Bancários de Porto Alegre unidos na defesa dos direitos trabalhistas neste Dia Nacional de Paralisação e Mobilização

Em um clima de grande preocupação dos bancários e da população em geral, com as duríssimas reformas trabalhista, da Previdência e o avanço da terceirização, que estão em discussão no Congresso Nacional, dezenas de agências bancárias tiveram suas atividades interrompidas na manhã desta quarta-feira, Dia Nacional de Paralisação e Mobilização, em Porto Alegre e região, na área de abrangência do SindBancários. Pela manhã, diretores do Sindicato entregaram jornais e material informativo frente a DG do Banrisul, banco que ainda enfrenta ameaça de privatização.

15/03/2017 – Porto Alegre, RS – Bancários durante Dia Nacional de Paralização contra a Reforma da Previdência. Foto: Guilherme Santos/Sindbancários

Notamos que a atenção da categoria para estas ameaças hoje é muito grande, mas precisa crescer ainda mais”, afirmou o presidente do SindBancários. “Ao mesmo tempo em que defendemos o grande banco público estadual, que o governo federal pretende incluir na negociação da dívida do RS, estamos chamando a atenção da categoria para os três grandes riscos que o governo ilegítimo de Temer quer impor aos trabalhadores: a Reforma da Previdência, a Terceirização sem limites e a Reforma Trabalhista, que quer nos jogar de volta aos anos 1930, de antes da CLT”, afirmou Everton Gimenis.

Bradescão

Em uma série de reuniões com os colegas da agência central do Bradesco, na Praça Osvaldo Cruz, em Porto Alegre – que ficou fechada na manhã deste dia 15/03, o presidente do Sindicato explicou que as três medidas que o governo quer impor aos brasileiros e brasileiras, através do Congresso, vão impedir que a maioria da população brasileira se aposente. “Em muitas regiões do Norte e Nordeste do Brasil, a expectativa de vida fica abaixo dos 65 anos, que será a idade mínima de aposentadoria para quem trabalhar e contribuir para a Previdência por 49 anos”, destacou ele. “E se ficar desempregado por um período e deixar de contribuir, perde o direito de se aposentar”, completou.

Gimenis também criticou a intenção maléfica de igualar o tempo de contribuição e aposentadoria para homens e mulheres, ignorando que as mulheres ainda encaram uma dupla jornada, com o trabalho doméstico. “Todos temos que pressionar o Congresso para que não aprove uma reforma no jeito que o governo Temer quer”, afirmou o sindicalista, com a concordância dos bancários. Ele ainda relacionou os ataques ao INSS com o lobby a favor da previdência privada, de caráter elitista.

O risco de aprovação da terceirização indiscriminada também foi alertado por Gimenis. “O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, desencavou o projeto de lei 4330, de 12 anos atrás, que visava liberar de modo irrestrito a terceirização de atividades – incluindo a atividade-fim”, disse o presidente do SindBancários. “No caso dos bancários, o banco poderá contratar uma empresa terceirizada para fazer o serviço de caixa, por exemplo, sem que estes trabalhadores tenham direitos trabalhistas, PLR e outras conquistas…”, destacou.

Para Gimenis, no limite estas medidas até poderiam gerar mais empregos no país: “Mas seriam empregos de péssima qualidade, de salários rebaixados e sem as garantias da CLT”, explicou.

Fim da Carteira de Trabalho

Aliás, o terceiro item do pacote antipovo do golpista Michel Temer – a tal reforma trabalhista – visa acabar com a assinatura da Carteira de Trabalho e aplica um pontapé em direitos hoje conquistados e assimilados pela população, como as férias, FGTS e 13º Salário. “Temer é o político que o grande capital sempre quis no poder”, explicou Gimenis. “Como ele não foi eleito para ocupar a Presidência e por ter passado da idade para poder concorrer a algum cargo eletivo, Temer não precisa da aprovação popular para promover este enorme retrocesso na vida da maioria da população”, esclareceu.

Ano eleitoral

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, este é um momento de muita pressão do governo golpista sobre o Congresso, porque Temer e seus apoiadores querem aprovar rapidamente – até a metade do corrente ano – as três reformas, pois 2018 é ano eleitoral. “Os políticos não vão querer correr o risco de aprovar este pacote de destruição de direitos dos trabalhadores em um ano de eleições”, explicou Gimenis. “Então é fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras demonstrem e enviem para os congressistas todo o seu descontentamento com estas ameaças aos direitos e a Previdência”, afirmou.

Panfletagem e conscientização

O banrisulense, ex-presidente do Sindicato e ex-governador Olívio Dutra também foi a luta neste Dia Nacional de Mobilização e Paralisação. Olívio distribuiu pessoalmente material informativo do Sindicato à população e aos bancários, em frente das agências centrais da Caixa e do Banrisul, na Praça da Alfândega, conversando com os gaúchos e gaúchas. “Esta reforma que eles querem passar no Congresso representa na realidade o fim da aposentadoria da maioria dos trabalhadores e trabalhadoras”, explicou o ex-governador. “E nós não podemos permitir isto”, concluiu.

Fotos: Guilherme Santos e Anselmo Cunha

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