Ato chama população a dar as mãos aos bancários para defender bancos públicos

Definitivamente, defender os bancos públicos não é apenas “coisa de bancário”. Quem vai para a frente de uma agência bancária, como foi o caso de bancários e trabalhadores de outras categorias, na tarde da quinta-feira, 6/12, vai incomodar muito sim os trabalhadores que passam rumo aos seus almoços ou de volta a seus locais de trabalho. O Ato em Defesa dos Bancos Públicos no Dia Nacional de Luta em Defesa dos Bancos Públicos, chamou a população que passou pela Praça da Alfândega entre o Banrisul e a caixa a compreenderem a importância dos bancos públicos na vida de todos nós. E mais: a compreenderem a importância de defender os bancos públicos para todo o povo.

Veja aqui a galeria de fotos do Ato em Defesa dos Bancos Públicos em Porto Alegre

Por cerca de uma hora e meia, os bancários mostraram a importância de manter a Caixa, o Banco do Brasil, o Banrisul, o Badesul, o BRDE, o BNDES a serviço do povo brasileiro. Financiamento da casa própria, juros mais baixos no cartão e para conseguir empréstimo, financiamento da agricultura… Esses são alguns dos motivos que levaram os dirigentes a irem às ruas e a darem as mãos pelos bancos públicos ao final do ato. Mas há outros motivos. O governo de Jair Bolsonaro, tendo em Paulo Guedes um superministro da fazenda louco para vender tudo o que puder, e fazer a festa dos grandes banqueiros particulares, como ele próprio, vão exigir que estejamos todos juntos por muito tempo.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, nominou cada um dos bancos acima citados quando discursou no encerramento do ato. Esclareceu que a luta dos bancários não é só corporativa, quer dizer, para atender interesses dos trabalhadores, mas que se trata de uma questão de soberania nacional. “O governo de plantão tem a visão de entregar as empresas públicas de bandeja para o capitalismo privado. Aqui no Estado foram quatro anos tentando vender o Banrisul. Não tem município gaúcha que não tenha investimento de um dos bancos públicos. Se vender o Banrisul, a quem o Estado vai recorrer para pagar o 13º dos servidores públicos? Ao Banrisul”, detalhou Gimenis.

Assista abaixo a vídeo do ato

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, trouxe um fato histórico para demonstrar aos trabalhadores que passavam, pela Praça da Alfândega o quanto é importante defender as empresas públicas e lutar por direitos. Claudir contou que, em 1957, os metalúrgicos, classe trabalhadora a qual ele pertence, realizaram um grande caminhada para conquistar o auxílio natalino. Fizeram muito barulho e conseguiram o benefício depois de muita luta e mobilização. “Não tinha o 13º naquela época. Muita gente, inclusive trabalhador, fazia piada da mobilização dos metalúrgicos, mas a categoria garantiu um salário a mais. Em 1963, o presidente Jango Goulart criou o 13º salário para todo mundo. Tinha empresário que dizia que ia quebrar o Brasil. Quero parabenizar o SindBancários que está sempre na rua explicando tudo. Querem meter a mão em banco público que dá lucro”, acrescentou Claudir.

Ninguém solta a mão de ninguém para defender os bancos públicos

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banrisul, Denise Falkenberg Corrêa, trouxe números que demonstram o quanto o setor financeiro brasileiro é concentrado nas mãos de poucos. Mais precisamente seis dos maiores bancos concentram 78% das contas-correntes. Em países da Europa não é assim nem nos Estados Unidos. Há, em média 4 mil bancos na União Europeia e mais de 10 mil nos Estados Unidos. Quer dizer, tem concorrência. “Aqui cabe ressaltar que a nossa luta não é só pela pauta corporativa embora isso seja fundamental. Temos que defender todos. Um depende do outro e ninguém larga a mão de ninguém”, disse Denise, fazendo referência a um movimento nacional em defesa da democracia criado após o segundo turno das eleições de 2018.

