Ato pede liberdade de Assange em Porto Alegre

Entidades sindicais e movimentos sociais organizam manifestação em 25/2, em frente ao Consulado dos Estados Unidos, em defesa da liberdade do jornalista que está preso por denunciar crimes de guerras e golpes de estado

O ato em Porto Alegre em defesa da liberdade do jornalista australiano Julian Assange, criador da plataforma Wikileaks, será realizado na próxima sexta-feira, 25/2, às 12h, em frente ao Consulado dos Estados Unidos (Avenida. Assis Brasil, 1889 – bairro Passo D’Areia). A manifestação está sendo organizada por entidades sindicais e movimentos sociais, fazendo parte de um dia internacional de mobilização com atos e protestos em vários países pela libertação do jornalista.

Assange é perseguido politicamente há mais de 12 anos por denunciar diversos crimes cometidos pelo governo dos EUA. Atualmente, o ativista está preso em uma penitenciária de segurança máxima, em Londres.

O secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, chama a atenção de que “estamos diante de uma perseguição política inaceitável do governo dos Estados Unidos contra a dignidade profissional de um jornalista e o exercício do jornalismo sério e comprometido com a verdade”.

“Não existe democracia sem liberdade de imprensa e de expressão e sem respeito aos direitos humanos. Assange não pode continuar injustamente preso e não deve ser extraditado para os Estados Unidos, mas deve ser imediatamente libertado, para que possa retomar a liberdade e o bom jornalismo”, ressalta Ademir, que é também jornalista.

A presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), Vera Daisy Barcellos Costa, defende também a liberdade do jornalista. “Nós nos somamos ao movimento mundial que grita: Libertem Julian Assange! O livre exercício da profissão de jornalista é o ponto principal que move a liberdade de imprensa”, destaca

Ela salienta que o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é absoluto ao defender o direito à informação. “A divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independente da linha política dos proprietários e diretores ou da natureza econômica da empresa. Esse conceito é uma resposta para tudo que Julian Assange está passando. Isso é um conceito que não vale só para o Brasil, é um conceito internacional”, enfatiza Vera.

Ilegal, imoral, desumano

Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, o caso de Assange não está sendo levado a sério como deveria. “O que estão fazendo com ele, individualmente, é ilegal, imoral e desumano. Mas o que está em questão é maior do que um caso individual”, afirma a dirigente da Fenaj, entidade que também faz parte da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ).

Segundo ela, a causa da libertação de Assange deve ser de todos os jornalistas e defensores dos direitos humanos e da liberdade de expressão. “Se todos nós não gritarmos bem alto contra essa atrocidade, estaremos colocando todos em risco – todos os jornalistas, todos os defensores dos direitos humanos, todos os defensores das liberdades individuais e coletivas e, ao extremo, todos os defensores da vida humana e planetária”, afirma a presidente da Fenaj.

Assange, de acordo com Maria José, está preso, sendo torturado psicologicamente e tendo seus direitos de detento violados. “Tudo isso porque ousou denunciar crimes cometidos por governos, por autoridades, por aqueles que acham que para eles tudo é permitido; que não importa a vida dos outros”, denuncia Maria José.

Os “crimes” de Assange

Assange fundou o Wikileaks em 2006 e ganhou atenção internacional em 2010, quando o site publicou milhares de documentos vazados dos serviços de inteligência dos EUA que comprovam crimes de guerra, cometidos pelas tropas estadunidenses e seus aliados no Afeganistão, no Iraque, em Guantánamo e em outros lugares. Entre os crimes, figuram assassinatos de civis desarmados, torturas, estupros e violações de direitos de prisioneiros.

O jornalista também comprovou através dos documentos que os EUA realizaram ações para desestabilizar governos não alinhados e provocar guerras, como no Egito, Iêmen, Líbia, Síria, Paquistão e Tunísia.

Além disso, também foram reveladas espionagens. Uma delas aconteceu no Brasil, quando a então presidenta Dilma Rousseff (PT) foi grampeada. Wkileaks revelou que a ação ilegal foi feita pela Agência de Segurança Nacional (NSA) estadunidense, durante o governo Obama.

Em dezembro de 2021, uma sentença da Justiça britânica autorizou a extradição de Assange para os Estados Unidos, onde responderá por acusações de espionagem e crimes cibernéticos. Juntas, essas acusações podem render-lhe 175 anos de prisão.

O jornalista está com a saúde debilitada e, no ano passado, chegou a sofrer um pequeno AVC na prisão, em Londres.

Foto: Reprodução / Brigadas Populares

Fonte: CUT-RS com Fenaj e Brasil de Fato

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