“Banquetaço”: manifestantes oferecem alimentos de origem afro e protestam contra ataque do governo a conselhos de segurança alimentar

Grande ato com almoço foi realizado na Praça da Matriz, com apoio do SindBancários

Xinxim de Galinha, Galinha enfarofada e Canjica – tudo acompanhado de saladas de todos os tipos e de atan, um suco vegetal. Cerca de 500 refeições com este atraente cardápio de origem afro-brasileira foram distribuidas para manifestantes, populares, sindicalistas, parlamentares e passantes que prestigiaram o “Banquetaço”, realizado a partir das 12h desta quarta-feira, 27/02, na Praça da Matriz, Centro Histórico de Porto Alegre. Antecedido de um ato público e manifestações pela revogação da Medida Provisória 870/2019 do governo de Jair Bolsonaro, que extingue os Conselhos de Segurança Alimentar (Consea) em todo o país, o Banquetaço foi preparado com todos os cuidados na cozinha e salão de festas do SindBancários, na Rua General Câmara.

Atos em todo o país

A bancária Isis Marques, da diretoria da Fetrafi-RS, lembrou que manifestações semelhantes aconteceram em todo o Brasil: “Nosso objetivo é mostrar nossa luta e nossas manifestações e especialmente exigir aqui em Porto Alegre o retorno do Consea-RS, ao mesmo tempo que lançamos a campanha ‘Tradição, alimento que não envenena’”, informou Isis.

Já o também diretor da Fetrafi Edison Moura, um dos organizadores do evento em Porto Alegre, não vacilou em apontar: “Extinguir o Conselho de Segurança Alimentar foi um dos primeiros atos baixados por este governo fascista”, afirmou. “Lutar pela volta destes Conselhos é ser contra a comida contaminada por agrotóxicos e por alimentos transgênicos”, apontou.

Moura também destacou que os alimentos utilizados nas cerimônias e rituais afro-brasileiros são preferencialmente orgânicos e que nos centros e casas de religião não há desperdício – tudo é aproveitado ou reciclado. “Há uma tentativa de criminalizar o abate de animais, mas tudo é socializado dentro das comunidades, e os chamados ‘despachos’ na rua não são regra, são exceção”, argumentou. Já o sacerdote na religião afro-brasileira Tata Edson, que supervisionou o preparo da comida distribuída na Praça, informou que todo o almoço foi comandado por dois chefes de cozinha dos povos tradicionais.

Pela volta dos Conseas

Presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), o biólogo Francisco Milanez, participando do ato, disse que é fundamental batalhar pela volta do Consea: “Isso significa lutar por alimentos orgânicos e livres de agrotóxicos. Além disso, neste caso caso brigamos também por um alimento cultural”. Afinal, lembrou ele, os quilombolas produzem arroz e feijão orgânicos, comidas tradicionais que agora estão igualmente sob risco de extinção.

 

Enquanto muitos políticos alinhados na oposição às medidas antipopulares de Jair Bolsonaro faziam suas falas entre o Palácio Piratini e a Assembleia Legislativa do Estado, jovens indígenas, vendendo seus artesanatos ou posicionando-se nas proximidades, marcavam presença junto a adultos e crianças vestidas com trajes afro.

Bolsonaro: apoio ao abuso de defensivos

Todos e todas traziam a vista de quem passava pelo local um pouco da cultura e da diversidade brasileira, que de um jeito ou outro termina tendo sua cidadania reduzida e discriminada por várias medidas como a extinção do Consea. “Isto só fortalece os grandes produtores rurais, com uso abusivo de defensivos, enquanto despreza os saberes e as antigas práticas culturais, enfraquecendo economicamente os agricultores familiares, quilombolas, indígenas e outros grupos hoje mais frgailizados pelo governo de Bolsonaro”, concluia Franciso Milanez.

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