Bancários mostram que são bons de ceva artesanal no 1º Encontro de Cervejeiros Bancários no Sindicato

A logomarca não deixa nenhuma dúvida sobre o que pensam, os cervejeiros bancários sobre o que é uma boa cerveja. A consigna NoMeGustaMaíz # 1 (Não gosto de milho na tradução do espanhol) avisa logo de cara e reforça o princípio de produzir cerveja artesanal. “Um Mundo Sem Milho é Possível”. Nesses tempos em que o milho transgênico pode estar sendo usado no lugar do malte para produzir cervejas em larga escala, os cervejeiros e apreciadores de cerveja artesanal, foram para o Salão de Festas da Casa dos Bancários, na noite da quinta-freira, 11/8, contar suas histórias de apreciadores e de produtores ao mesmo tempo.

Foram quatro bancários participantes produtores de cervejas artesanais no 1º Encontro de Cervejeiros Bancários, dezenas de convidados que se divertiram ao som do Bando Celta, grupo porto-alegrense de música folclórica. Uma confraternização com direito a copo personalizado, harmonização das cervejas com quitutes de primeira e muita história boa de bancários cervejeiros para serem contadas e registradas. “Avaliamos que o encontro foi muito legal. Atingimos o nosso objetivo de criar mais um espaço de convivência entre os bancários. Já fazia algum tempo que pensávamos na possibilidade de fazer um festival ou um encontro de cervejeiros, porque muitos bancários que fazem as suas próprias cevas nos pediam”, explicou o diretor do SindBancários Fábio Dellanhese.

O secretário-geral do Sindicato, Luciano Fetzner, disse que o encontro pode ser considerado um sucesso, dada a participação dos bancários, a experiência de convivência e também um propaganda do produto de colegas que podem, no futuro, pensar em uma atividade remunerada. “A diretoria do Sindicato tem que ficar atenta as tendências de comportamento dos bancários. Assim é que surgem oportunidades de nos juntarmos para darmos boas risadas juntos, nos divertirmos e ajudarmos os colegas que fazem da produção de cerveja um hobby. Alertamos que a cerveja é uma bebida alcoólica e que o excesso faz mal”, afirmou Luciano.

Palavra de engenheira

A engenheira de alimentos, Melissa Goulart, especialista na produção de cervejas, é consultora da Goulart e Zechin, consultoria que criou para atender e ajudar cervejarias artesanais a melhorarem a qualidade da bebida consumida aqui no Estado. Ela diz que cresceu muito o número de cervejeiros o que criou uma cultura nova. A leva de ótimas cervejas trouxe diversidade e mudou a forma como os apreciadores consomem a bebida. Segundo Melissa, estamos transitando do patamar de consumidores da “estupidamente gelada” para o de entendidos.

“Um novo horizonte se abriu com o crescimento da produção artesanal. Criamos, no Brasil, um conceito de cerveja local. É como na Europa. A melhor cerveja é aquela que é produzida mais perto de casa, do local de consumo. A cerveja, no Brasil, ganhou em qualidade e diversidade. O pessoal não pode mais a cerveja pela marca, mas pelo tipo, staut, red, pale ale”, explica.

Melissa diz que transformar o prazer em negócio é um passo mais complicado. A produção e os insumos têm um alto custo. Exigem investimento, produção em escala e estratégias de entrega e comercialização. Para ser uma ideia, gasta-se entre cinco e 20 litros de água para produzir um litro de cerveja, contando a lavagem do material. Além disso, fazer a cerveja exige fogão e um acompanhamento rigoroso na hora da fermentação. A cerveja é viva e exige que se controle temperaturas de forma rigorosa, especialmente na fase de fermentação.

Melissa montou a consultoria, seguindo a tendência da diversificação. Além de fornecer expertise técnica, sua empresa de consultoria também ajuda o cervejeiro a tornar o seu hobby em um negócio lucrativo, orientando a regulamentação. Melissa elogiou as cervejas produzidas pelos participantes. Disse que as cervejas apresentadas pelo cervejeiros bancários estavam muito boas e alertou para a dificuldade do negócio. “Um dos problemas é que 60% do custo do produto é imposto, o que dificulta o negócio. Achei o evento do Sindicato maravilhoso. Todos os grupos que se juntam ajuda a disseminar a cultura da microcervejaria e da qualidade da bebida”, afirma Melissa.

Histórias de cervejeiros bancários

Milonga – Cerveja Artesanal

O bancário do Banco do Brasil de Canoas, Daison Teixeira, é amigo de longa data do químico Ricardo Santi. Os dois são de Canoas. Moram relativamente perto, mas se conheceram justamente por apreciarem cervejas. Estavam cansadas das cervejas produzidas em grande escala, do milho usado para a fermentação. E, como bons apreciadores da bebida, pensar em faze justamente a sua própria cerveja. Ah, os dois são também DJs.

