Bancários enfrentam frio, chuva e vento em caminhada de repudio à proposta da Fenaban e a retrocessos históricos

Depois de manter agências paralisadas por duas horas na manhã da quarta-feira, 22/8, bancários ouviram o chamado do SindBancários e foram às ruas do centro de Porto Alegre para uma caminhada de repúdio à proposta apresentada na terça-feira, 21/8, pela Fenaban na oitava rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários. Nem a chuva, nem o frio nem o vento, impediram os bancários de mostrarem mobilização e levar sua indignação pela proposta de aumento real insuficiente de 0,5% (os bancários reivindicam 5% de aumento real) e pelos retrocessos da proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que quer retirar direitos históricos e não renova o acordo coletivo anterior. Uma delas (leia ao final) é retirar o direito à integralidade da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de bancárias em licença-maternidade. 

Veja álbum de fotos da Campanha Nacional dos Bancários em Porto Alegre e Região

Há um ditado entre dirigentes sindicais que dimensionam a importância da resistência dos trabalhadores na luta por direitos. “Nem a chuva, nem o frio, nem o vento atrapalham o movimento”. Diante do mau tempo da quarta-feira, 22/8, valeu a resistência. Este ano essa é a palavra que mobiliza os trabalhadores em sua Campanha Nacional 2018. Isso porque o contexto é de retrocesso nas conquistas dos bancários em razão da aplicação da reforma trabalhista, que virou a Lei 13.467, em novembro do ano passado. 

A concentração começou às 16h30, na Praça da Alfândega, entre o Banrisul e a Caixa. A caminhada se mexeu às 17h30, passando pelas ruas Caldas Jr., Siqueira Campos, General Câmara, 7 de Setembro e avenida Borges de Medeiros até a Esquina Democrática, onde chegou por volta das 18h. A concentração e a caminhada foram animadas pelo som do músico Rosa Franco ao violão.

O secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, explicou, durante a caminhada em defesa dos direitos, que este ano a Campanha Nacional dos Bancários começou mais cedo para buscar garantias de renovação do acordo coletivo anterior, com validade por dois anos (2017 e 2018) enquanto um novo não é assinado. “A reforma trabalhista foi um golpe nos direitos de todos os trabalhadores. Esta é a nossa primeira campanha sob a reforma trabalhista. A proposta apresentada pelos banqueiros da Fenaban ontem, (terça-feira) em São Paulo atenta até contra direitos conquistados pela nossa luta por mulheres em licença-maternidade”, detalhou.

A Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários voltam a se reunir nesta quinta-feira, a partir das 10h, em São Paulo, para seguir os debates das cláusulas apresentadas pela Fenaban. Na reunião da terça-feira, 21/8, o Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta na mesa de negociação e chamou os bancários a realizarem paralisações em agências e locais de trabalho até o meio-dia desta quarta, 22/8.

Negociação com o Banrisul

Nesta quinta-feira, a partir das 14h, haverá mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Banrisulenses e representantes da diretoria do Banrisul. O encontro ocorre a partir das 14h na sede da Associação dos Bancos do Rio Grande do Sul (ASBANCOS), localizada na rua dos Andradas, 1.234, Centro Histórico de Porto Alegre. Esta será a quarta mesa de negociação com o banco público gaúcho desde 15/6, quando os representantes dos trabalhadores apresentaram a pauta de reivindicações à atual diretoria do banco.

Proposta insuficiente aos empregados

O setor mais lucrativo do país apresentou novamente proposta insuficiente aos seus empregados e com retirada de direitos. Os cinco maiores bancos (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander), que somente no primeiro semestre deste ano já ganharam R$ 42 bilhões ou quase 18% mais que em 2017, apresentaram aos bancários um acordo com aumento real de somente 0,5%, e alteração ou exclusão de diversas cláusulas de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) como o pagamento proporcional, e não mais integral, da PLR das bancárias em licença-maternidade e de afastados por doença ou acidente.

Além disso, os banqueiros tentam impor alterações e exclusões de diversas cláusulas da atual Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, que leva a cortes de direitos dos trabalhadores, como o fim da integralidade da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) das bancárias em licença-maternidade e de afastados por doença ou acidente quando do retorno.

Em assembleias realizadas em todo o país, em 7/8, a categoria decidiu que não aceitará proposta que traga cortes de direitos e tampouco que não proporcione aumento real para a categoria.

Veja resumo da proposta dos bancos

Retirada do salário substituto (cláusula 5ª);

Fim da PLR integral para bancárias em licença-maternidade e afastados por acidente ou doença (esses trabalhadores receberiam PLR proporcional ao período trabalhado);

Querem compensar, caso percam na Justiça, as horas extras pagas como gratificação de função conforme a cláusula 11ª da CCT. Esse item não vale para os bancos públicos, que têm Plano de Cargos e Salários (PCS). A proposta foi rejeitada e o Comando quer negociar PCS para todos;

Alteração da cláusula do vale-transporte, rejeitada porque ficaria pior do que a lei (cláusula 21ª);

Fim da cláusula que proíbe a divulgação de ranking individual (cláusula 37ª);

Retirada da cláusula que previa adicional de insalubridade e periculosidade porque está na lei (cláusula 10ª);

Querem flexibilizar o horário de almoço de 15 minutos para 30 minutos na jornada de seis horas (exceto para teleatendimento e telemarketing);

Fim do vale-cultura (cláusula 69). Comando quer que permaneça para que o direito esteja garantido caso do governo retome o programa;

Retirada da cláusula que garantia a homologação de rescisão contratual nos sindicatos;

Aqui um avanço: garante o parcelamento do adiantamento de férias em três vezes, a pedido do empregado;

Outro avanço: mantém o direito do hipersuficiente à CCT (quem ganha mais de R$ 11.291,60;

Mantém o direito ao adiantamento emergencial para quem tem recurso ao INSS por 90 dias. Os bancários querem 120 dias.

Fonte: Imprensa SindBancários

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