Bancários debatem com Santander trabalho voluntário, GNS e BEN

Trabalho "voluntário" aos sábados, com hora marcada e no ambiente bancário, foi amplamente debatido

Dirigentes sindicais de todo o Estado estiveram reunidos, nesta segunda, dia 8, com a superintendente de Relações Sindicais do Santander, Fabiana Silva Ribeiro, e a Superintendente Regional Luciane Erbetta. No encontro, que aconteceu na sede da Fetrafi-RS, foram debatidos BEN (novos cartões refeição e alimentação), o novo modelo de agências com a implementação dos Gerentes de Negócio e Serviços (GNS) e o programa de Educação Financeira, a partir do trabalho voluntário dos funcionários.

Representante dos gaúchos na Comissão de Organização da Empresa (COE) do Santander, o diretor de Financeiras e Terceirizadas do SindBancários, Luiz Carlos Cassemiro, avaliou a reunião como positiva.

“A implementação dos GNS e dos novos cartões refeição e alimentação vem trazendo muitas dúvidas e desconforto para os bancários, assim como esse programa de Educação Financeira que a direção quer implementar. Por mais que não seja uma negociação propriamente dita, a oportunidade de questionar e esclarecer dúvidas, de ter essa conversa ‘olho no olho’, é sempre bem vinda”, analisou o diretor.

BEN

O primeiro item debatido foi os novos cartões refeição e alimentação. Os representantes do banco pediram que os funcionários indiquem restaurantes e mercados e afirmaram que todos os municípios do Rio Grande do Sul onde há agência do Santander terão estabelecimentos cadastrados até o dia 1º de maio, data em que o BEN será implementado. Também asseguraram que os cartões antigos seguirão funcionando até 90 dias após o último crédito, de forma que terão validade até 30 de junho.

Dirigentes do interior relataram que, mesmo após realizadas as indicações, o sistema segue sem mostrar estabelecimentos em alguns municípios do Interior. Fabiana voltou a afirmar que o cartão haverão todos as cidades

Educação financeira e trabalho voluntário

O tema mais polêmico da reunião foi o programa de Educação Financeira que o Santander está propondo e deve implementar a partir de meados de abril. Fabiana, ao expô-lo, falou sobre o papel social do banco e afirmou que, em uma primeira chamada interna, mais de 300 funcionários teriam se inscrito para serem voluntários.

A ideia do Santander é que o projeto piloto dure 2 meses e seja implementado em 29 agências do Brasil a partir do segundo final de semana de maio. Essas unidades ficariam abertas das 9h às 12h.

“Temos a incumbência de questionar uma medida como essa. O Santander fala em papel social, mas por que não cobrar juros e tarifas menores dos brasileiros? Ou então doa parte do lucro milionário para instituições? A jornada dos bancários é uma luta histórica e os sábados e domingos deveriam ser utilizados para descansar. Se o bancário está na agência fazendo trabalho voluntário e aparece algum cliente com problemas, ele não vai ajudar? Não vai bater ponto? Nos preocupa muito uma medida como essa”, explicou o funcionário do Santander e diretor de Políticas Sindicais da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo.

Também funcionária do Santander, a diretora de Aposentados e Seguridade Social do SindBancários, Natalina Gué, indagou o caráter voluntário do programa. “Eu, a maioria das pessoas que estão aqui, fazem trabalhos voluntários. Mas são para escolas e instituições de caridade que realmente precisam desses serviços. O que questionamos é fazer voluntariado para uma empresa que lucra milhões e paga nosso salário, utilizando as mesmas habilidades que necessitamos no dia-a-dia”, explicou a diretora.

A superintendente do Santander se mostrou surpreendida pelos questionamentos, por entender que trabalho voluntário é sempre positivo. Afirmou que não haverá pressões para os funcionários se inscreverem e que as agências não abrirão sem vigilantes e seguranças. Ela também disse que o sistema do banco estará bloqueado, de forma que os bancários não conseguirão fazer qualquer operação no sábado.

Em mais de um momento, esclareceu que o projeto é apenas uma experiência a ser avaliada posteriormente, mas sem revelar o que vai ser avaliado. Repetiu diversas vezes que “ninguém sabe como fazer”.

A assessoria jurídica da Fetrafi-RS e do SindBancários também esteve presente, representada pelos advogados Antônio Vicente Martins e Milton Fagundes. A assessoria técnica explicou que a presença se devia não para discutir o trabalho voluntário, mas se ele é realmente voluntário ao apresentar características típicas de subordinação.

Gerentes de negócios e Serviços (GNS)

O último assunto a ser debatido foi o novo modelo de agências que o Santander quer implementar, com a criação do cargo de Gerentes de Negócios e Serviços (GNS). Para justificar a mudança, Fabiana afirmou que o atual modelo segmentado, com bancários realizando funções específicas, está com os dias contados, sendo uma necessidade dos clientes e não clientes.

A superintendente afirmou que todos os bancários com jornada de seis horas receberão gratificação de caixa integral. Quanto aos comissionados com jornada de 8 horas, não receberão nenhuma gratificação. Porém, o limite de jornada de 30% como caixa deverá ser observado.

Os representantes do Santander também disseram que não darão nenhum prazo para os bancários terem certificação CPA 10 da Anbima, desrespeitando a Resolução 3057 do Banco Central. Afirmaram que o banco vai pagar a inscrição dos coordenadores e está orientando os dirigentes a darem tranquilidade para os bancários se prepararem para a prova, inclusive dando folga.

Entretanto, a superintendente não deu nenhum prazo para os funcionários se adequarem ao novo cargo, afirmando que a Anbima só permite a venda e distribuição de produtos de investimos por bancários que possuem a certificação. Fabiana deixou a entender que funcionários devem ter a certificação assim que o novo modelo for implementado, o que vai contra a resolução do Banco Central.

“O Santander, mesmo sendo um banco espanhol, precisa seguir a legislação brasileira. A resolução do BC é clara quando afirma que os bancários tem prazo de um ano para se adequarem a qualquer mudança organizacional promovida pelas instituições brasileiras”, observa Cassemiro. Nenhum gestor pode pressionar, ameaçar ou constranger os funcionários a tirarem a certificação antes de abril de 2020. Se você for pressionado, denuncie para o SindBancários. Pode ser de forma anônima.

Próxima reunião

O COE Santander se reúne com o banco no dia 25 de abril, às 14 horas, em São Paulo.

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