BB muda regras dos afastados na pandemia

Decisão do banco segue orientação do governo de Jair Bolsonaro e fará com que trabalhadores afastados por pandemia tenham férias antecipadas e tenham que compensar banco de horas negativo

As decisões que o Banco do Brasil tem tomado em plena pandemia de novo coronavírus no país não destoam dos absurdos que o seu presidente, Rubem Novaes, tem dito. Ele já disse que quer que as pessoas morram logo para terminar logo a crise, que a vida é finita e que não se arrepende de nada. Pois na terça-feira, 7/4, os funcionários do Banco do Brasil começaram a pagar pelo que a boca do presidente regurgita em bobagens.

As regras para os afastados ou em home office por conta da pandemia de coronavírus (Covid-19) passaram a obedecer as diretrizes do governo Bolsonaro por meio da Medida Provisória 927. Os prejudicados são os(as) bancários(as) pela criação, entre outros absurdos, de um banco de horas negativo com compensação futura.

A medida editada pelo presidente Jair Bolsonaro diz no seu artigo 6º que o empregador pode, de forma compulsória, decidir pela antecipação das férias do trabalhador, com antecedência de, no mínimo, 48 horas, por escrito ou por meio eletrônico, com a indicação do período a ser gozado.

Em outro artigo, o 14º, a MP estabelece a constituição de regime especial de compensação de jornada, por meio de banco de horas, criando um “saldo negativo”, que o trabalhador terá de compensar futuramente, quando as medidas de isolamento social por conta do novo coronavírus acabarem.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, lamentou a aplicação de mais uma MP prejudicial aos trabalhadores. “É triste ver que o papel do Banco do Brasil deixa de ser o de um equipamento público que podia trabalhar para ajudar o país a se recuperar da crise do coronavírus para o de ter um papel secundário. Nesta hora difícil, em que os bancários estão em risco nas agências para prestar um serviço fundamental, a direção deveria agir com equilíbrio e preservar vidas. Mas, não, a ideologia é a da violência e do ataque à imagem do banco público para facilitar a entrega”, salientou Gimenis.

Contato com afastados do grupo de risco

Por conta da medida e orientação do Governo Federal, o Banco do Brasil orientou todos os seus gestores a entrarem em contato com os empregados afastados que fazem parte do grupo de risco, informando o período de férias antecipadas e a possibilidades da utilização de abonos e saldo do banco de horas. A medida atingirá, em especial, os afastados à disposição do banco que não estão realizando funções em home office por especificidades de seu serviço, que só podem ser realizados presencialmente, ou por dificuldades tecnológicas.

Ataque aos trabalhadores

“Ficou clara a tentativa de prejudicar todos os trabalhadores do BB que são autodeclarados no grupo de risco ou por coabitação com pessoas do grupo de risco. Com base nisso, os funcionários do grupo de risco e autodeclarados não devem retornar ao trabalho, porque podem ter sua saúde e até mesmo a vida, em risco, no caso de Covid-19, mas utilizarão, de forma obrigatória, os abonos, saldo de banco de horas, antecipação de férias, ou entrarão em regime de abono de horas negativos, o que é extremamente desrespeitoso”, critica o dirigente sindical da Fetec-Cut/SP Getúlio Maciel, que também é membro da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, indeferiu pedido de medida liminar em mais quatro ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) ajuizadas contra a MP 927/2020 em relação a esse tema, solicitadas por partidos políticos de oposição ao governo – PSB (ADI 6.348), PCdoB, PSol e PT (ADI 6.349), Solidariedade (ADI 6.352) e ainda Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (ADI 6.354), garantindo que os dispositivos da MP 927 estejam dentro dos limites constitucionais.

“Vivemos no Brasil uma situação onde quem manda no Executivo está a serviço das elites patronais, e o presidente do BB vem reproduzindo todos esses desmandos do governo federal; estes não têm nenhum compromisso com os funcionários do BB que lutam diuturnamente em busca de resultados pra empresa com responsabilidade social e bom atendimento”, finaliza Getúlio.

Denuncie ao Sindicato

Colega do Banco do Brasil, se você sofrer pressão para assinar algum documento ou voltar ao trabalho sendo uma pessoa do grupo de risco ou por estar em home office, denuncie ao Sindicato.

Você pode denunciar diretamente clicando nesta linha ou digitando o endereço reduzido  Bit.ly/bancariodenuncie

Sua identidade fica preservada. Sua denúncia é fundamental para que possamos tomar medidas que possam ajuda-lo(a) durante a crise do novo coronavírus.

Fonte: William De Lucca, Spbancarios, com edição do Imprensa SindBancários

 

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