Bancários buscam esclarecimentos com secretário Schirmer sobre fiscalização para Plano de Segurança e ação contra aumento de violência

Durante cerca de 40 minutos, dirigentes do SindBancários, da Fetrafi-RS e da CUT-RS conversaram com o secretário de Justiça e Segurança do Estado, Cezar Schirmer, na tarde da quinta-feira, 5/4, sobre um tema que leva pânico aos bancários, vigilantes e clientes de bancos. O crescimento de 20% nos ataques a bancos nos primeiros três meses do ano em todo o Estado, as lacunas no Plano de Segurança Bancário aprovado em janeiro deste ano pela Assembleia Legislativa e principalmente a responsabilidade dos bancos em investir em sistemas de segurança que tornem a vida mais segura dentro das agências bancárias estiveram em pauta. Os dirigentes também cobraram fiscalização nas agências bancárias que não cumprem a legislação.

Foi consenso na mesa de conversa no gabinete da Secretaria da Justiça e da Segurança que uma nova postura dos bancos tem contribuído para o crescimento dos ataques. Conforme o Sindicato tem denunciado, o corte de estrutura de vigilantes, o descumprimento de Lei das Portas Giratórias em Porto Alegre e a colocação de bancários em locais onde há caixas eletrônicos, mas não porta-giratória, tem contribuído para a vulnerabilidade. “Acreditamos que o Plano de Segurança Bancária contribui para atacar o problema de aumento da violência bancária. Nossa preocupação é que a legislação aprovada não prevê responsabilidades quanto à fiscalização do cumprimento”, avaliou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

O secretário ouviu as ponderações, disse que as quadrilhas de criminosos que atacam bancos costumam ser bem organizados e que têm levado pânicos às cidades menores pelo sitiamento. Solicitou que os dirigentes elaborassem um ofício e enviassem à Secretaria para que pudesse entrar em contato com o prefeito Nelson Marchezan Jr. para levantar questões sobre a fiscalização do cumprimento da legislação municipal de segurança bancária em Porto Alegre. “Além do aspecto do patrimônio, tem a questão dos funcionários e dos clientes. E a questão do clima depois de um cordão humano. A cidade fica em pânico. Nós trabalhamos por especificidade. Esse é o crime mais organizado e mais profissional”, ponderou o delegado.

O diretor da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, lembrou de uma cultura de diálogo que buscava soluções e sugeria políticas de segurança e que, durante o governo Sartori, foi descontinuada. Trata-se do GT de Segurança que tinha participação de representantes dos trabalhadores bancários, dos vigilantes, da Brigada Militar e da Polícia Civil. “No GT de segurança, surgia sempre a questão da dificuldade de os bancos cumprirem a legislação. Ora, os bancos têm lucros astronômicos, mas alegavam o alto custo dos vidros à prova de bala na época para cumprir a legislação. É preciso fiscalização para aplicar a lei”, ponderou Juberlei.

O secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, apontou a importância do papel das prefeituras para fiscalizar a observação de itens de segurança nas agências bancárias em Porto Alegre, leu o artigo 1º da Lei Municipal 7494, de 12 de setembro de 1994, que obriga instalação de portas giratórias em todos os acessos das agências, e questionou o caráter impreciso de alguns trechos do Plano Estadual de Segurança Bancária. “Notamos um interesse do secretário em buscar melhorar a questão da fiscalização. Pareceu-nos que há disposição. Agora, quando o assunto é fiscalizar, o texto da nova legislação coloca na condicional. Então fica, ‘poderá’ acontecer, ‘pode ser’. É preciso que a lei seja bem clara em relação à fiscalização e cobrança das multas”, explicou Luciano.

O secretário de Comunicação da Contraf-CUT e diretor do SindBancários, Ademir Wiederkehr, lembrou da luta que os sindicatos, as federações e a Contraf-CUT, em todo o país, travam com a Fenaban há anos para arrancar planos de segurança efetivos para proteger os bancários e vigilantes. “Temos vários municípios com leis municipais. Em Porto Alegre, a lei das portas-giratórias, por exempo, é de 1994, mas os bancos só começaram a instalar mesmo nos anos 2000”, disse Ademir. Fato: a fiscalização, no mínimo, tem que melhorar muito.

Estamos juntos”

O secretário Cezar Schirmer disse que tem recebido representantes de bancos públicos e privados para avisar que o Plano Estadual de Segurança Bancária irá cobrar postura mais assertiva dos bancos quanto a investimentos. Também mencionou alguns itens de segurança já disponíveis no mercado e instalados em algumas agências. Reconheceu o papel do Estado em relação ao efetivo da Brigada Militar e da Polícia Civil. “Estamos juntos. Já consegui que alguns bancos sentassem conosco. Já sei de algumas ações. Temos procurado conversar e cobrar. Não quero conversa individual. Quero conversa coletiva. No caso dos ataques a bancos, temos que trabalhar com inteligência e tecnologia”, asseverou o secretário.

Mais uma prova

Não é preciso ir muito longe para ver que as agências bancárias estão mais vulneráveis. Ou, sob outro aspecto, que os bancários, vigilantes e clientes estão mais expostos à ação de quadrilhas muito bem organizadas e armadas, inclusive com explosivos. Isso decorre de alguns aspectos. Os bancos lucram muito, mas não querem investir em segurança bancária como devem, a fiscalização é frouxa no que diz respeito à instalação de itens de segurança nas agências bancárias. Mais recentemente, com as sucessivas ondas de demissões, os bancos alegam crise e pioram a situação: descumprem as leis, tirando portas-giratórias dos acessos para o autoatendimento.

E, como se não fosse possível piorar ainda mais a situação, colocam um bancário nesses lugares desprotegidos ou muito vulneráveis para prospectar negócios. “O procedimento hoje dos bancos é esse mesmo. Reduzir custos onde puderem. Então, demitem funcionários e tiram investimento em segurança. Esta é a dimensão da exposição do trabalhador aos riscos de criminosos”, explicou o assessor jurídico do SindBancários, o advogado Antônio Vicente Martins.

Fonte: Imprensa SindBancários

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