Dessa parceria nasceu a Milonga – Cerveja Artesanal em 2011. Ricardo chegou a trabalhar numa cervejaria de Porto Alegre por três anos. Os dois produzem cervejas de forma bem séria. Participam de eventos de associações de cervejeiros. Ainda não têm lucro, mas, pode-se dizer que tomam cerveja de graça. “Ainda é um hobby que vai virar negócio uma hora”, explica o bancário Daison.

A produção em Canoas é de 250 litros por mês. Abastece bares da região e tem muitos elogios por aí com todo o tipo de cerveja. Já fizeram juntos mais de 10 tipos, mas agora reduziram para um frequência maior de produção a três tipos. No 1º Encontro e Cervejeiros Bancários , levaram uma stout, de coloração escura, amarga e defumada.

Do Sítio

O colega do Banrisul de Porto Alegre, Francisco Souza, traz de Carazinho, cidade onde sua família mora, o conceito de cerveja do sítio. Funcionário do Banrisul há seis anos, não faz muito tempo que se transferiu para Porto Alegre. Sua produção é mensal há quatro anos. Cada vez que vai a Carazinho produz cervejas usando equipamento de uma associação de lá. Na Serra, também são os equipamentos de outra associação que ajudam a fazer uma média de 30 litros de cerveja para consumo próprio e dos amigos. O tipo de cerveja que ele produz, varia. “Faço o que invento na hora”, diz Francisco.

Não é fácil produzir cerveja. Francisco conta que há muito trabalho envolvido, e os custos se equivalem em relação às cervejas que compramos nos supermercados. Atualmente, segue o bancário cervejeiro, há muita variedade nas gôndolas dos supermercados, mas nenhuma acrescenta um fator de quem produz a sua própria ceva. “Se vai botar na ponta do lápis, não vale a pena. O que vale é o prazer de fazer a própria cerveja”, explica ele.

No name, no label

Para compreender o conceito da cerveja do empregado da Caixa Volmar Delgado, que também é integrante do Conselho Fiscal do SindBancários, é preciso traduzir o título acima deste texto. No name, no label significa sem nome sem rótulo. Mas é este exatamente o nome que Volmar quer dar à sua produção. Não importa se as garrafas que ele apresentou sua ceva não têm rótulos, são lisas, da cor âmbar característica do vidro da garrafa.

Na quinta-feira, dia do 1º Encontro de Cervejeiros Bancários do SindBancários, levou para apresentar aos convivas da confraternização, uma avermelhada Red Ale. Mas não é apenas uma Red Ale. “É uma cerveja de primavera. Não é tão leve para o verão.” Volmar conta que é comum na Europa cervejeiros bebemorarem a chegada da primavera, com a “cerveja de março”. Lembrando que no Hemisfério Norte, a primavera começa no terceiro mês do ano. No Brasil, sua cerveja poderia ser chamada de “cerveja de setembro”.

Volmar produz cervejas em seu próprio kit na garagem de casa. O ritual de produzir a própria cerveja se repete todos os sábados há pouco mais de seis anos. No sábado passado, 6/8, produziu 50 litros. É pouco, na opinião dele, que pensa em produzir cerveja de forma industrial e comercial depois que se aposentar. “Não tenho esse viés industrial. Também não registrei a cerveja. Penso mesmo neste nome No name, no label”. Se não tem nome ainda, tem estilo a cerveja de primavera do colega Volmar.

A TV quebrada que valeu uma ceva

O colega do Banrisul de Rolante, João Alberto Müller, tem a cerveja em sua origem. Ele é descendente de alemães, como o sobrenome denuncia. E como se não bastasse o DNA de cervejeiro, um de seus avôs produzia cerveja e vinho. E não qualquer vinho. Vinho de laranja.

A produção de cerveja de João Alberto começou a se desenhar quando ele trabalhava em uma agência do Banrisul da cidade de Caçador, em Santa Catarina. Foi lá que começou a experimentar novidades em cervejas artesanais, dando um drible nas cervejas tradicionais fermentadas em grande escala.

Mas a produção mesmo começou somente no dia 1º de julho deste ano. As amostras de cerveja que trouxe para o 1º Festival de Cervejeiros Bancários do Sindicato é a sua segunda ceva produzida. Foram 20 litros de uma stout que deu o que falar no Salão de Festas da Casa dos Bancários.

Para contar como ele conseguiu fazer a segunda leva de cerveja, é preciso saber que sua televisão quebrou. Sua esposa queria uma nova, mas ele disse que ia investir em seu primeiro kit de produção. “A TV está estragada há 75 dias. Estamos sem TV. Nós tínhamos investido na obra da casa. Comprei a kit e deixei a TV lá, estragada”, contou. Sem TV em casa, João Alberto conta que outra novidade apareceu. Ele vai ser pai. Neste período nasceu uma cerveja e , daqui, um pouco menos de nove meses, um filho.

Crédito fotos: Anselmo Cunha

Fonte: Imprensa SindBancários

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