Brasil já tem mais de 130 mil crianças que ficaram órfãs durante pandemia

Destas, 88 mil perderam o pai, 26 mil a mãe e cerca de 17 mil perderam os avós que eram responsáveis por sua criação, segundo revista científica Lancetf

Com as mortes dos pais em decorrência da Covid-19, entre março do ano passado e o final de abril deste ano,  130.363 crianças e jovens brasileiros de até 17 anos ficaram órfãos – de acordo com estudo da revista científica britânica Lancet, publicado esta semana. Cerca de 17 mil perderam os avós, que eram responsáveis por sua criação, estima a pesquisa, que ressalta a situação das crianças e jovens, que podem ser criados por parentes, irmãos mais velhos ou serem colocados em instituições para serem adotados.
Bolsonaro se exime

O governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) não tem nenhuma proposta para socorrer essas crianças e jovens. No Congresso Nacional, estão tramitando três projetos de lei que propõem auxílios nacionais. Um propõe pensão de R$ 1.100 até os 18 anos, outro um fundo financeiro de amparo e o último um cadastro para que os órfãos tenham prioridade em programas sociais.

Nordeste: governadores aprovam auxílio

Os governadores do Nordeste saíram na frente e aprovaram nesta segunda-feira (19) o Nordeste Acolhe, programa de auxílio social para os órfãos da Covid-19, que prevê o pagamento de R$ 500 para as crianças e adolescentes.

Segundo o presidente do Consórcio Nordeste, Wellington Dias (PT), cada estado deve encaminhar o programa para as assembleias legislativas. Ele ressaltou que os governos devem lançar a proposta nos próximos dias.

Mais dados da pesquisa

O estudo da revista Lancet também mostra que, no mundo, as crianças que perderam o pai são pelo menos o dobro das que perderam a mãe. No caso do Brasil, foi mais que o triplo: 88 mil ficaram órfãos de pai, contra 26 mil que perderam a mãe.

Até 23% das crianças nos 21 países analisados são criadas por pais solteiros, cuja morte pode ter consequências extremas para as crianças.

O lado oculto

Os dados da pesquisa foram reproduzidos pela Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, os autores da estimativa chamam a tragédia de “pandemia oculta” e dizem que: “Essas crianças não identificadas são a consequência trágica esquecida dos milhões de mortos na pandemia.”

Os cientistas calcularam mais de 862 mil crianças órfãs em 21 países, nos quais ocorreram cerca de 77% das mortes globais por Covid-19 até 30 de abril de 2021. Também estimaram que, em termos globais, mais de 1 milhão de menores perderam um dos pais ou seu principal cuidador, principalmente os avós.

De acordo com a reportagem, a pesquisa inclui a família de forma ampla, porque 38% das crianças do mundo vivem na mesma casa que os avós, porcentagem que chega a 50% na Ásia-Pacífico. Mais vulneráveis à Covid-19, são esses idosos que costumam dar apoio prático, financeiro ou emocional para seus netos.

“No Brasil, 70% das crianças recebem esse apoio financeiro; ainda assim, o Brasil ocupa o segundo lugar mundial em mortes por Covid-19, reduzindo as opções de cuidados por parentes”, alerta a pesquisa.

Os cientistas ressalvam que, para os cálculos, presumiram que parentes com 60 anos ou mais que viviam com parentes com menos de 18 anos eram avós e netos, embora o adulto mais velho possa ser um tio ou primo.

O cálculo do número de órfãos foi feito com base em números de fertilidade da ONU e estatísticas nacionais sobre mortes por Covid, o que indica que pode ser ainda maior, segundo os pesquisadores, já que há subnotificação nos registros de óbitos.

Fontes: Revista LancetF e Folha de S. Paulo, com Edição de Imprensa SindBancários. Foto: CUT/Luiz Silveira/Agência CNJ.

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