Banrisul: Retomada do diálogo aponta saídas para o teletrabalho

Em mesa de negociação presencial no SindBancários, representantes do banco reuniram-se com trabalhadores para avançar nos critérios do acordo

As negociações sobre a implementação do ACT do Teletrabalho no Banrisul começaram. Nesta quinta-feira (12), dirigentes do SindBancários e da Fetrafi-RS se reuniram com o superintendente de RH, Gaspar Saikoski, e o negociador do Banrisul, Marco Aurélio Oliveira, para tratar sobre diretrizes e critérios do teletrabalho. A mesa de negociação presencial, na sede do sindicato, foi retomada, conforme prevê a cláusula 17 do acordo assinado em janeiro de 2021, após o sindicato levar a demanda ao banco na semana passada.

Cronograma, equipamentos e normas
Os dirigentes sindicais cobraram a definição de um cronograma para implementação do ACT, a urgência na aquisição dos equipamentos necessários para o trabalho remoto e a divulgação de critérios e normas para o funcionamento do teletrabalho. Baseado no que já se acumulou em outros acordos, o Banrisul ficou de retornar com propostas.

Segundo o superintendente de RH do Banrisul, há ajustes necessários para efetivar o trabalho remoto que seguirão sendo feitos e discutidos com o movimento. “A gente discute relação de trabalho desde que me conheço por profissional e sempre temos novas situações e respostas. Inauguramos agora uma nova discussão, que vai durar ainda muito tempo e vai exigir diálogo constante com esse novo modelo”, afirmou.

Uma questão destacada pelo Banrisul foi o teletrabalho integral. Para o banco, falta prever no texto formas de lidar com casos excepcionais em que o teletrabalho integral possa acontecer. Depois de assinado o acordo com o Banrisul, o SindBancários fez negociações de teletrabalho com outras instituições financeiras, nas quais surgiram soluções para a excepcionalidade do teletrabalho integral. Segundo os dirigentes, talvez seja possível que, analisando caso a caso e com anuência do Sindicato, se possa acrescentar no acordo um mecanismo que atenda essa demanda. Os sindicalistas ficaram de aprofundar o tema e voltar para a mesa com uma posição a respeito.

Isonomia entre unidades
O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, citou a importância de que haja isonomia e clareza no processo, além de mencionar a preocupação do movimento sindical com a segurança digital. “Temos o dia 22 de maio como marco temporal desse processo e temos o desafio de que haja definições até essa data, para que os colegas consigam se enxergar inseridos nos planos da empresa daqui para a frente. Os Banrisulenses estão ansiosos por definições. Sabemos que há comissões, estudos, licitação em andamento, mas não vimos nada de palpável até agora”, asseverou Luciano. Para ele, “o Banco precisa investir pesado em tecnologia, equipamentos e pessoal, para garantir a segurança e a longevidade da empresa. Assim como há urgência em se implementar o acordo de teletrabalho, é urgente a renovação do parque tecnológico. E a realização de concurso público é mais urgente ainda!”, completou.

Para o diretor da Fetrafi-RS, Fabio Soares Alves, os colegas precisam ter direitos iguais. “Precisa ficar claro para o colega os porquês de um ter direito ao home-office e outro não. As decisões não podem ficar na mão de cada superintendente ou gerente. Tem que ter regras claras estabelecidas pela empresa, pois em todas as unidades há pelo menos uma função compatível com o teletrabalho”, complementou Fábio.

Saúde física e mental
Garantir boas condições para trabalhadores(as) e não precarizar o trabalho é um dos principais motivos da negociação, junto do tema da saúde mental, que vem alarmando a categoria e representantes, de acordo com Raquel Gil de Oliveira, diretora da Fetrafi-RS. “Temos uma preocupação com a questão da saúde dos bancários e bancárias, especialmente psicológica, porque além do que já está previsto no acordo temos que garantir uma proteção para colegas que estarão distantes. Uma coisa é retornar ao presencial quatro vezes por mês, quando se pode acompanhar melhor caso a caso, outra coisa é quem retorna apenas uma vez ao ano; não vai ser esse exame anual que vai garantir se o(a) colega está em condição de seguir o trabalho remoto”, alertou Raquel.

Os representantes dos Banrisulenses levantaram ainda o tema do teletrabalho no exterior. Como ficam questões como vale-transporte, vale-alimentação, previdência e plano de saúde, por exemplo? A expatriação de alguns(as) trabalhadores(as) também preocupa a representação do banco. Ambas as partes concordam que é uma discussão delicada, complexa, e que precisará ser construída com cuidado.

Sindicato entregou ofício e abaixo-assinado


Na última semana, o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, e o diretor de Comunicação, Gilnei Nunes, entregaram ao diretor Institucional do banco, Wagner Lenhart, e ao Superintendente de RH, Gaspar Saikoski. um ofício onde pediam urgência na retomada da mesa, acompanhado de um abaixo-assinado com mais de 1.500 assinaturas de Banrisulenses que querem a implementação do regime de trabalho remoto.

O Acordo Coletivo de Teletrabalho foi assinado em 29 de janeiro de 2021 e está às portas de entrar de fato em vigor, pois sua implementação ficou vinculada ao fim do estado de emergência nacional. A portaria do governo federal que extingue o decreto de estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), foi assinada em 22 de abril de 2022 e passa a vigorar 30 dias após a publicação no Diário Oficial, em 22 de maio. Para o sindicato, o acordo que temos hoje já reúne todas as condições para ser implementado e só precisa que o banco defina os critérios claros e transparentes.

Próxima reunião já tem data
A próxima mesa de negociações, com a presença do Comando Nacional dos Banrisulenses, ficou marcada para o dia 18 de maio, às 15h. No dia anterior, o comando se reúne para tratar de temas como a campanha salarial, teletrabalho e outras pendências.

Também participaram da reunião nesta quinta (12) os diretores da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, Sergio Hoff, Luiz Carlos dos Santos Barbosa, além do assessor Jurídico do SindBancários, João Rosito.

Texto: Amanda Zulke com edição de Manoela Frade

Imprensa SindBancários 

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