Banrisul já começou a ser fatiado por Eduardo Leite

Eduardo Leite prepara o terreno para a privatização do banco. Na surdina e de modo sorrateiro, como já demonstrou ser da sua índole

Jeferson Fernandes (*)

A lógica que os políticos neoliberais utilizam para privatizar patrimônio público é invariavelmente a mesma. Promovem um desinvestimento pesado, tornando um determinado serviço precário e de má qualidade. Com isso, buscam capturar o apoio da opinião média da sociedade através da justificativa de que sob gestão pública o serviço é ineficiente.

Com o Banrisul, esses procedimentos subterrâneos para futura implosão do maior banco público estadual já estão em curso. De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, Luciano Fetzner, esse é um processo que vem se desenrolando ao longo do governo Leite, com fechamento de agências, não realização de concursos, enxugamento do quadro de funcionários e ausência da diretoria em definições estratégicas.

Como parte desse contexto, o Conselho de Administração do banco aprovou em 14 de julho deste ano a proposta da Diretoria do Banrisul “visando a implementação de uma operação estratégica tendo por objeto o segmento de negócio de meios de pagamento e cartões”.

Para essa operação estratégica, a diretoria do banco foi autorizada a alienar, ou seja, vender ações de emissão do Banrisul Cartões, do jeito que quiser, em uma só vez ou em partes. A justificativa para tal decisão é a de capitalizar o banco, ou seja, atrair investidor privado.

O Banrisul Cartões é subsidiário do grupo Banrisul e atua em dois segmentos de negócios: rede Vero e cartões BanriCard. Conforme Relatório da Administração da instituição, no ano de 2020 o valor transacionado com cartões de débito e crédito atingiu a astronômica cifra de R$ 30,3 bilhões. E o Banrisul Cartões acumulou um lucro líquido (que é a diferença entre a receita total e o custo total) de R$ 244,7 milhões.

Diante desses números, fica evidente que o Banrisul não precisa de parceiros privados, uma vez que é um banco público de sucesso, e que apesar da crise decorrente da pandemia, obteve em 2020 um lucro líquido de R$ 727,5 milhões. Na verdade, são os agiotas dos bancos privados que precisam de instituições como o Banrisul para multiplicar seus ganhos fáceis. E quem paga a conta é o correntista, com aumento abusivo de tarifas e taxas de juros do banco. Isso já vem ocorrendo desde que Yeda Crusius (PSDB) vendeu 49% das ações do banco.

No entanto, o presidente do banco, Claudio Coutinho, executivo formado no mercado financeiro privado, insiste na tese surrada de “trazer investidor para a empresa, para que possa crescer”. Só não ficou muito claro nessa declaração quem realmente poderá crescer com essa parceria.

Para essa finalidade, contratou para a atração de investidores o Banco J. P. Morgan S.A, maior banco com sede nos Estados Unidos e envolvido em um escândalo bilionário de lavagem de dinheiro. De acordo com reportagem veiculado no site Poder 360, “um vazamento de documentos secretos do governo dos EUA revela que o JPMorgan Chase, o HSBC e outros grandes bancos desafiaram as medidas legais contra a lavagem de dinheiro e movimentaram quantias ilícitas espantosas para redes criminosas e personagens sombrios que espalharam o caos e minaram a democracia em todo o mundo”.

Esses são os parceiros idôneos contratados a peso de ouro com dinheiro público para “ajudar” o Banrisul a se “capitalizar e crescer”. O que fica comprovado com essas movimentações que não chegam aos ouvidos de milhões de gaúchos é que Eduardo Leite prepara solidamente o terreno para a privatização do banco. Na surdina e de modo sorrateiro, como já demonstrou ser da sua índole.

(*) Deputado estadual (PT-RS)

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