Bolsonaro determina fechamento da Ceitec, fabricante de chips e semicondutores em Porto Alegre

Em 2018, o então governador gaúcho Sartori tentou extinguir a empresa estatal, o que não aconteceu por intervenção da Justiça

Na última quinta-feira, 03/06, Jair Bolsonaro determinou a extinção do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). A estatal foi fundada em 2008 pelo ex-presidente Lula e sua sede está em Porto Alegre. Vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a Ceitec é conhecida como “estatal do chip boi”, por ter desenvolvido um chip para rastreabilidade bovina – e é a única empresa da América Latina que fabrica completamente chips com silício, cobrindo toda a escala de produção.

A recomendação pela extinção foi formalizada pelo conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sob a alegação de que, apesar de aportes de R$ 800 milhões em duas décadas, a estatal ainda depende de injeções anuais de pelo menos R$ 50 milhões para cobrir a diferença entre receitas e despesas.

Plano de manutenção

Números do próprio PPI projetam, no entanto, que essa diferença deixará de existir até 2028, mesmo no cenário mais pessimista. Sendo que essa trajetória para um balanço positivo pode ser acelerada para metade do tempo estimado, segundo os trabalhadores da Ceitec. Os profissionais chegaram a levar ao governo federal um plano para manter a estatal de tecnologia funcionando, que envolve cortes de custos e perspectivas comerciais já em curso.

Em Porto Alegre, a Ceitec fabrica, além dos chips, etiquetas eletrônicas e sensores, que são utilizados em meios de pagamento eletrônico como cartões ou aparelhos de pagamento rápido em estacionamentos e pedágios.

Sinalizando a extinção

A Ceitec mantém 180 servidores em seus quadros, todos contratados sob regras da CLT. Em medida entendida pelos trabalhadores como sinalização para extinção da empresa, 34 funcionários foram demitidos no mês de abril deste ano.

Como se mostra comum no governo de Jair Bolsonaro, o comando da estatal foi entregue a um militar, Abílio Eustáquio de Andrade Neto, general da reserva do Exército. Na Justiça, os trabalhadores tentam reverter as demissões e o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRF-4), de Porto Alegre, determinou uma nova rodada de negociações para a próxima sexta-feira, 11/06.

Afinal de contas, o novo ataque a Ceitec parece enquadrar-se no processo de desmonte e interrupção da ciência e tecnologia nacionais, incluindo suas estatais, que o desgoverno Bolsonaro vem promovendo. Embora ela conte com uma tecnologia não totalmente de ponta, evoluiu e, com os seus equipamentos atuais, tem capacidade de explorar não só mercados mais tradicionais, mas principalmente mercados como sensores e MEMS, ou ainda mais novos, como de Fotônica, Integração de Dispositivos Passivos (IPD, Integrated Passive Device), encapsulamento avançado (RDL, Redistribution Layer; WLCSP, Wafer Level Chip Scale Packaging; FOWLP, Fan Out Wafer Level Packaging) e soluções SiP (System in Package).

Importante lembrar que o então governador gaúcho José Ivo Sartori, em 2018 assinou decreto de extinção da Cientec, junto com outras empresas estatais do RS, processo que foi sustado através de liminares acolhidas pela Justiça.

Ativo estratégico

E o mais importante, a empresa de ciência e tecnologia desenvolvida no estado mostra-se como um ativo estratégico para o aperfeiçoamento de soluções tecnológicas, em conjunto com outras instituições de ensino e pesquisa do país, tal como é visto em outras nações mais preocupadas com sua soberania em todos os campos possíveis.

Fontes: Sul 21, com Cientec e Rádio Guaíba Notícias e Edição de Imprensa SindBancários. Foto: Divulgação/Cientec.

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