Bancários do Banco do Brasil defendem o resgate do banco público e social no 33º Congresso

Começaram, de forma simultânea na quinta-feira (9), as conferências nacionais dos funcionários do Banco do Brasil e dos empregados da Caixa, com foco na importância dos bancos públicos para o crédito no país. Durante o 33° Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil “BB público sim, BB mais social sempre!”, bancários e bancárias debateram sobre melhores condições de trabalho da instituição, seu papel no desenvolvimento econômico e social, no combate à fome e na reconstrução do país.

O 33º CNFBB é uma das etapas da Campanha Nacional dos Bancários 2022, que irá renovar a Convenção Coletiva de Trabalho e os acordos coletivos de trabalho específicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Reunidos, trabalhadores do BB lembraram da urgência de resgatar o protagonismo da classe trabalhadora e as grandes lutas dos bancários, especialmente neste momento de transição, com a proximidade das eleições de outubro.

Presente na conferência de forma remota, a diretora da Fetrafi-RS, Priscila Aguirres, ressaltou a importância da mobilização na campanha salarial e nas eleições deste ano e afirmou quão necessário é o envolvimento de todos nesse objetivo: “Como categoria, temos muitos direitos a preservar e muito para avançar. Precisamos ter certeza do nosso papel em relação ao contexto que nos cerca, para melhorar nossas condições de trabalho, cientes do sofrimento de muitos dos nossos colegas”.

 

 

Dirigentes ressaltaram a conquista das últimas eleições da Cassi e Previ, fruto de grande mobilização. Eleita titular no Conselho Deliberativo da Cassi, a diretora da Fetrafi-RS, Cristiana Garbinato, defendeu a proteção às entidades que garantem direitos aos trabalhadores. “Precisamos agir em defesa do BB público, um banco que seja agente transformador do desenvolvimento da nossa população e não uma imitação dos bancos privados”, afirmou. Segundo Cristiana, a categoria tem desafios extremamente importantes pela frente: “Estamos sujeitos à instabilidade financeira e psicológica nos bancos, sujeitos a um terrorismo por conta do cumprimento de metas. Precisamos resgatar nosso plano de cargos e salários, sem ficar refém dos comissionamentos”.

O primeiro dia contou com a participação do ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma, Guido Mantega, que falou sobre a destruição do país e dos bancos públicos como estratégia de governo neoliberal, como a intenção de privatizar bancos públicos, mudando radicalmente seu papel que é, acima do lucro, social. “Um banco público não é igual a um banco privado. O objetivo do banco privado é ter o lucro máximo, ele não está preocupado com a questão social. Já o banco público, tem que ter lucro e tem que ser eficiente, mas tem que ajudar a economia a crescer, a distribuir renda e tudo mais”.

Para Priscila Aguirres, a fala do ex-ministro também foi didática para mostrar como, desde 2016, o Banco do Brasil vem se desviando do seu papel social, o que reflete, inclusive, no tratamento dado aos funcionários. “Isso vem ao encontro do adoecimento da categoria bancária e as condições de trabalho cada vez piores em função das metas; isso acontece justamente porque o BB perdeu o seu espírito de banco público e está se tornando um banco de mercado. Então as metas se intensificam muito mais na venda de produtos que não são destinados a fomentar nada, simplesmente para gerar lucros aos acionistas”, alertou a dirigente.

A fome se combate com agricultura familiar

O sistema de gestão pública do Brasil carece de integração das ações propostas para as áreas rurais e urbanas. É preciso pensar nas políticas públicas entre os dois espaços de modo estratégico, afinal, cerca de 80% dos alimentos que chegam às nossas mesas são da agricultura familiar. Entretanto, as principais políticas públicas para o campo favorecem sobretudo o agronegócio, responsável por um sistema de produção voltado à monocultura exportadora e que deixa, por onde passa, rastros de destruição de florestas e fontes de água.

A avaliação é do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Aristides Veras dos Santos, que participou da mesa “A fome se combate com agricultura familiar”. “A fome se combate com a agricultura familiar e precisamos valorizar isto. Mas talvez as pessoas, a sociedade, não saibam dar essa valorização por falta de compreensão”, comentou Aristides, destacando ainda a necessidade histórica de o Brasil enfrentar o debate sobre reforma agrária e o modelo explorador do agronegócio.

Leia mais sobre a mesa “A fome se combate com agricultura familiar”.

Aprovadas as propostas de reivindicações

Os trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil aprovaram as propostas de reivindicações para a Campanha Nacional 2022, a serem entregues ao banco.

“O conjunto de reivindicações foi formulado com a participação das federações de todas as regiões do país. Seu conteúdo inclui desde tratamento igualitário a todos e todas as funcionárias do BB, incluindo dos bancos incorporados, percentual de mulheres na mesma proporção e saúde mental dos funcionários, como avaliação psíquica sempre que o trabalhador solicitar, através da Cassi”, resumiu o João Fukunaga, coordenador da CEBB.

Apesar de todas as entidades locais já terem tido contato com o material, durante a mesa que fechou o terceiro dia do encontro, as 11 páginas que compõem o documento foram relidas. “Esse processo foi importante para corroborar a nossa missão de democratizar ao máximo os processos sindicais”, completou Fukunaga.

Veja como foram os debates da quinta-feira (9) no 33º Congresso dos Funcionários do BB:

Texto: Amanda Zulke, com informações da Contraf-CUT e edição de Manoela Frade

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