Ato do SindBancários combate uso da tecnologia do Banco do Brasil para fechar agências, explorar bancários e desumanizar atendimento

Um bilhete colado na porta de vidro da agência Senador Salgado Filho, do Banco do Brasil, na manhã da sexta-feira, 8/7, informava friamente que este era o último dia em que essa agência ficaria aberta. A frieza esconde o verdadeiro sintoma de um uso da tecnologia para atacar a soberania do país, desumanizar o atendimento aos clientes, correr de dentro das agências lós trabalhadores e somente visar ao lucro. Mas o Banco do Brasil não é um banco público e não deveria fazer o oposto?

A resposta para esta pergunta é sim. Mas o banco público mudou muito e o fechamento da agência senador Salgado Filho, no Cento de Porto Alegre, é o sintoma dessa mudança para pior. No lugar de clientes que preferem a conversa presencial com o bancário, portas fechadas. Ao invés de pensar um banco com as portas abertas para garantir a soberania nacional, taxas e tarifas menores, o Banco do Brasil pensa no lucro e como um banco privado.

A consequência disso é precarização do atendimento e a exploração dos trabalhadores bancários; Por isso, na manhã da sexta, dirigentes do SindBancários foram até a agência da Salgado Filho realizar o Ato de esclarecimento sobre o modelo digital do Banco do Brasil e de denúncia de fechamento de postos de trabalho. Antes de conitnuar a ler esta matéria, saiba que nenhum dirigente do Sindicato é contra a tecnologia, mas sim contra o uso que os bancos fazem dela.

Assista ao vídeo do ato da sexta-feira, 8/7.

O diretor do SindBancários, Jaílson Bueno Prodes, alerta para uma transformação estrutural do banco público na direção de uma visão de banco privado. O Banco do Brasil, segundo o dirigente, abandona o interesse da população para passar a fazer parte de um projeto de tomar a produção da sociedade e investir no mercado financeiro. “Essa agência vai ser fechada por conta de um projeto do BB de encaminhamento para o atendimento via internet. Entendemos que o cliente tem o direito de fazer a escolha de onde quer ser atendido”, explica o dirigente.

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banco do Brasil, Luiza Bezerra, fez questão de dizer que o ato não era contra a introdução da tecnologia na vida dos clientes e bancários, mas de esclarecimento e contra as 4 mil demissões feitas pelo banco público nos últimos cinco anos. “O problema é que a tecnologia, que melhora muito a nossa vida, vem sendo utilizada nos bancos para reduzir empregos. A tecnologia tem vindo de encontro ao que defendemos que é melhorar o atendimento. No Itaú, a tecnologia tem piorado o atendimento e aumentado as filas. O Banco do Brasil caminha para esse modelo do Itaú”, sentenciou a dirigente.

Para Luiza, os bancos estão na vanguarda de um uso da tecnologia que serve à exploração do trabalho. A dirigente chamou a atenção para um novo conceito relacionado à exploração do trabalhador. “O Banco do Brasil deveria ser protagonista, como banco público e o maior banco do país, do desenvolvimento econômico e social. Mas, em vez de utilizar a tecnologia para melhorar as condições de vida, usa para a intensificação do trabalho, porque demite, faz os bancários trabalharem mais e piora o atendimento”, acrescentou Luiza.

Defesa da soberania do país

A secretária de Mulheres da CUT-RS e bancária, Ísis Marques, exaltou a importância de lutar contra a onda de privatizações que o governo interino anuncia para manter caráter público do Banco do Brasil. “Viemos reafirmar que vamos defender o banco público. O Banco do Brasil tem que manter a sua característica de banco de fomento, de desenvolvimento. O fechamento dessa agência significa a precarização dos trabalhadores que fizeram concurso público para trabalhar. A defesa do Banco do Brasil público é a defesa da soberania do nosso país”, avaliou Ísis.

A tecnologia contra o contato humano

O secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, lembrou que na década passada o discurso de bancarizar, de trazer pessoas para terem melhores condições de vida para dentro dos bancos está sendo substituído por uma visão de banco para as elites, para quem tem muito dinheiro. Trata-se de um retrocesso, na visão do dirigente, apoiado num discurso falaciosos de modernização. “Estamos lutando contra um processo de fechamento de agência bancárias de bancos públicos que é oposto da modernização. É a expulsão da classe trabalhadora de dentro das agências”, explica Luciano.

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Para o dirigente, trata-se de um uso abusivo da tecnologia contra os interesses da população.  “É contra o contato humano. A tecnologia não pode servir para retirar direito da classe trabalhadora de entrar nas agências bancárias. O Banco do Brasil é público e tem que combater a exclusão”, asseverou.

A serviço de quem?

A diretor de comunicação do SindBancários, Ana Guimaraens, acentuou o caráter público do banco e alertou os clientes que usavam os caixas eletrônicos às 12h30, da sexta-feira, sobre o efeito que o fechamento da agência Salgado Filho passaria a ter no atendimento da agência Borges de Medeiros. “A grande pergunta é: De quem é o BB? É da população brasileira e tem que estar a serviço da população brasileira. Nessa hora, a partir da próxima segunda-feira, vocês irão enfrentar uma fila maior do que essa na agência Borges. Infelizmente, o Banco do Brasil trabalha pelo lucro. E quando isso acontece sobrecarrega os trabalhadores bancários e precariza o atendimento”, explicou.

Crédito fotos: Caco Argemi

Fonte: Imprensa SindBancários

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