Banrisul: colegas nas agências enfrentam excesso de demandas e cobranças abusivas

Banco e gestores querem compensar home office, PDV e redução de colegas nas agências apelando para cobrança forçada de resultados, metas abusivas e até ações irregulares

Com um Programa de Demissões Voluntárias (PDV) em pleno andamento, que no total vai  retirar 903 funcionários do Banrisul, ao mesmo tempo em que todo o Brasil enfrenta a pandemia do Coronavirus, a situação dos colegas nas agências do Banco do Estado do Rio Grande do Sul vem se tornando crítica. Há aumento de trabalho e cobranças abusivas dos gestores sobre quem segue na agência. “Eles não levam em conta que hoje grande parte do pessoal está em home office”, diz uma escriturária de uma agência em Porto Alegre.

Estresse e adoecimento

Em desabafo, a colega lembra que a situação atual trouxe de volta um nível de cobrança de metas e resultados no Banrisul que perturba e causa adoecimento aos trabalhadores, especialmente dos que seguem na linha de frente das agências.  “Com o aumento da demanda e menos bancários no atendimento presencial, o trabalho muitas vezes fica difícil de ser concluído dentro do horário – além da cobrança de metas cada vez mais distantes”, afirma. A par disso, diz a banrisulense, “o telefone toca o dia inteiro e o agendamento prévio simplesmente não funciona, pois os clientes vão à agência e temos que atender”.

Horas extras sem registro

E pior: há casos de gestores que sugerem ou “incentivam” os subordinados a trabalharem a mais, sem registro de horas extras. Mas  além do desgaste dos funcionários, a qualidade do trabalho também tende a cair, em função do excesso de demandas sobre os ombros de cada um e cada uma. “O fato é que hoje temos escriturários e até estagiários desempenhando funções de comissionados”, denuncia a colega.

Quando algum erro acontece, os chefes dizem que o funcionário “tinha que ter prestado mais atenção”, “tinha que ter parado”, etc. Ela sabe que são frases genéricas que não ajudam em nada – até mesmo porque existe excesso de trabalho nas agências.

Redução do banco

A verdade é que pandemia e a guinada do sistema bancário para a virtualização está auxiliando o projeto de redução do tamanho do banco estadual e do número de seus trabalhadores. Alia-se a estas condições “um projeto privatista e de redução do papel das empresas públicas, implementado pelo governo Bolsonaro e seguido pelo atual governo estadual, vide em andamento os processos de privatizações da CEEE, SulGás e CRM. Um estudo feito por uma consultoria no governo passado projetava a redução para 7 mil empregados no Banrisul, em todo o estado”, lembra o diretor de Comunicação do Sindbancários, Gilnei Nunes.

Vale recordar que o recente PDV lançado pelo banco registrou em outubro deste ano mais 903 funcionários inscritos para abandonarem a instituição financeira.  Em um recente podcast com Tiago Reis, no quadro Radiografia, a diretoria do Banco ressaltou o fechamento de postos e agências no Estado. Consequentemente, demonstra a determinação de  redução ainda maior dos empregados, descartando a abertura de novos concursos públicos para escriturário no Banrisul, neste governo de Eduardo Leite.

O dirigente lembra que em muitos pequenos municípios do estado, o único banco presente é o Banrisul, para bancarizar a população, oferecer serviços e financiar as atividades locais. “Aos bancos privados não interessa abrir agências em pequenas localidades, pois consideram baixa a lucratividade que podem ter aí”, explica ele.

Ano atípico

A banrisulense e secretária geral do SindBancários, Sílvia Chaves, considera importante destacar: “Este foi um ano atípico, em que os colegas precisaram se reinventar tanto profissionalmente, como em sua vida privada. Hoje, quando chegamos ao último mês do ano, percebe-se que a categoria está em um nível de stress extremamente elevado. Muitos vêm recorrendo a medicação para conseguir aguentar as tarefas do dia a dia, associada a cobranças desumanas por parte de gerentes e superintendentes”.

Sentido contrário

A diretora sindical reforça ainda: “A perspectiva de redução de empregados vai em sentido contrário ao que a categoria precisa. Com a saída dos colegas no PDV, aumenta a demanda para os colegas ainda na ativa, o que gera um adoecimento maior. Nesse ritmo, teremos colegas afastados e consequentemente,  mais demanda interna de trabalho”.

Fonte: Imprensa SindBancários

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