Bancos descumprem lockdown e colocam lucro à frente da vida

Mesmo em momento de elevadas mortes por Covid-19 no Rio Grande do Sul, instituições financeiras contornam decretos municipais para manter bancários trabalhando

Infecções e mortes por Covid-19 em alta, fila em frente aos cartórios para registrar mortes, emergências de hospitais fechadas e até falta de carros do IML para buscar falecidos…A situação crítica da pandemia no Estado fez alguns municípios decretarem lockdown por quatro dias, de forma que serviços bancários foram suspensos nesta segunda, 15/3, em algumas cidades. Mas não foi o que o SindBancários verificou: muitos bancos mostram, na prática, que o lucro vale muito mais que a vida.

Um dos exemplos mais gritantes foi o do Santander, em Guaíba. A agência até estava com as portas fechadas, mas os bancários foram convocados para trabalharem internamente. Situação semelhante foi verificada na agência do Banrisul, onde haviam funcionários trabalhando mesmo com a unidade fechada, e na Caixa, com gerente, tesoureiro e vigilantes em expediente. Em Barra do Ribeiro, bancários trabalhavam no Banrisul com portas fechadas e a agência do BB, mesmo sem atendimento, estava com um funcionário dentro da unidade.

“Os decretos municipais são claros quanto a seu intuito de diminuir a circulação de pessoas, dar condições para que elas fiquem em isolamento. Também são diretos ao determinar a suspensão de todas as atividades ligadas ao sistema financeiro. Estamos passando por uma situação de calamidade como poucas vezes vimos em nossa história. É um absurdo que os bancos, empresas que lucraram bilhões no ano passado, não assumam sua responsabilidade e busquem formas de contornar medidas que salvam vidas somente para não perder um dia ganhos”, lamenta o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner.

Pelo lucro, bancos buscam formas de contornar decretos

De alguns bancos, como o Santander, o SindBancários ouviu que o caso foi repassado para o Departamento Jurídico. Na interpretação dos advogados do banco, os funcionários poderiam permanecer em expediente interno, o que não faz o mínimo sentido, já que os decretos municipais são claros quanto a suspensão dos serviços. Outras instituições financeiras, como o Itaú, resolveram transferir os bancários lotados em cidades em lockdown para outras que não seguem as restrições de atendimento, como Porto Alegre. Com isso, os bancos ainda estimulam a circulação de bancários.

“Os banqueiros, mais uma vez, mostram que não tem compromisso com a vida dos seus funcionários e clientes. Além de oficiar as empresas sobre os descumprimentos, estamos encaminhando denuncias para 16 órgãos de governos e entidades responsáveis por fiscalizar decretos e condições de trabalho dos funcionários”, explica o funcionário do Santander e secretário Executivo do SindBancários, Luiz Cassemiro.
Cassemiro também lamenta a falta de coordenação dos governos Federal e Estadual. “Algumas cidades, acertadamente, fizeram o lockdown. O problema é que outras, como Porto Alegre, que é governada por um prefeito negacionista, igrejas e bancos continuam funcionando. O que vimos foi, por exemplo, colegas sendo transferidos para darem expediente na Capital. A luta contra o coronavírus, o esforço precisa vir de todos nós e os bancos precisam assumir sua responsabilidade”, complementa.

Luta pela vida

Na base do SindBancários, seis municípios decretaram lockdown na sexta, dia 13. Em dois deles, as restrições valeram apenas no final de semana. Porém, em Guaíba, Barra do Ribeiro, Eldorado do Sul e Sertão Santana, todas atividades foram suspensas até às 6h desta terça, 16/3.

Já na semana passada, dirigentes do SindBancários entraram em contato com os bancos questionando o cumprimento do decreto e ouviram que os gestores estavam cientes das medidas. Nesta segunda, verificado o descumprimento, voltaram a contatar os bancos e depois a oficiá-los, solicitando esclarecimentos também por escrito quanto ao descumprimento dos decretos.

Junto aos oficios e denuncias, o SindBancários também está encaminhando um parecer jurídico, deixando clara a competência dos municípios em decretarem restrições e a necessidade de suspender todas as atividades nesses locais, inclusive o expediente interno.

Clique aqui e leia o parecer

Fonte: Imprensa/SindBancários

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