Bancários cobram mais garantias aos funcionários na reestruturação do Banco do Brasil

Na primeira rodada de negociação entre a Contraf-CUT e o Banco do Brasil, os Sindicatos cobraram do banco os números detalhados da reestruturação, como número de vagas e cortes por local. A Comissão de Empresa já havia solicitado os números assim que o banco anunciou a reestruturação, no dia 05/01. Mas o BB informou simplesmente que o pedido está no comitê patrocinador da reestruturação e ainda não tem os números para repassar.

Este movimento da direção do banco de não fornecer os números gerais traz insegurança aos trabalhadores e mostra que o BB quer tratar esta reestruturação, que é grande, como se fossem apenas situações locais”, diz o diretor do SindBancários e funcionário do banco Rogério Rodrigues. Conforme a Comissão de Empresa dos Funcionários, “até parece que é simplesmente má vontade e dificuldade gratuita para ajudar na solução dos problemas”.

Na última sexta-feira, 12/01, os sindicatos apontaram os problemas que estão acontecendo em vários locais e as dificuldades para realocação dos funcionários. Foi cobrado do BB que apresentasse os critérios utilizados para o redimensionamento das agências, uma vez que muitos lugares com dificuldade de atendimento e condições de trabalho ruins permaneceram com o mesmo número de funcionários.

Segundo o BB, o banco ajustou a compatibilidade de oferta de atendimento com a capacidade de atendimento em cada local. Onde tem menor capacidade fez aumento – onde havia capacidade de atendimento acima, fez ajuste para menor. Os representantes do banco se comprometeram a receber e analisar qualquer situação que pode ter sido mal ajustada.

VCP para os caixas ou manutenção da gratificação

A Comissão de Empresa cobrou do banco uma resposta quanto ao pedido de manutenção da gratificação da comissão de caixa aos funcionários que perderam o cargo. No caso dos funcionários com função gratificada ou comissionada, serão garantidos quatro meses de remuneração, caso não sejam realocados. Sobre os caixas, há um entendimento do BB de que como não é uma função, mas apenas gratificação de caixa, esse benefício não é concedido automaticamente. 

O banco afirmou que está analisando a solicitação dos sindicatos, para que seja mantida a remuneração dos caixas por, pelo menos, quatro meses, como na reestruturação do final de 2016/início de 2017.

Grupo mais atingido

Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, a prorrogação da gratificação para caixas é de extrema importância e se justifica por ser o grupamento mais atingindo nesta reestruturação. “O corte de 1200 caixas é traumático e o banco precisa entender que se tratam de pessoas que buscaram ascensão profissional dentro da empresa e isso foi tirado numa canetada.”

Priorização dos caixas nas concorrências

Foi cobrado do banco que os caixas tenham priorização de fato nas concorrências para outros cargos. Além na priorização no TAO – Sistema de Recrutamento, foi solicitado que de fato haja orientação para normação dos caixas em outros cargos que tiveram vaga, de forma minimizar o grande corte nas funções.

O BB informou que não tem resposta quanto a priorização no sistema, mas que tem orientado os gestores a darem atenção aos pedidos de realocação de caixas em outras funções próximas, como as de assistente ou atendente de CABB. 

Sem remoção compulsória para outro município

O Banco do Brasil garantiu que, embora prevista inicialmente, não acontecerá remoção compulsória de funcionários fora do mesmo município, no caso de não se ajustar o excesso de escriturários. Essa medida veio em resposta ao pedido para que não se tenha nenhuma remoção compulsória, mas o banco avalia que poderá ser necessário ainda alguma remoção no mesmo local.

Módulo Avançado dos gerentes de relacionamento será mantido

Foi garantido que para os gerentes de relacionamento que estiveram no módulo avançado da função e tiverem que mudar de cargo para cargo de gerente de relacionamento equivalente, será mantido o módulo avançado da função. Isso permitirá mais mobilidade nas nomeações sem causar prejuízo aos funcionários.

Indicação de quem está em excesso

O Banco do Brasil afirmou que não orientou nenhuma indicação de quem está em excesso nas unidades. O BB afirma que no primeiro momento a movimentação deverá ser espontânea e a recomendação é que não haja apontamentos, como os casos que têm sido relatados aos sindicatos. Os casos fora do padrão deverão ser encaminhados pelos sindicatos para verificação.

Reunião por videoconferência com a presença das Gepes

A mesa de negociação aconteceu no formato de videoconferência, estando cada representante das Federações nas Gepes locais. Os Gerente das Gepes ou seus substitutos também participaram da mesa, o que facilitou a integração e o encaminhamento das demandas. Esta é a primeira mesa por videoconferência com a presença de todas as federações. 

Segundo o Coordenador da Comissão de Empresa, foi uma experiência nova, mas bastante produtiva, sem perder a essência da negociação. A participação dos funcionários das Gepes foi positiva pois além de integrar melhor a relação com os representantes dos funcionários, agiliza a resolução de demandas locais.

Infelizmente, ainda não tivemos respostas concretas sobre a manutenção dos salários dos caixas e a garantia de realocação de todos os funcionários atingidos. Assim como na reestruturação que aconteceu há um ano, o banco não reserva recursos para manter os salários das pessoas e simplesmente trata seus funcionários como números. Se a empresa acha que a reestruturação constante é para ganhar produtividade, nós afirmamos que as pessoas e famílias devem ser preservadas. Para o diretor do SindBancários, Rogério Rodrigues, “a manutenção dos salários na reestruturação é o primeiro passo para aliviar o sofrimento de quem perdeu o cargo ou função”.

Nova rodada de negociação será agendada nos próximos dias, em data a definir entre a Contraf-CUT e o Banco do Brasil.

Fonte: Imprensa SindBancários com Contraf-CUT

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