BNDES apresenta propostas de jornada, mas não trata do teletrabalho no pós-pandemia

Direção quer acabar com controle de ponto para executivos e juntar negociações do AJT com o ACT

A direção do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) apresentou duas propostas para o Acordo de Jornada de Trabalho 2021. Entretanto, nenhuma delas trata de uma questão considerada fundamental para o funcionalismo: a regulamentação do teletrabalho no pós-pandemia. A primeira proposta é de acabar com o controle de ponto para executivos de nível universitário (coordenadores, gerentes, chefes e superintendentes); e a segunda é a de juntar as negociações do AJT com a do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Lógica de empresa privada

O advogado Carlos Eduardo Dantas Costa foi contratado pelo diretor jurídico, Saulo Puttini, para representá-lo na negociação, o mesmo que representou a empresa na negociação do último ACT, marcado pela intransigência e impasse por parte da empresa. Chama a atenção dos representantes dos trabalhadores o fato de o advogado ser autor do livro significativamente intitulado “Abuso do Direito Sindical”.

A primeira proposta seria parte do projeto de “normalizar” o BNDES, adequando o banco a lógica de empresas privadas, onde executivos não têm controle de ponto. A segunda proposta tem como objetivo a economia de tempo, evitando duas negociações e concentrando em uma única vez.

Desconhecimento do BNDES

Na avaliação dos representantes dos trabalhadores, mesmo depois de dois anos à frente do Banco, a atual diretoria não dá qualquer sinal de compreensão do funcionamento da instituição ou de que tenha projeto concreto para seu aperfeiçoamento.

Confrontação e impasse

“O único programa da atual direção do BNDES parece ser o da confrontação e do impasse permanentes, da provocação gratuita com os empregados. Informalmente, descobrimos que mesmo os superintendentes desconheciam o conteúdo das propostas apresentadas e eles pareciam tão surpresos quanto nós”, disse o diretor do Sindicato dos Bancários do Rio, Rogério Campanate.

Reforma trabalhista

O AJT foi significativamente alterado nas últimas negociações para se adaptar à reforma trabalhista. Os funcionários, mesmo sacrificando algumas conquistas para poder superar impasses, aceitaram as modificações, para manter a flexibilidade do acordo referente à jornada, que foram consideradas adequadas para a natureza do trabalho técnico e de alto nível desempenhado no BNDES.

“Outra grande preocupação dos trabalhadores em relação à proposta de fim do controle do ponto dos executivos são os passivos trabalhistas que as mudanças poderão acarretar devido à incompatibilidade com o que é previsto na CLT. Este é mais um item que confirma a falta de conhecimento sobre a realidade do banco por parte da atual administração da empresa”, acrescenta Campanate.

Retrocesso

Na avaliação dos representantes dos funcionários, o fim do controle de ponto seria um retrocesso, já que a uniformização do mesmo para todos os empregados foi resultado de negociações e acordos históricos conquistados nas últimas décadas. O BNDES é composto por um corpo relativamente homogêneo de empregados.

Na avaliação do Sindicato e associações dos empregados, “a quebra da isonomia na questão da jornada pode gerar, potencialmente, prejuízos a uma grande parcela de executivos que usam parte de suas horas acumuladas no atual sistema, além de aumentar a distância entre os técnicos e sua liderança”.

“O funcionalismo considera que a proposta fragiliza a defesa da flexibilidade da jornada em negociações futuras. Cerca de 30% dos empregados do BNDES não seriam mais afetados pela regulamentação da jornada e da flexibilidade do controle de horário.

Novos impasses

Sobre a unificação da negociação dos acordos, os representantes dos trabalhadores lembram que “nunca foi mencionado que a separação das negociações fosse um fardo para o setor de RH ou para os empregados”. Destacam ainda que “a condução do último ACT por parte da atual administração do BNDES foi desastrosa” e consideram preocupante a possibilidade de a direção do banco criar novas impasses nas negociações numa empresa que tem tarefas essenciais exigidas pelo país, levando negociações a durarem seis meses para ser resolvida.

Desafios na pandemia

Os representantes dos empregados fizeram um apelo à atual administração do BNDES, ante o momento decisivo na história do país seja por conta do enfrentamento à crise econômica e sanitária provocada pelo novo coronavírus, seja por conta das mudanças nas relações de trabalho decorrentes da experiência do teletrabalho que o isolamento social provocou e de tudo o que a tecnologia de telecomunicações possibilitou.

Ouvir o funcionalismo

Para os trabalhadores, “ambos os desafios exigem do BNDES uma resposta à altura da instituição, por isso, a diretoria deveria apontar caminhos, escutar as demandas e ouvir as experiências do funcionalismo”.

Os funcionários do BNDES se orgulham das relações de trabalho na empresa, que têm um caráter progressista. Na avaliação dos trabalhadores, o banco poderia se tornar um modelo de regulamentação de teletrabalho para outras organizações públicas e privadas, se atendo aos desafios do mundo real e deixando de fomentar problemas que não existem.

Fonte: Sindicato dos Bancários-RJ, co mEdição de Imprensa

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