Até site internacional The Intercept diz que venda do Banrisul é um retorno à política de privatizações de FHC dos anos 1990

O sítio internacional de notícias The Intercept, do jornalista, escritor e advogado Glenn Greenwald, repercutiu os rumores e as notícias sobre a privatização do Banrisul. Em artigo publicado na segunda-feira, 30/1,  sob o título “Ataque aos bancos públicos serve para justificar volta das privatizações” (leia aqui), o sítio compara as investidas dos governos Sartori e Temer sobre o banco público gaúcho como uma retomada da visão política privatista dos anos 1990.

Esta década perdida para os trabalhadores tinha Fernando Henrique Cardoso como presidente. O The Intercept publica informações e argumentos que o SindBancários há muitos anos e também recentemente chama a atenção dos bancários.  A ideia é privatizar empresas públicas até não poderem mais. E como nos convencem dessa solução? Dizendo que vender empresas públicas vai tirar o Estado da crise financeira em que está metido. A gente sabe que isso é conversa. Se não, as privatizações do FHC já teriam tirado os estrados da crise. Quem já esqueceu ou não sabe ou não lembra da venda da CRT (A Companhia Riograndense de Telecomunicações)? Pois ela foi vendida no final dos anos 1990 para resolver crise financeira. Resolveu? Claro que não.

Acompanhe o artigo abaixo. A propósito, para quem desconfia das fontes de informação, o jornalista Glenn Greenwald é vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo nos Estados Unidos em 2014 pela série de reportagens publicadas, em 2013, no jornal The Guardian, que revelou. junto com Edward Snowden, a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, organizados pela sua Agência de Segurança Nacional.

Ataque aos bancos públicos serve para justificar volta das privatizações

Intercept Brasil – A era das privatizações está de volta. Basta olhar o pacote de recuperação fiscal que está sendo negociado entre o governo federal e o governo do Rio Grande do Sul para confirmar: estão na mira a Companhia Estadual de Energia Elétrica, a Companhia Riograndense de Mineração, a Sulgás e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul).

O banco estadual é considerado “a joia da coroa” gaúcha, nas palavras do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu que sua venda “vai fazer parte das discussões” sobre “o que será necessário” para a recuperação do estado.

A venda do Banrisul como tábua de salvação para a economia faz parte de uma série de ataques feitos aos bancos públicos brasileiros nos últimos anos. Representa também o retorno à política de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente que deu fôlego às privatizações. Entre outras empresas públicas, vendeu principalmente bancos estaduais. Hoje, restam abertos cinco bancos estaduais.

“O valor de um Banrisul privatizado seria de pelo menos duas vezes o valor atual”

Meirelles confirmou os interesses na privatização do banco gaúcho na quinta-feira passada, 26 de janeiro. Pouco mais de 24 horas depois, as ações do Banrisul registraram um aumento acumulado de 22,5% entre quinta e sexta-feira. A alta foi tão repentina que, no dia seguinte ao anúncio, o banco precisou emitir um comunicado ao mercado a pedido da Bovespa para “justificar a movimentação atípica de ações”. O texto, no entanto, não menciona o ministro, mas aponta como motivo da corrida por ações uma publicação jornalística:

“A movimentação atípica se deu a partir da matéria publicada pelo jornal Valor Econômico que, em seu artigo de capa e em versão eletrônica, colocou a privatização do Banrisul como condição para ajuda do Governo Federal ao Estado do Rio Grande do Sul.”

O anúncio da análise sobre a possibilidade de venda do banco foi o suficiente para deixar o mercado financeiro ouriçado. O banco BTG Pactual, segundo o site InfoMoney, já prevê que “o valor de um Banrisul privatizado seria de pelo menos duas vezes o valor atual”. Já o presidente do banco Santander, Sergio Rial, disse se considerar “obrigado” a avaliar a oportunidade, segundo o jornal Zero Hora.

O professor de economia Fabricio Jose Missio, da Universidade Federal de Goiás, afirma que, pelo posicionamento do governador gaúcho — de redução do tamanho do Estado e da venda de estatais — e dada a crise econômica do estado, “é provável que essa discussão siga em frente e que aconteça, de fato, a privatização”.

Tamanho interesse pelo banco gaúcho pode estar no fato de que a instituição renovou, em maio de 2016, o contrato exclusivo de dez anos para fazer o pagamento dos servidores do estado. O banco pagou R$ 1,27 bilhão para se manter o único operador dos salários do funcionalismo. No final de setembro de 2016, seus 45 mil consorciados lhe rendiam um saldo de ativos totais de R$ 67,8 bilhões. O banco tem 536 agências distribuídas pelo país e no exterior, com 11.255 funcionários.

Fonte: Intercept-Brasil/Helena Borges

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