Bancários paralisam agências em Porto Alegre e dão recado: não caem na armadilha de trocar aumento real insuficiente por perda de direitos históricos

Depois de uma caminhada de bancários pelas ruas do centro de Porto Alegre debaixo de chuva e frio no dia anterior (leia aqui), um dia ensolarado iluminou a luta dos bancários na manhã da quinta-feira, 23/8. Para pressionar a mesa de negociação, a nona, ou a continuação da mesa da terça-feira, 21/8, em São Paulo, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, agências ficaram paralisadas até o meio-dia no Centro de Porto Alegre pelo segundo dia consecutivo (leia aqui). Os bancários deram mais um recado diante da proposta mais recente apresentada pela Fenaban ao Comando Nacional dos Bancários. Oferecer aumento real de 0,5% para esconder a retirada de direitos históricos dos bancários é uma armadilha que os bancários não vão cair.

Enquanto a negociação colocava banqueiros e representantes dos bancários em lados opostos da mesa de negociação, agências ficaram paralisadas até o meio-dia, especialmente nas agências de bancos privados. Filas se formaram em saguões. Clientes que costumam reclamar das paralisações chegaram a se manifestar em apoio ao recado de que retirada de direitos pelos banqueiros pode sim levar à greve em um futuro próximo. No trecho de maior concentração de agências da 7 de Setembro, Santander e Itaú tinham filas formadas em seus autoatendimentos e à espera da abertura das portas ao meio-dia.

Um cliente que estava na fila da agência do Bradescão localizada na Praça Oswaldo Cruz, no Centro de Porto Alegre, chegou a reagir ante a fala de um dirigente sindical. Ao saber que os bancários lutavam pelas suas conquistas num contexto de retrocessos da reforma trabalhista assinada por Michel Temer e que também representavam outras categorias de trabalhadores, chamou o dirigente para o lado para uma conversa mais reservada. Está desempregado desde novembro do ano passado, quando a reforma trabalhista passou a valer como Lei 13.467/2017. E disse que apoiaria uma greve dos bancários porque ajudaria até a recuperar o emprego que o “Temer” tirou dele. 

Veja álbum de fotos da Campanha Nacional dos Bancários em Porto Alegre e Região

Mais uma prova de que o golpe nos nossos direitos está na mesa de negociações da Campanha Nacional dos Bancários em ano eleitoral. A proposta que os banqueiros apresentaram na terça-feira, 21/8, atenta, e a palavra é esta, contra a história de luta dos bancários e suas decorrentes conquistas. Porque é inadmissível e não é humanitário, é machista até, propor que trabalhadores que produzem uma parcela considerável da riqueza do país e garantem os sucessivos lucros dos bancos que aceitem a retirada de integralidade da PLR, por exemplo, a bancárias em licença-maternidade.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, representante dos bancários gaúchos no Comando Nacional dos Bancários que negocia com a Fenaban diz que os bancários já estão avisados de que essa Campanha Nacional seria difícil. “Os dirigentes que estão indo nas agências para trabalhar na paralisação recebem a solidariedade de clientes dos bancos e dos colegas bancários. O clima é de resistência e de mobilização. Os banqueiros passaram da conta na mesa e estão fazendo uma aposta que vão perder. Se a proposta não melhorar, nós vamos à greve. O recado está dado”, avisou Gimenis.

Proposta insuficiente aos empregados

O setor mais lucrativo do país apresentou novamente proposta insuficiente aos seus empregados e com retirada de direitos. Os cinco maiores bancos (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander), que somente no primeiro semestre deste ano já ganharam R$ 42 bilhões ou quase 18% mais que em 2017, apresentaram aos bancários um acordo com aumento real de somente 0,5%, e alteração ou exclusão de diversas cláusulas de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) como o pagamento proporcional, e não mais integral, da PLR das bancárias em licença-maternidade e de afastados por doença ou acidente.

Além disso, os banqueiros tentam impor alterações e exclusões de diversas cláusulas da atual Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, que leva a cortes de direitos dos trabalhadores, como o fim da integralidade da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) das bancárias em licença-maternidade e de afastados por doença ou acidente quando do retorno.

Em assembleias realizadas em todo o país, em 7/8, a categoria decidiu que não aceitará proposta que traga cortes de direitos e tampouco que não proporcione aumento real para a categoria.

Veja resumo da proposta dos bancos

Retirada do salário substituto (cláusula 5ª);

Fim da PLR integral para bancárias em licença-maternidade e afastados por acidente ou doença (esses trabalhadores receberiam PLR proporcional ao período trabalhado);

Querem compensar, caso percam na Justiça, as horas extras pagas como gratificação de função conforme a cláusula 11ª da CCT. Esse item não vale para os bancos públicos, que têm Plano de Cargos e Salários (PCS). A proposta foi rejeitada e o Comando quer negociar PCS para todos;

Alteração da cláusula do vale-transporte, rejeitada porque ficaria pior do que a lei (cláusula 21ª);

Fim da cláusula que proíbe a divulgação de ranking individual (cláusula 37ª);

Retirada da cláusula que previa adicional de insalubridade e periculosidade porque está na lei (cláusula 10ª);

Querem flexibilizar o horário de almoço de 15 minutos para 30 minutos na jornada de seis horas (exceto para teleatendimento e telemarketing);

Fim do vale-cultura (cláusula 69). Comando quer que permaneça para que o direito esteja garantido caso do governo retome o programa;

Retirada da cláusula que garantia a homologação de rescisão contratual nos sindicatos;

Aqui um avanço: garante o parcelamento do adiantamento de férias em três vezes, a pedido do empregado;

Outro avanço: mantém o direito do hipersuficiente à CCT (quem ganha mais de R$ 11.291,60;

Mantém o direito ao adiantamento emergencial para quem tem recurso ao INSS por 90 dias. Os bancários querem 120 dias.

Fonte: Imprensa SindBancários

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