BC: mudança de diretoria reforça interesses privados

O banco ficará sem tutela de nenhum poder público, ao sabor concentracionista do mercado financeiro

A nova lei do governo Bolsonaro que dá “autonomia” ao Banco Central, como se fosse apenas mais uma instituição financeira privada e não um banco público, ligado aos interesses do povo e do estado brasileiro, já provocou a mudança de diretores. Na última segunda-feira, 19/04, Jair Bolsonaro nomeou Roberto Campos Neto como presidente do BC, e sete diretores para cumprirem mandatos fixos na diretoria da instituição.

A auditora fiscal e coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli , afirma que a mudança representa “um cheque em branco dado para aquelas pessoas de confiança do mercado, como ex-banqueiros que sempre ocupam cargos no Banco Central”. Em debate com o senador petista Lindberg Farias (PT-RJ) ela explicou: “Falamos que é um cheque em branco porque ele dá autonomia técnica e operacional para o Banco Central passar a fazer a gestão da nossa moeda, de títulos públicos, à vontade. O Banco Central ficará desvinculado de todos os Ministérios, sem tutela de nenhum poder, será um supra órgão, uma coisa à parte de toda a organização dos poderes”, detalhou.

Política suicída

Fatorelli lembrou que o Banco Central já vem executando uma política monetária suicida, causando rombos nas contas públicas. “Em dez anos, acumulamos três trilhões de rombos nas contas públicas. E quem paga sempre é a população. A urgência, hoje, deveria ser salvar vidas. Para isso, é preciso interromper a política monetária suicida do Banco Central que só tem beneficiado os bancos”, destacou a especialista.

Conforme a auditora fiscal, o Brasil tem um dos maiores juros do planeta. Somos afetados pela política do Banco Central toda vez que vamos fazer uma compra à prazo, quando necessitamos de um empréstimo ou financiamento. O abuso dos juros no Brasil vem da política do Banco Central. As sobras dos bancos – que deveria retornar para a sociedade em forma de juros baixos, por exemplo – tem retornado aos bancos pelas mãos do BC Central”, explicou.

E vai boiada!

Lindbergh Farias criticou a proposta do ponto de vista da democracia. “Estão passando a boiada toda. É um ataque violento à democracia brasileira. Eles estão querendo dizer que vocês, povo, elegem um presidente da República que deseja fazer mudanças e não vai poder, ter instrumento, não poderá nem indicar o presidente do Banco Central. É um atentado à soberania popular”, afirma o ex-senador.

Os novos diretores

De acordo com os decretos publicados no Diário Oficial da União, Fábio Kanczuk e João Manoel Pinho de Mello cumprirão mandato até 31 de dezembro deste ano. Bruno Serra Fernandes e Paulo Sérgio Neves de Souza terão mandatos até 28 de fevereiro de 2023, Maurício Costa de Moura até 31 de dezembro de 2023 e, por fim, Campos Neto, Carolina de Assis Barros e Otávio Ribeiro Damaso ficarão até 31 de dezembro de 2024. Todos os nomeados poderão ter seus mandatos renovados por apenas uma vez.

Fontes: Banco Central, RGN e Brasil de Fato, com Edição e Redação de Imprensa SindBancários. Foto: Enildo Amaral, site R 7.

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