Ato na Praça da Alfândega fortalece defesa do Banrisul público

Entre uma canção e outra, o cantor Rosa Franco, do alto do carro de som instalado em frente ao edifício sede do Banrisul, na Praça da Alfândega, ao meio-dia desta sexta-feira, 02/06, lançava o alerta: “A raposa tá rondando o ninho! A raposa tá rondando o ninho…”. As centenas de pessoas reunidas no local, riam mas entendiam o recado: o governo Sartori não abandonou a ideia de privatizar o Banrisul e outras importantes estatais gaúchas. Delegações de bancários de várias cidades do Interior, como Caxias e São Leopoldo, assim como de Santa Catarina, misturavam-se à população, clientes do banco, sindicalistas e políticos que vieram prestigiar o ato organizado pelo SindBancários em defesa da instituição.

Veja aqui o álbum de fotos do Ato de Mobilização Permanente em Defesa do Banrisul Público.

Ao mesmo tempo, o Sindicato distribuía seu tradicional sanduíche de “salchipão” para os participantes do ato e público em geral. No encerramento do ato, após as 13h, houve um grande abraço ao prédio do Banrisul, com a soltura de centenas de balões.

O presidente do Sindicato, Everton Gimenis, em sua fala, afirmou que mesmo que o governo entreguista de Sartori consiga realizar um plebiscito sobre privatização das empresas estatais, o Banrisul não vai ser privatizado. “Porque o Banrisul não é um banco comum, ele serve a toda a sociedade gaúcha”, lembrou o sindicalista. “Muitas cidades gaúchas só têm um banco para atendê-las porque o Banrisul está lá. Bancos privados não abrem agências onde não existe lucratividade, e a população fica abandonada”, disse. Em relação à dívida do estado com a União, Gimenis apontou: “Muitos estados entregaram suas empresas e seus bancos estaduais e não resolveram dívida nenhuma. Abaixo Sartori! Abaixo Temer! Abaixo Meirelles!”, concluiu.

Além dos bancários, estiveram no ato diretores e associados de entidades sindicais ligadas a Corsan, CEEE, Sulgás e outras estatais ameaçadas pela política de caos implantada por José Ivo Sartori. Claudir Nespolo, presidente da CUT-RS, lembrou os números de uma pesquisa recente: “Sessenta e sete, vírgula seis por cento da população gaúcha ouvida é contrária a extinção do patrimônio público”, destacou. “O governo Sartori já acabou no imaginário da população. Mas temos que ficar atentos pois ele pode tentar um golpe final”, alertou.

Assista a vídeo do Ato em Defesa do Banrisul.

Vitória de 15 anos

Jaílson Bueno Prodes, diretor do SindBancários, lembrou que nesta dia 02 de junho estava sendo comemorada também a vitória de 15 anos atrás, quando o movimento sindical, os partidos de esquerda e a sociedade conseguiram aprovar a PEC que exige a realização de plebiscito para qualquer tentativa de privatização do banco dos gaúchos e gaúchas.

Enquanto cantores e artistas como o gaudério Luiz Arnóbio, Rosa Franco, a cantora Lili Fernandes e o violonista Bruno Muti reuniam o público com sua música, cada vez mais delegações de banrisulenses chegavam para o ato. Os diretores do Sindicato dos Bancários de São Leopoldo, Andrades Dihel e Marcos Bugs garantiram a mobilização em seu município, distribuindo camisetas do Banrisul público e percorrendo as agências do banco na cidade durante a semana. Dihel, funcionário do Bradesco, apontou: “A gente nota que muitos banrisulenses não se adaptariam a um banco privado, pois o enfoque e o tipo de serviço oferecido é completamente diferente”, opinou. Bugs completou: “Hoje percorremos as agências da Caixa e Banco do Brasil e notamos que estão em pleno esvaziamento, com poucos funcionários, num processo proposital de sucateamento”, destacou.

Florianópolis e Caxias

Diretamente de Florianópolis, o sindicalista e banrisulense Cleberson Pacheco, presente à Praça da Alfândega, resumia: “Estamos muito preocupados, pois no início deste ano o banco fechou quatro agências em Santa Catarina”, contou. Mas ressaltou: “Com muita negociação, conseguimos que 27 escriturários fossem realocados em outras agências”, informou.

Já de Caxias do Sul, vieram os colegas do Sindicato dos Bancários Daniel Finkler, Vaine Andreguete e Nelso Bebber. “Nossa área de abrangência é de 14 municípios da Serra”, disse Bebber. “Estamos preocupados, pois a gente sabe que a mídia não é isenta, e ela faz campanha pela privatização das empresas públicas. E o governo Sartori começa a sucatear as operações do Banrisul, reduzindo crédito, diminuindo a qualidade do serviço e colocando estagiários no lugar de funcionários”, protestou.

Incompetência do governo

A deputada Stella Farias (PT), integrante da Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio Público, recordou que o governador Sartori acabou com a FEE, Fundação Piratini, Zoobotânica, Cientec, entre outras. “Sartori ataca a inteligência gaúcha e suas décadas de acumulo de conhecimento, para entregar suas funções a empresas privadas”, ressaltou. “Mas agora o Tribunal de Contas do Estado impediu a continuação deste processo. Isto é uma prova da profunda incapacidade de Sartori e seus apoiadores de gerirem o estado. Ele viajou para o Japão com sua turma, nesta sexta-feira. Sartori que vá com Deus, mas nós aqui não vamos lhe dar trégua”, garantiu.

A incompetência de Sartorão da Massa ficou comprovada também na Assembleia Legislativa, enquanto acontecia o Ato na Praça: o presidente da AL, Edegar Pretto, suspendeu a tramitação do processo de Sartori, pedindo a convocação do plebiscito para poder vender a CEEE, CRM e Sulgás. Pretto explicou que sua decisão de não dar continuidade ao processo não foi política, mas deveu-se ao fato de que os encaminhamentos feitos pelo governo não cumpriram os requisitos necessários para a convocação da consulta popular. Um passo necessário era que estivesse tramitando na AL um projeto de lei de autoria do Executivo delimitando o que pretende fazer com as empresas — vender, federalizar, extinguir, incorporar, etc. –, o que não existia.

Diretas Já

Também o parlamentar Adão Villaverde (PT), presente ao ato na Praça da Alfândega, garantiu que os governistas de Sartori não têm maioria na Assembleia Legislativa para apoiar a privatização do Banrisul. “E mais: os entreguistas agora já não associam mais a venda de estatais aos planos de recuperação fiscal do RS, pois hoje isto não sensibiliza ninguém. Este governo vai ter que recuar no tema da extinção das empresas e fundações”. Villaverde também foi muito aplaudido ao concluir sua fala: “A saída para a crise é uma grande aliança das forças progressistas. E queremos eleições diretas já!”.

Revoada de balões

O diretor da Fetrafi-RS Sérgio “Serjão” Hoff, que coordenou o abraço ao banco com centenas de pessoas e a revoada de milhares de balões nas cores do Banrisul (azul e branco), ainda destacou ao final do ato: “A busca dos recursos devidos pela Lei Kandir abatem de 80 a 90% da dívida do estado com a União. Por isso, não é preciso vender nada para resolver a questão, basta fazer um ajuste de contas. E tem mais: ninguém vende a sua casa para pagar imposto atrasado!”, concluiu.

Fotos: Anselmo Cunha e Guilherme Santos

 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER