Ato dos bancários esclarece a ligação do Saúde Caixa com a crise de abastecimento e o papel do golpe

Mas o que a paralisação de caminhoneiros autônomos e de proprietários de frotas tem a ver com o Saúde Caixa e com a Campanha Salarial 2018, temas do Dia de Luta em Defesa do Saúde Caixa, na quinta-feira, 24/5, em frente ao Edifício-Sede Querência, no Centro de Porto Alegre? Tudo a ver, ainda mais se imaginarmos que esses dois temas colocam em debate a importância de empresas públicas, como a Caixa e a Petrobras, e um governo entreguista. Desabastecimento é primo-irmão do desmonte. E ambos são usados para dizer que Caixa e Petrobras não funcionam e têm mais é que serem vendidas mesmo.

O desmonte da Caixa atende pelo nome de reestruturação. Agências fechadas, PDVs que reduzem o quadro e agora uma resolução que pretende acabar com o Saúde Caixa aos poucos. Quer dizer, aumentam o volume de trabalho, reduzem o número de trabalhadores, as metas são elevadas. A Caixa quer reduzir sua participação no Saúde Caixa para 6,5%. E a desculpa é tornar o banco mais eficiente. Coisa nenhuma, é para vender.

Quando o colega fica doente, vai precisar pagar mais por um serviço de saúde que é muito pior. Tudo isso tem a ver com um processo de desmonte que esconde a importância da Caixa para o desenvolvimento do país. Isso ocorre com o pré-sal e a Petrobras e tem sido prática do governo golpista de Michel Temer desde que assumiu em 2016.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, tratou de propor uma reflexão sobre a estrutura de ataque do golpe nos nossos direitos e a importância da participação dos bancários na defesa das conquistas na Campanha Salarial 2018. O presidente fez um alerta sobre as dificuldades nas mesas de negociação em contexto de golpe, sobretudo por conta da reforma trabalhista, a Lei 13.467. A saúde do trabalhador é a forma de dar um aviso: trabalhem e não reclamem, porque no Banco do Brasil os novos concursados não terão acesso a Cassi. Trabalhem, não reclamem e adoeçam. É assim que o recado do governo Temer deve ser entendido pelos empregados do banco.

Não vai ser fácil, mas a participação dos bancários nos Encontros Estaduais no fim de semana de 19 e 20 de maio serviu de alento e de esperança. “Os bancários ouviram os chamados de suas entidades de classe e compreendem que o que já ocorre nas agências é resultado de uma visão de governo de reestruturação e de ataque até a saúde dos trabalhadores bancários. Vai ser uma Campanha Salarial difícil, mas temos condições de manter nossos direitos”, exaltou Gimenis.

A mentira da eficiência

Para a diretora e funcionária da Caixa, Caroline Heidner, o ataque ao Saúde Caixa é parte do enfraquecimento e desmonte do banco estatal 100% público, aliado às sucessivas reestruturações que fecham unidades, pioram as condições de trabalho e, por consequência, o atendimento à população. A diretora lembra ainda que a Resolução CGPAR nº23 atinge todas as empresas públicas federais – os bancos públicos Caixa, BB, Banco da Amazônia, BNB e BNDES -, além de outras empresas como Petrobras, Correios e Eletrobras.

Essa narrativa é contaminada pelo golpe político, que levou direito dos trabalhadores, e pelos seus agentes. “Todos os ataques que a Caixa vem sofrendo são obra do governo golpista de Michel Temer e Henrique Meirelles. Meirelles, enquanto ministro da Fazenda, nomeou Ana Paula Vescovi, nome de sua confiança, para a presidência do Conselho de Administração da Caixa, e foi sob a sua batuta que se aprovou a alteração estatutária com o teto do custeio do Saúde Caixa. Já o ministro Eliseu Padilha, que está sendo investigado em vários processos por corrupção, é quem assina a Resolução 23 da CGPAR. Eles tocam um projeto de destruição do patrimônio público. Precisamos resistir na Campanha Salarial e lutar pela manutenção do Saúde Caixa, com nenhum direito a menos”, assinalou Caroline.

Jaílson Prodes lembrou do papel da Caixa e de seus programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, na superação da crise de 2008. “A última crise que o Brasil enfrentou foi muito importante o papel da Caixa e do BB como bancos públicos. A oferta de crédito mais barato ajudou o país a superar a crise. O governo está preparando os bancos públicos para a venda. É uma verdadeira sangria do patrimônio público. Por isso demite empregados, diminuiu o número de agências e piora o atendimento”, diz Jaílson.

Caixa e pré-sal

Mas o que mesmo o ataques aos direitos dos trabalhadores têm a ver com o pré-sal e a Petrobras? O diretor do SindBancários e empregado da Caixa, Tiago Pedroso, nos ajuda e compreender o contexto. Trata-se de um caso de entreguismo do patrimônio nacional. Assim, o Saúde Caixa é uma representação, um sintoma de uma política nacional.

Assim como a crise de abastecimento mostra que estamos diante de um governo federal incompetente e sem nenhuma preocupação com a vida dos trabalhadores, impor restrições ao Saúde Caixa leva ao adoecimento dos empregados e à precarização do único banco 100% público, o que repercute nas agências, ajudando na construção da narrativa de que o que é público não presta.

O momento serve de alerta. Estamos diante de mais um ataque ao patrimônio nacional. A entrega do pré-sal é mais um capítulo deste golpe. Na Caixa é a mesma política de desmonte. A manada de lobos está passando. Se a gente não levanta a cabeça e enfrenta, eles vão acabar com o país”, alertou Tiago.

O também empregado da Caixa e diretor do SindBancários, Guaracy Padilla, fez um apelo à participação dos colegas na luta em defesa dos direitos no banco público durante a Campanha Salarial e também contra os ataques. “Temos que ter presente que hoje é o dia que marca o início da nossa Campanha Salarial. É uma atividade de esquenta. Este ano é diferenciado o nosso papel na luta. Tem a Reforma trabalhista. Se a gente não apostar na luta coletiva, não vamos fazer frente ao ataque neoliberal”, avaliou.

Fonte: Imprensa SindBancários

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