do banco, que não se limitam ao rebaixado valor da proposta para a ajuda de custo, mas passam por extensas alterações de cláusulas que jamais foram debatidas em mesa de negociação e pela tentativa de impor uma minuta através da aprovação da Diretoria do banco.

No documento, os sindicatos afirmam: “Há duas formas de uma negociação terminar – ou pelo consenso entre as partes sobre a totalidade do objeto negociado, ou pelo rompimento unilateral do processo. De nossa parte, conforme já formalizamos aos senhores em episódios anteriores, o movimento sindical bancário valoriza e prioriza o processo negocial, e aqui reiteramos tal premissa afirmando que seguimos em processo negocial com o BRDE, na certeza de que temos condições de superar todas as divergências.”

Além disso, a insistência do banco em fazer o retorno antecipado do teletrabalho emergencial Covid-19 corrobora na leitura de que o banco manobra para conturbar a negociação. Embora sejam questões diferentes e independentes, o banco vem jogando com a angústia dos funcionários – mais do que justificada, afinal a pandemia não acabou – e na confusão.

Nos bastidores, especialmente na famigerada “rádio corredor”, o banco faz parecer que a permanência do conjunto dos funcionários no teletrabalho depende da assinatura do acordo, o que não é verdade!

A permanência do teletrabalho emergencial Covid depende apenas do BRDE demonstrar bom senso e respeito à negociação nacional sobre o tema. Ou seja, aceitar um acordo de teletrabalho ruim, rebaixado em relação aos acordos que têm sido fechados na categoria não garante a continuidade da modalidade atual, a emergencial.

Os sindicatos, reiteradas vezes, vêm solicitando que a diretoria suspenda o plano de retorno antecipado, mas o banco ignora os apelos. Enquanto isso, cresce a confusão entre os funcionários, misturando os dois temas como se fossem um só. Estaria o BRDE tentando implodir a negociação do acordo?

Os sindicatos encerram a carta ao banco insistindo no diálogo e solicitando nova reunião: “Acreditamos que, apesar do método inusitado, não seja intenção do BRDE romper unilateralmente o processo negocial em curso, de forma que solicitamos nova rodada de negociação para o dia 28 de setembro de 2021.”

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