Bancários defendem bancos públicos da mira do governo

Em tempos de pandemia, bancos públicos reforçam sua importância estratégica para o país, contra entreguismo do governo

“Precisamos mostrar o que os bancos públicos significam, a importância que têm.  Algumas pessoas dizem que tem que privatizar, porque o serviço público ‘é ruim’. Como assim? Fazem trabalhos essenciais e dificílimos”, diz a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. Ela participou de uma live no início da noite de terça-feira, 02/06) com outros nomes do movimento sindical.

Além de mostrar a importância dos bancos públicos, Juvandia falou sobre os ataques que o patrimônio nacional sofre nas mãos do governo do presidente Jair Bolsonaro. “Mais do que nunca precisamos fazer essa defesa. Naquela fatídica reunião ministerial, em um momento de pandemia, com tantas mortes e problemas para a sobrevivência, o governo não debateu nada importante para o povo”, disse, lembrando o vídeo liberado há duas semanas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

Essencial em tempos de crise

“Ao contrário”, seguiu Juvandia sobre a reunião, “eles falaram de privatização, e tratam o funcionalismo público como adversário. Qualquer governo deveria valorizar o serviço público, especialmente neste momento em que vemos a importância do Estado, do SUS, da ciência, da educação, das universidades e dos bancos públicos”, destacou.

A presidenta da Contraf-CUT lembrou de ações como o pagamento do auxílio emergencial, feito por um banco público, a Caixa. “Quem está agindo na pandemia são os bancos públicos. Veja o trabalho dos funcionários da Caixa, deixando suas famílias em casa e comprometidos no atendimento da população, até em locais distantes e de difícil acesso. Deixo minha homenagem a todos esses trabalhadores.”

Paulo Guedes

Adilson Araújo, presidente da CTB, também lamentou a postura do governo, especialmente a condução do Ministério da Economia por Paulo Guedes. “Os bancos públicos estão sob ameaça. Está muito claro. Ainda mais depois da trágica reunião ministerial quando, de forma asquerosa, a sociedade pode perceber quais são os verdadeiros interesses do governo Bolsonaro e de Paulo Guedes. Eles seguem obcecados não somente em promover a destruição da ordem social mas, sobretudo, em pôr fim aos bancos públicos e aos sindicatos.”

Entreguismo inconstitucional

Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, a sanha privatista do governo fere bases constitucionais. “A Constituição prevê que o sistema financeiro deva servir aos interesses da coletividade. Portanto, pensar em sistema financeiro que não seja para cumprir seu preceito constitucional, significa rasgar a democracia”, concluiu o líder sindicalista.

Sobre a importância do setor, Vasconcelos apresentou dados relevantes da participação dos bancos públicos em ações importantes para o povo que bancos privados não fariam por não ser lucrativo. “Nenhum país dos Brics abriu mão dos bancos públicos para seu desenvolvimento. Seja para financiamento de áreas essenciais, projetos sociais, e atuações anticíclicas, para que em momentos de retração do crédito, no mercado, eles ofereçam mais crédito para acabar com crises. Assim foi em 2008. Na minha região, no Nordeste, quase 86% das operações de crédito são feitas por bancos públicos.”

Sem crédito para quem precisa

Por fim, Juvandia completou o raciocínio das ações, especialmente diante da pandemia do novo coronavírus: “O Banco do Nordeste emprestou R$ 4 bilhões entre março e abril. É fundamental, foi R$ 1,3 bi de microcrédito. Coisa que os bancos privados não estão liberando, mesmo em linhas que têm acordo com o governo. Receberam R$ 3 trilhões do governo, do Banco Central, e não liberam crédito para quem precisa. Quem está agindo na pandemia são os bancos públicos”.

Fonte: Gabriel Valery, da Rede Brasil Atual. Foto: Agência-barco da Caixa no Rio S. Francisco

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