BB, não vamos aceitar redução da PLR

Instituição financeira que apresentou lucro de R$ 6,7 bilhões no primeiro semestre de 2020 está propondo retirar direitos históricos dos funcionários; na mesa da Fenaban, bancos privados propuseram reduzir valor da PLR, e trabalhadores do BB não aceitarão nenhuma proposta no mesmo sentido

A Campanha Nacional dos Bancários 2020 está entrando no seu segundo mês, e até agora, nas quatro rodadas de negociações específicas do Banco do Brasil, a direção da empresa comandada pelo governo Bolsonaro se limitou a apresentar propostas que retiram direitos à Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), que representa os trabalhadores do banco nas negociações junto ao banco.

Soma-se a isto a proposta apresentada na negociação desta terça-feira ,18/8, ocasião em que os bancos que compõem a mesa da Fenaban propuseram reduzir o valor da PLR em até 48%.

A diretora do SindBancários e empregada do Banco do Brasil, Bianca Garbelini, avisa que não é poissível aceitar perda de direitos num contexto de manutenção da lucratividade dos bancos, mesmo ante a pandemia. “Não vamos aceitar a redução da PLR porque o banco, inclusive, ­­­­­­­­economizou com a pandemia e com o home office”, ponderou.

Para Bianca, o BB e os bancos em geral estão levando vantagem na crise e querem lucrar ainda mais nas costas dos(as) trabalhadores(as). “Estamos vendo que o banco está levando vantagem. Os lucros dos bancos seguem altíssimos. Então, a gente vai sim lutar para que a gente mantenha nossos direitos. Não vamos aceitar redução de direitos. Foi só o que banco propôs até agora”, acrescentou.

A regra da PLR do Banco do Brasil é diferente da dos bancos privados. Os parâmetros que a Fenaban propôs mudar não se encaixam na regra da instituição pública. Por exemplo, a Fenaban propõe reduzir a parcela adicional de 2,2% para 2%. Mas isso só vale para os bancos privados, porque no BB este percentual é de 4%.

Contudo, a regra básica engloba também o Banco do Brasil e afetará diretamente a PLR dos funcionários da empresa. A proposta da Fenaban é reduzir a regra básica da PLR anual para: 72% do salário + Fixo de R$ 1.965,83, com limite individual de R$ 10.545,74 (desde que não ultrapasse 12,8% do lucro líquido do exercício). A proposta foi rejeitada na mesa de negociação pelo Comando Nacional dos Bancários.

A regra básica atual consiste em 90% do salário + Fixo de R$ 2.457,29, com limite individual de R$ 13.182,18, e desde que não ultrapasse 12,8% do lucro líquido do exercício.

“Embora nossa regra seja diferente, o Banco do Brasil intensificou a pressão pelo lucro, aumentando em 40% as metas dos funcionários em home office e nas agências neste momento em que ainda estamos em plena pandemia” enfatiza João Fukunaga, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenador da CEBB.

O Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ R$ 6,7 bilhões apenas no primeiro semestre de 2020.

“É um desrespeito sequer cogitar reduzir a PLR dos trabalhadores em um momento em que o banco apresentou lucro expressivo mesmo em plena pandemia, quando a pressão por metas está aumentando, e as despesas foram reduzidas”, acrescenta o dirigente.

Por conta do home office, no primeiro semestre de 2020 os bancos reduziram em R$ 267 milhões algumas despesas como água, luz e gás e segurança e viagens.

Estudos internos do BB divulgados pelo Valor apontam uma economia de até R$ 180 milhões por ano com a implantação de um home office para 10 mil funcionários de áreas administrativas em jornada parcialmente remota.

“Discutir redução da PLR em meio à pandemia e diante de uma lucratividade tão expressiva representará mais uma mesquinharia que se somará às propostas de retirada de direitos já apresentadas. E não vamos aceitar qualquer proposta neste sentido”, afirma o dirigente.

Fonte: SEEB São Paulo, com edição de Imprensa SindBancários

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