Bancários de Porto Alegre protestam contra reestruturação e desmonte do Banco do Brasil, em dia nacional de luta

O sol forte do meio-dia, em frente a agência central do Banco do Brasil, na Rua Uruguai, Centro de Porto Alegre, não impediu diretores do SindBancários, Fetrafi-RS e alguns funcionários do banco de participarem do Dia Nacional de Luta em Defesa do BB Público, nesta sexta-feira 19/01, fazendo pronunciamentos e distribuindo folhetos à população. “De um ano para cá, o banco já fechou mais de 500 agências e despediu quase 10 mil funcionários, sem reposição”, afirmou o sindicalista Jaílson Bueno Prodes. ‘O BB, assim como outros grandes bancos públicos, está sofrendo um grande ataque do governo Temer e dos agentes financeiros nacionais e internacionais que sustentaram o golpe que derrubou Dilma Rousseff”, disse.

Para o também diretor do SindBancários Rogério Rodrigues, funcionário do BB, ninguém dever se iludir com as medidas tomadas pela direção do banco. “O BB está sendo preparado para a venda. Tudo está sendo orquestrado para tirar direitos dos trabalhadores e privatizar as empresas nacionais – ao contrário do que a diz a TV Globo, a maior manipuladora deste país. É preciso buscar outras informações, não podemos virar escravos”, arrematou Rogério.

O roteiro do desmonte é sempre o mesmo”, explicou a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Correia, durante o ato de protesto. “A direção do banco promove demissões em massa e fecha agências para precarizar o atendimento, causar transtornos e desagradar os clientes, facilitando o caminho da privatização”, ensinou.

Reestruturação disfarçada

Não se trata de nenhum exagero: neste início de 2018, a direção do BB já anunciou nova reestruturação, com fechamento de mais unidades, centralização de serviços em outras localidades e a eliminação de 1.200 caixas nas agências. “Hoje, ao invés dos bancos estarem a serviço da população, é ela que está a serviço do sistema financeiro”, completou o diretor do Sindicato e empregado da Caixa Tiago Pedroso. “Até os dias atuais ainda não existe qualquer regulação do sistema financeiro nacional, pois são os bancos que financiam os deputados e suas campanhas, para que isto nunca seja regulamentado pelo Congresso”, denunciou.

Além dos grandes bancos públicos, este modelo de venda e fechamento de empresas estatais hoje – no Brasil do golpe que colocou Temer no poder – se dá desde o nível federal até as empresas e fundações estaduais e municipais. “Mesmo assim, há pessoas que ofendem os trabalhadores e repetem o discurso oficial divulgado pela mídia”, protestou o ex-diretor do SindBancários e funcionário do BB Júlio Vivian.

Financiamento estudantil e agricultura

Já o empregado da Caixa e sindicalista Guaracy Gonçalves lembrou que o ataque ao Banco do Brasil acontece quando a instituição – fundada por D. João VI, em 1808, vai festejar 210 anos de existência. Ele destacou o papel fundamental do banco como principal agente do Fies (Financiamento Estudantil) e da agricultura, tanto familiar quanto do agronegócio, entre outras políticas públicas e voltadas ao desenvolvimento do país.

Esta luta que travamos em todo o Brasil, atualmente, é pela defesa do papel público do banco, de sua função social”, reforçou o presidente do SindBancários. “Um banco como o BB não pode visar somente o lucro, não é isto que a sociedade espera dele. O Banco do Brasil é dos brasileiros e exigimos que Temer tire suas mãos sujas dele, para que continue sendo um instrumento de desenvolvimento do nosso país”, concluiu Everton Gimenis.

Assinaturas do PLIP

Ao mesmo tempo em que ocorriam os pronunciamentos em defesa do Banco do Brasil, em nível estadual o Sindicato e outras entidades continuavam e seguem colhendo assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP), em defesa do Banrisul público. Na tenda do SindBancários, armada perto do prédio da Prefeitura de Porto Alegre, era grande a movimentação de populares que pararam para se informar melhor e assinar o documento, que deverá ir ao plenário da Assembleia Legislativa. Se aprovado, vai impedir qualquer governo estadual de vender ações e ficar com menos de 51% do controle do grande banco dos gaúchos e gaúchas.

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