Bancários lembram os 19 anos da privatização do Banespa

O Banespa, maior banco estadual do país, foi entregue "a preço de banana" no governo privatista de FHC

Os bancários não perderam a memória e se lembram que foi em 20 de novembro de 2000, em pleno Dia da Consciência Negra, que aconteceu a privatização do Banco do Estado de São Paulo, o Banespa. O maior banco estadual do país foi entregue “a preço de banana” pelo governo privatista de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). É uma data que a categoria olha hoje com um misto de tristeza e sentimento de luta.

Com muita unidade e mobilização, os banespianos conseguiram arrastar por quase seis anos o processo de venda do banco público – que passou pela intervenção do Banco Central, disputa entre os governos estadual e federal, federalização e uma série de liminares conquistadas pelo movimento sindical e Afubesp – que culminou no vergonhoso leilão, ocorrido na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Lucrativo, o Banespa foi adquirido pelo banco espanhol Santander por R$ 7 bilhões, acima do preço mínimo subavaliado de R$ 1,850 bilhão. No entanto, o ágio de 281% foi transformado em crédito tributário e depois abatido nos balanços pelo Santander. Imagine o lucro que o São Paulo deixou de ganhar ao longo desses 19 anos. Foi um péssimo negócio para o Estado! Como nas demais privatizações de bancos estatais, houve demissões, retirada de direitos e fechamento de agências.

No entanto, é preciso lembrar que foi graças às batalhas travadas pelos trabalhadores para impedir a privatização que foram mantidos o Banesprev – o fundo de pensão – e a Cabesp – o plano de saúde de funcionários e aposentados. O patrocínio do banco para as duas entidades segue até hoje, superando os prazos fixados no edital de venda que eram de 18 de meses e cinco anos, respectivamente. Além disso, foram negociados e assinados acordos aditivos à convenção coletiva dos bancários, que garantem vários direitos até hoje para quem trabalha no banco.

Luta contra privatizações continua

“Recordar a privatização do Banespa é muito importante para evitar que caia no esquecimento a entrega de patrimônio público no governo FHC e para mostrar que é preciso resistir e enfrentar a agenda de privatizações dos governos neoliberais de plantão”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e da Fetrafi-RS, Ademir Wiederkehr (foto abaixo). “E não podemos nos esquecer do PSDB nas eleições, votando contra os seus candidatos e apoiadores”.

“É preciso alertar também os bancários das instituições financeiras públicas, que sobreviveram às garras dos tucanos, a necessidade de resistir neste momento difícil da conjuntura em que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ataca a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, assim como a base aliada do governador Eduardo Leite (PSDB) quer aprovar uma PEC para acabar com o plebiscito para a privatização do Banrisul, Corsan e Procergs”, destaca Ademir, que é também secretário de Comunicação da CUT-RS.

Outras estatais federais também estão ameaçadas de desmonte e privatização, como a Petrobrás, a Eletrobras, os Correios e a Trensurb. No RS, os deputados que apoiam Leite já aprovaram projetos que autorizam a venda da CEEE, CRM e Sulgás, as três empresas públicas de energia. Em Porto Alegre, o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) quer entregar o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). “Enquanto vários países estão reestatizando empresas, aqui querem entregar tudo o que restou da privataria tucana na década de 1990”, critica o dirigente sindical.

“O Brasil e o Rio Grande do Sul precisam de bancos públicos para estimular o desenvolvimento econômico e social, assim como de empresas estatais para garantir serviços públicos de qualidade para a população”, conclui Ademir.

Texto: Ademir Wiederkehr

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