Ataques a bancos com reféns mantêm média em 2019

Criminosos fortemente armados usaram cordão humano ao atacarem agências do Banrisul e do Sicredi em Ametista do Sul

O cordão humano que criminosos fortemente armados impuseram à comunidade de Ametista do Sul, na tarde da quinta-feira, 28/2, expõe uma chaga de medo sobre o Rio Grande do Sul. Esse ataque ao município da Região Norte foi o 11º desde 1º de janeiro deste ano. De todas essas ações de criminosos em 2019, o ataque às agências bancárias do Banrisul e do Sicredi foi o quarto dos primeiros 59 dias do ano com reféns.

O número de ataques que atentam diretamente sobre a vida de algum morador de cidade de interior ou de um bancário em 2019, é o mesmo registrado pelo SindBancários para os dois primeiros meses de 2018. Embora o volume absoluto de ações de criminosos em ataques a bancos tenha caído nos primeiros dois meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, o uso de reféns manteve a média do ano passado.

De 1º de janeiro a 28 de fevereiro de 2018, ocorreram, segundo registro do SindBancários com base em casos registrados na mídia tradicional ou nas redes sociais, 29 ataques a bancos. No mesmo período de 2019, foram registrados 11 ataques, uma redução de 62% do índice para os dois primeiros meses de 2018/2019.

Se compararmos apenas os meses de fevereiro de 2018 e 2019, também registramos uma queda no volume de ataques a agências bancárias. Foram 13 no segundo mês do ano em 2018 contra oito em fevereiro de 2019, redução de 38,5%. Mas é preciso pensar em uma tendência de aumento. Isso porque o ritmo de queda entre o volume total de ataques nos dois primeiros meses do ano e de fevereiro caiu bastante (de 62% para 38,5%).

O que preocupa também é o crescimento no volume de ataques de janeiro de 2019 em relação a fevereiro deste mesmo ano. Cresceu quase três vezes. Foram três ataques em janeiro e oito em fevereiro.

Para o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, a redução no volume de ataques a bancos nos dois primeiros meses do ano é importante. Porém, a violência e o medo que um bancário sente ao virar refém ou ver alguém sendo levado por uma quadrilha deixa sequelas psicológicas. “Estamos observando que as forças de segurança pública estão conseguindo perseguir os criminosos e cercá-los. Gostaríamos que houvesse mais trabalho de inteligência e que os órgãos de segurança pública fizessem um trabalho mais de prevenção de assaltos junto com o de contenção”, avaliou Gimenis.

Segundo o presidente, a troca de tiros quando reféns é muito perigosa, pois, dependendo da abordagem policial, os reféns podem ser tratados como dano colateral. Foi o caso do bancário do Banco do Brasil de Ibiraiaras, Rodrigo Mocelin da Silva. Em 3 de dezembro do ano passado, ele foi morto durante a tentativa de fuga de uma quadrilha. Rodrigo foi alvejado quando estava no porta-malas de um dos carros usados pela quadrilha para fugir. Os criminosos forma mortos pela Brigada Militar.

O cordão humano em Ametista do Sul

A rotina de pavor de bancários e moradores de pequenas cidades do Interior do estado voltou a se fazer presente em Ametista do Sul, na tarde da quinta-feira, 28. Pelo menos seis criminosos, utilizando armas longas, efetuaram vários disparos para o alto, montaram um cordão humano em frente às agências do Sicredi e Banrisul, fizeram três pessoas de reféns e fugiram em dois veículos. Conforme testemunhas, os quadrilheiros cobriam o rosto com toucas-ninja.

Um dos carros utilizados, uma camionete S10, com placas clonadas de Canoas, foi abandonada na ERS 591, que liga Ametista a Planalto, no Norte do estado. Na fuga, para impedir perseguição da BM, os assaltantes espalharam miguelitos (pregos retorcidos) pela pista. Os reféns foram liberados pelos criminosos.

Reserva Indígena

Nesta sexta-feira, 01/03, a polícia continuava fazendo buscas na região até o final da manhã. A suspeita é que os membros da quadrilha tenham se refugiado nas matas existentes na Reserva Indígena de Nonoai, na fronteira com Santa Catarina. A cidade de Ametista tem cerca de 7.500 habitantes e fica a aproximadamente 450 quilômetros de Porto Alegre.

Confira abaixo os ataques a bancos com reféns nos dois primeiros meses 2018-2019

Ataques a bancos com reféns em 2019

Janeiro

Dia 04: Sicredi (Sagrada Família). Criminosos amarram explosivos em corpo de gerente durante assalto

Fevereiro

Dia 08: Banrisul e Banco do Brasil (Ibirubá). Criminosos usam explosivos para invadir agências, trocam tiros com a Brigada e fogem fazendo morador de refém.

Dia 21: Banco do Brasil (Pantano Grande). Pelo menos cinco criminosos explodem agência do BB, fazem refém e fogem após o ataque. O refém é solto na estrada.

Dia 28: Banrisul e Sicredi (Ametista do Sul). Criminosos atacam agências, fazem cordão humano e fogem com reféns disparando tiros.

Ataques a bancos com reféns em 2019

Janeiro de 2018

Dia 06: BB, Banrisul e Caixa (Butiá). Dez homens encapuzados pararam Centro da cidade. 2 pessoas feridas a bala. Explosões nos três bancos. Cordão humano.

Dia 14: Banrisul (Viamão). Criminosos invadiram posto de combustível na madrugada e arrombaram terminal do banco. Fizeram reféns e terminaram fugindo com o dinheiro.

Dia 31: Banrisul (Lindolfo Collor). Grupo de criminosos atacou agência na madrugada, explodiu caixas, fez reféns e fugiu com o dinheiro.

Fevereiro de 2018

Dia 01: Banco do Brasil, Banrisul e Sicredi (Mata). Bando atacou com explosivos o Banco do Brasil e o Banrisul, e levou uma quantia em dinheiro não especificada. A agência do Sicredi também teve o vidro quebrado, mas os criminosos não levaram nada. Fuga, miguelitos na pista e escapada. Cordão humano.

Consulte aqui a lista de ataques a bancos desde 2006.

Assista a vídeo da página Rádio Planalto News do ataque às agências bancárias em Ametista do Sul. Gravação do repórter Josias Marques, do Portal Infoco (leia aqui) 

https://www.facebook.com/rdplanalto/videos/289660541713857/

Crédito foto: Infoco e Ouvinte Planalto News

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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