Bancários e sindicalistas fortalecem greve na Caixa e Banrisul e festejam 88 anos do banco público do RS

Num momento em que o Banrisul completa 88 anos de bons serviços prestados aos gaúchos e gaúchas, o sentimento de satisfação mistura-se à insegurança com o futuro do banco, mais uma vez ameaçado de privatização. Foi neste clima, embalada pela necessidade de mobilização dos trabalhadores em defesa do patrimônio público, que o SindBancários mobilizou a categoria em frente às sedes do Banrisul e da Caixa Federal, na Praça da Alfândega, Centro de Porto Alegre, na manhã desta segunda-feira, 12/09.

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Um bolo de aniversário foi distribuído aos bancários, sindicalistas e população. A seguir, houve um grande abraço g3eral ao banco, enquanto centenas de balões coloriam o céu. No carro de som, além de denunciarem o risco que o banco corre, lideranças da categoria alertavam também que a Fenaban ainda não avançou na proposta indecente a todos os bancários – de 7% de reajuste, o que não cobre nem a inflação, e R$ 3.300,00 de abono.

Caixa

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Em frente à Caixa, para quem perguntava “até quando vai esta greve”, os sindicalistas e funcionários respondiam: “Vai depender da contraproposta da Fenaban e da direção do banco”. Gilmar Aguirre, trabalhador da Caixa e diretor da Contraf-CUT, deixava claro: “Esta greve, nos dias de hoje, não é só salarial nem corporativa – defendemos a Caixa 100% pública, para continuar a serviço dos brasileiros, especialmente da população mais carente”. Na sua avaliação, 40% dos colegas da Caixa estão parados, mas a mobilização deve crescer à medida que a Caixa não responde às demandas dos trabalhadores.

Um piquete do Sindicato e de funcionários em greve chegou a percorrer andar por andar a sede da Caixa na Praça da Alfândega, conversando com os colegas e esclarecendo dúvidas. “Está havendo um processo de luta para a privatização das estatais e dos serviços públicos, tanto no governo de José Ivo Sartori quando no governo ilegítimo de Michel Temer”, esclareceu o diretor do Sindicato Jaílson Buenos Prodes. “E a mobilização atual tem também a defesa do patrimônio, além do salário. Mas uma coisa é certa: quando temos uma greve forte, a Caixa atende às nossas demandas”, afirmou.

Sobre o Programa Nacional de Desestatização, que está sendo gerido nos gabinetes de Michel Golpista Temer e no Congresso Nacional, com apoio de entidades como Fiesp e Fenaban, Jaílson questionou junto aos colegas: “O que vai sobrar da Caixa, se este processo avançar? Eles querem o filé mignon da entidade, como as loterias, os cartões de crédito, a gestão do FGTS, a Funcef…”

Banrisul

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Sobre o caminhão de som em frente à agência central do Banrisul, Jaílson convocou os colegas que ainda trabalhavam, para descerem para a manifestação e o grande abraço ao banco. “Acorda, Banrisul! Esta diretoria parece que não quer negociar. Ela quer parcelar até a negociação”, argumentou.

Carlos Alberto Pauletto, da CUT-Metropolitana, denunciou os deputados gaúchos que votaram contra os trabalhadores e a favor da privatização, no Projeto de Lei 4330, no Congresso Nacional. Ele também criticou o projeto “Ponte para o Futuro”, do PMDB: “Este plano representa um atraso para os trabalhadores e o patrimônio público. No caso do Banrisul, não se pode esquecer que ele é importantíssimo como fomentador da economia do RS”, concluiu.

Já o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, denunciou: “Não é pouca coisa a RBS – que funciona como porta-voz do governo Sartori – anunciar que vai ser flexibilizada a lei que exige plebiscito para privatizar órgãos públicos no estado”. Nespolo citou a pressão no Congresso sobre o senador Paulo Paim, no processo de privatização de tudo que for possível, que também abre caminho à terceirização. “Importante lembrar que o emprego terceirizado é o mais desprotegido”, frisou o sindicalista.

Parando o Brasil

“Por tudo isso, o Brasil vai parar no próximo dia 22, terça-feira, em defesa do emprego e contra a Proposta de Emenda Constitucional 241, que pretende congelar todos os orçamentos públicos”, finalizou o presidente da CUT-RS. A movimentação que cercou o Banrisul, num abraço de proteção ao patrimônio do estado, também contou com a participação de políticos como o deputado Adão Villaverde e da vereadora Sofia Cavedon.

Solidariedade

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Destacando a importância de haver solidariedade com as demais categorias, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, criticou a visão da imprensa sobre a greve. “A mídia diz que a greve prejudica a população, mas não diz que a culpa é dos banqueiros e não dos bancários”, afirmou. “Não diz também que só no primeiro semestre deste ano, os seis maiores bancos do país, públicos e privados, tiveram lucros de R$ 30 bilhões, mas continuam com esta choradeira”.

Gimenez também enfatizou a manobra do governo ilegítimo de Temer, que está vinculando a renegociação da dívida federal do estado com a venda de estatais. “Precisamos ficar muito alertas. É preciso lembrar que em 2006 a governadora Yoda Celsius vendeu 44% do banco. Mas só o que ela conseguiu com isso foi reduzir a parte de dividendos que o estado recebia do banco público”, recordou.

Sobre as fatias de bolo distribuídas aos sindicalistas, políticos, bancários e passantes que fortaleciam o ato em defesa da Caixa e do Banrisul, o presidente do Sindicato interpretou: “Este é o bolo da resistência. Significa um grande ato de unidade com as outras categorias. As nossas negociações vão continuar e vamos dobrar a intransigência dos banqueiros. Viva os 88 anos do Banrisul”, concluiu Everton Gimenis, antes da caminhada que levou o protesto e as reivindicações dos trabalhadores ao Palácio Piratini.

Fotos: Caco Argemi

 

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