Bancários alertam para blitz em bancos públicos

Caminhada e protesto marcam Ato de Dia do Preto na Caixa e no BB e mostram que governo Bolsonaro cozinha empresas públicas

Há uma metáfora trágica de um sapo sendo cozido na água quente que define bem o governo de Jair Bolsonaro e sua política de blitz sobre os bancos públicos. As privatizações não estão sendo feitas de um grande e único golpe apenas. Estão sendo feitas aos pedaços.

Foi para demonstrar que Bolsonaro e seu ministro da economia, o Paulo Guedes, estão fatiando a Caixa e o Banco do Brasil, mas também Petrobras, com efeitos sobre Banrisul, e outras empresas públicas, com o método da venda aos poucos. É como vender peças de carros em desmanche.

Os bancários foram às ruas na manhã e tarde da quinta-feira, 27/2, em Dia Nacional de defesa do Banco do Brasil e da Caixa e de vestir preto nas agências desses dois bancos públicos. Dirigentes do SindBancários realizaram uma caminhada pelas ruas do Centro de Porto Alegre, distribuíram panfletos e alertaram para o modus operandi da blitz bolsonarista contra as empresas públicas.

O governo Bolsonaro é diferente do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. FHC vendeu setor elétrico, entregou boa parte de bancos públicos, vendeu o que pôde de um golpe só. Bolsonaro e Paulo Guedes apostam na gradualidade.

Sapo em banho-maria

Para o diretor da Contraf-CUT e representante gaúcho da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Gilmar Aguirre, a metáfora do sapo serve de alerta. É preciso demonstrar a importância dos bancos públicos para as vidas das pessoas. E os bancários precisam ficar atentos e atender o chamado das suas entidades à mobilização e defesa da Caixa, do BB, do Banrisul.

Não podemos nos iludir. É uma privatização lenta. É a parábola do sapo no fogo morno. É a sereia cantando alto. Os colegas da Caixa devem consultar diariamente o site de suas entidades representativas (SindBancários, Contraf-CUT, Fetrafi-RS) pois são elas que estão alertando e resistindo ao que o governo Bolsonaro está fazendo com a Caixa”, explicou Gilmar, funcionário da Caixa.

Vamos à metáfora do sapo na água. Se colocarmos um sapo vivo na água quente ele pula e foge. Mas, se ele for colocado na água fria e essa água vai sendo aquecida, o sapo vai se acostumando com aquela normalidade que acaba não se dando conta que seu fim está próximo. Pode até aceitar aquilo passivamente.

Pois o governo Bolsonaro já anunciou que vai fazer IPOs no banco do Brasil e na Caixa. Ações do Banco do Brasil já foram anunciadas na Bolsa de Valores de Nova York. E parte das loterias da Caixa já foi vendida. Tudo devagar, aos poucos, no sigilo.

Abraçar o Banco do Brasil

A diretora do SindBancários e funcionária do Banco do Brasil, Bianca Garbelini, alerta que os bancos públicos não estão sozinhos nesta blitz privatizadora do governo Bolsonaro. “Os funcionários e a população em geral precisam tomar conhecimento deste processo e abraçar o Banco do Brasil, se unindo na defesa de que ele permaneça cumprindo seu papel público de atendimento às necessidades da população e fomentando o desenvolvimento do país”, esclareceu.

Causa e efeito da “ineficiência”

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, aponta para uma repercussão histórica dessa experiência da ultradireita ultraliberal que colocou o país sobre o comando de um político como Jair Bolsonaro. Para Gimenis, há um discurso de eficiência sobre as privatizações que é mentiroso.

Os bancários não podem cair nessa de discurso de eficiência. Essa é uma ideologia que começou nos anos 1990. O governo FHC inventou essa história de dizer que as empresas públicas são ineficientes e que tem que vender para melhorar. O governo Bolsonaro agora fica aí cantando que o PIB vai crescer e a bolsa de valores vai subir. Mas o que isso tem a ver com renda do trabalhador? O que muda a vida do trabalhador é parar de achatar o salário mínimo”, explicou Gimenis.

A mentira, segundo o presidente do SindBancários, está na causa da “suposta ineficiência” das empresas públicas. “O problema desse discurso é que ele é falacioso. É mentiroso. São esses mesmos governos que desmontam as empresas públicas, fechando agências e demitindo bancários. Depois, a população se indigna com serviço e acha mesmo que é melhor vender”, acrescentou Gimenis.

Fonte: Imprensa SindBancários

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