Bancários da Caixa protestam contra fatiamento

Colegas da área de abrangência do SindBancários vestiram preto e se mobilizaram para mostrar a força de quem defende a Lotex e a Caixa 100% pública

A terça-feira, 26/3, foi um dia de coragem para defender o patrimônio do povo brasileiro. Coragem de quem sabe a importância para o Brasil e para o povo brasileiro da Caixa 100% pública. Na área de abrangência do SindBancários, agências e locais de trabalho de Porto Alegre e região, colegas da Caixa se mobilizaram para mostrar força: vestiram preto e deram um recado bem claro à direção do banco e ao governo federal.

O representante do governo federal já chamado de lobo de Wall Street, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, não vai conseguir fazer o que bem entende sem a luta dos bancários. Depois de quatro vezes adiado, eles querem realizar o leilão da Lotex em 26 de abril. Até lá, haverá novas iniciativas e mobilizações dos empregados da Caixa para dar visibilidade à importância da Caixa 100% pública.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, exaltou a determinação dos colegas no Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa. “A Lotex, a raspadinha da Caixa, é um ativo muito importante. O dinheiro que a Lotex arrecada financia muitas políticas públicas. O governo quer ir fatiando a Caixa para facilitar a venda. Os bancários mostraram que estão mobilizados e prontos para lutar”, avaliou o presidente.

O diretor da Contraf-CUT e representante do RS na CEE/Caixa, Gilmar Aguirre, avaliou que o objetivo de levar informação para a população sobre o desmonte da Caixa precisa continuar. “Mais uma vez, os empregados da Caixa em todo o Estado e em todo o Brasil demonstraram sua indignação e vontade de continuar a lutar pela defesa da Caixa. O governo que ora se apresenta a cada dia demonstra sua vontade de diminuir o papel da Caixa e sua importância para o país. Nós empregados da Caixa conclamamos população a participar dessa luta, pois ela é sua também”, explicou Gilmar.

Os colegas da Caixa ouviram o chamado do Sindicato a participarem do Dia de Preto no Dia Nacional de Luta em Defesa da Lotex. Mobilizaram-se em seus locais de trabalho e enviaram fotografias para o Sindicato. 

Setores inteiros do Edifício-Sede Querência, no Centro de Porto Alegre, o Edifício Marcílio Dias, onde ficam a GITEC, a CEOCV, a RENOP, a CEINC e a CORED se mobilizaram para defender a Caixa. Os colegas vestiram preto para defender a Caixa 100% pública. Outros locais de trabalho também se mobilizaram nas redes sociais. O PAB Justiça, GIGAD/PO também enviaram fotos da mobilização.

Em Porto Alegre, os bancários que trabalham no Edifício Marcílio Dias fizeram uma manifestação em frente ao seu local de trabalho. “Estamos mobilizados contra o fatiamento e a privatização do banco e, mesmo com o leilão da Lotex adiado pela quarta vez, não afrouxamos na luta”, disse a empregada da Caixa e diretora do SindBancários, Caroline Heidner.

Leilão da raspadinha

O leilão da Raspadinha, previsto para ocorrer em 26 de março, foi remarcado para 26 de abril. É a quarta vez que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adia o certame. “Não tem sentido privatizar a Lotex”, afirma o coordenador a CEE/Caixa, Dionísio Reis.

Para onde vai parte do dinheiro da raspadinha

Em 2017, as loterias da Caixa arrecadaram quase R$ 13,9 bilhões. Desse total, cerca de R$ 5,4 bilhões foram transferidos aos programas sociais do Governo Federal relacionados à seguridade social, à educação (Fundo de Financiamento Estudantil- Fies), ao esporte (Ministério do Esporte, Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paralímpico Brasileiro e clubes de futebol), à cultura (Fundo Nacional da Cultura), à segurança (Fundo Penitenciário Nacional) e à saúde (Fundo Nacional de Saúde), o que corresponde a 37,1% do total arrecadado. Caso a Loteria Instantânea seja privatizada, o repasse social deverá ser reduzido para 16,7%.

No ano passado, o Fies recebeu R$ 730 milhões para financiamento de cursos superiores para estudantes, principalmente de famílias de baixa renda. Já para o Fundo Nacional de Cultura os repasses foram de aproximadamente R$ 387 milhões.

Resistência

As entidades representativas dos empregados da Caixa têm lutado para barrar o leilão da Loteria Instantânea. A Fenae ajuizou, em novembro do ano passado, uma ação popular para barrar o processo que estava previsto para ocorrer no dia 29 daquele mês.

“Não haverá na iniciativa privada o interesse em garantir, por exemplo, que milhões de brasileiros façam uma faculdade com a ajuda do Fies. Esse é o perfil da Caixa Econômica Federal, banco que cumpre um papel social desde a sua criação. Isso não pode ser colocado em risco, até porque é apenas uma das ações do projeto que visa enfraquecer o banco e seus empregados”, destaca o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Será a quinta tentativa do governo federal para conceder a exploração dessa modalidade de loteria à iniciativa privada. Um primeiro leilão chegou a ser agendado para julho, mas não houve propostas de empresas interessadas. A disputa, então, foi postergada para o final de novembro, depois para 22 de fevereiro e 26 de março.

Fonte: Imprensa SindBancários, com CUT-RS e Fenae

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