A diretora do SindBancários e empregada da Caixa, Caroline Heidner, lembrou que o próximo governo, o eleito, tem figuras na sua gestão que são entreguistas natos. Paulo Guedes, um Chicago Boy, que ajudou a implantar uma reforma da previdência escandalosa no Chile é rentista e vai trabalhar para o mercado financeiro privado, do qual ele faz parte. Caroline enumerou algumas das importantes funções dos bancos públicos para o povo brasileiro: 1) desenvolvimento das políticas de Estado ; 2) investimento em infraestrutura e desenvolvimento; 3) capacidade de os bancos serem usados como instrumentos de políticas anticíclicas de combate a crises. “Não há uma única pessoa que não seja beneficiada por algum banco público”, assegurou.

Interesses do sistema financeiro privado e violência bancária

O diretor do Sinpro/RS, Amarildo Cenci, chamou a atenção para a onda privatista que pode ficar ainda maior a partir de 1º de janeiro quando o governo Bolsonaro assume. E que não se trata apenas da luta dos bancários. “Não se trata apenas de uma questão relacionada aos direitos dos bancários. É uma questão dos interesses do sistema financeiro privado. Querem privatizar os bancos públicos para financiar crédito mais caro e lucrar mais. Qual desses bancos privados vai para cidades do interior pequenos como o Banco do Brasil, a Caixa e o Banrisul? Não podemos abrir mão do sistema público financeiro”, detalhou.

O diretor do SindBancários, e funcionário do Banco do Brasil, Rogério Rodrigues, lembrou do colega Rodrigo Mocelin, morto em assalto na cidade de Ibiraiaras, na terça-feira, quando foi feito refém em mais um assalto com uso de cordão humano no Estado. “Somos alvos de assaltantes. Nesse processo estrutural de sucateamento dos bancos públicos para desmontar e vender, há um ataque perverso. Quando demitem e aumentam o adoecimento com metas abusivas, o atendimento tende a se precarizar. Então, a população reclama e começa a dizer que é melhor vender porque é o público e não funciona. Mas isso é mentira, porque o Banco do Brasil é lucrativo e muito forte. Vender é para enriquecer meia dúzia de gente bilionária”, explicou.

A luta não vai ser fácil para eles

desde 2015, quando o governador José Ivo Sartori (MDB-RS) assumiu o governo do estado, o Sindicato alerta para a ideologia privatista que passaria a vigorar. De fato, o governo trabalhou na Assembleia Legislativa para derrubar a exigência de plebiscito para vender o Banrisul e vendeu ações do banco em dois pregões no mês de abril passado. Tudo isso para ingressar num regime de recuperação fiscal que só vai aumentar a dívida pública e endividar ainda mais os gaúchos. “Quero falar também aos colegas que estão me ouvindo na Agência Central e no prédio da DG. Estamos aqui e vamos continuar aqui para defender os bancos públicos para as pessoas que mais precisam. Precisamos de todos os bancários que todo mundo desça, porque essa luta não vai ser fácil para nós e não vai ser fácil para eles também”, avisou o diretor do SindBancários e funcionário do Banrisul, Gerson Marques, o Gordo.

Um minuto de silêncio

Antes de apresentar as suas razões para fortalecer a defesa dos bancos públicos, o diretor do SindBancários e empregado da Caixa, Tiago Pedroso pediu um minuto de silêncio em memória ao bancário Rodrigo Mocelin, morto em assalto na cidade de Ibiraiaras. E também em homenagem à sua família. “Contra tudo, contra a desigualdade, vamos fazer muito barulho, muita mobilização e resistir. Não é uma luta de uma categoria de trabalhador, mas de toda a sociedade em defesa dos bancos públicos”, disse Tiago.

Na condução do ato, o diretor Jaílson Bueno Prodes, também funcionário da Caixa agradeceu, ao final do ato, à participação do músico Charles Busker e deu o tom do que será a luta dos bancários em defesa dos bancos públicos. “Essas negociatas para vender bancos públicos não é para favorecer o povo brasileiro. É para favorecer uma meia-dúzia de banqueiros e contra o povo brasileiro”, discursou.

Fonte: Imprensa SindBancários

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