Bancários(as) reagem a demissões durante a pandemia

Agências ficaram fechadas em Porto Alegre em protesto ao corte de vagas e ao descumprimento de acordos de manter empregos por Bradesco, Santander e Itaú

Os três maiores bancos privados do país deram garantias de que não haveria demissões enquanto a pandemia de Covid-19 durasse. Mas as palavras de Bradesco, Santander e Itaú nas mesas de negociação de acordos emergenciais desde março não foram cumpridas.

Como forma de demonstrar que os bancos privados não precisam demitir, os(as) bancários(as) realizaram um Dia Nacional de Luta em Defesa dos Empregos na quinta-feira, 15/10. A agência Prime do Bradesco e a Agência 24 de Outubro do Santander ficaram fechadas durante todo o dia no bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre.

Colegas do Itaú realizaram ato no Centro em protesto contra as demissões e cobranças de metas abusivas em plena crise econômica. Os bancos alegam redução de lucros pela redução da atividade econômica na pandemia do novo coronavírus mas continuam lucrando.

Assista a vídeo das atividades do Sindicato durante o Dia Nacional de Lutas em Defesa dos Empregos

A soma dos lucros de Bradesco, Santander e Itaú chegou a R$ 21,7 bilhões no primeiro semestre deste ano, sinal de que os bancos não precisam demitir nem têm motivos para se queixarem. “Estamos buscando junto a matriz do Bradesco em São Paulo abrir um canal de diálogo. Queremos que as demissões sejam imediatamente suspensas e que o banco venha para a mesa de negociação”, explicou o diretor do SindBancários e funcionário do Bradesco, Luis Gustavo Soares.

Quando o assunto são as demissões no Santander, além do medo de perder o emprego em plena crise econômico, com o futuro incerto, há um novo componente. Desde o início de outubro, as demissões deixam os colegas do Santander apreensivos, angustiados.

“O sentimento é que agora ou a qualquer hora pode ser a minha vez. Não é só a pressão por metas. É não saber se vai estar empregado na próxima hora. O banco pode suspender as demissões imediatamente. Não há o que justifique o volume de colegas que estão sendo desligados. Nosso objetivo é abrir canal de diálogo e negociar”, salientou o diretor do SindBancários e empregado do Santander, Luiz Cassemiro.

Para o diretor do SindBancários e funcionário do Itaú, Eduardo Munhoz, o caso do Itaú é um pouco diferente. Há demissões, mas o banco está usando o medo para impor metas ainda mais abusivas e pressionar ainda mais para que elas sejam atingidas.

“Nosso dia de luta é nacional. Queremos mostrar para os clientes e para a população que o banco continua lucrativo e que não tem necessidade de cobrar tanta meta em tempos de menor circulação de pessoas e de dinheiro no mercado. Não é possível cobrar tanta meta”, ponderou Eduardo.

Face perversa

O diretor de Saúde da Contraf- CUT, Mauro Salles, diz que essa onda de demissões nos bancos privados mostra a “face perversa dos bancos”. Este ano, essa face perversa ficou ainda mais perversa. Os bancos privados chegaram a dizer que não demitiriam durante a pandemia.

“Muitos colegas doentes estão sendo demitidos e estão adoecidos por causa da tensão de trabalhar durante a pandemia em atendimento presencial. Vivemos um período de mudanças no sistema financeiro. Há mais concorrência com fintechs, temos agora a chegada das criptomoedas. Acaba sobrando para os bancários. Quem sofre é o trabalhador enquanto os acionistas continuam lucrando” , enfatizou Mauro.

Fonte: Imprensa SindBancários

 

 

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